Mostrando postagens com marcador Filhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filhos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Médicos 24h

Falei da saga de minha esposa em hospitais em outro post, e frequentemente nossa filha adoece como todo bebê que esta desenvolvendo o sistema imunologico. Varias vezes precisamos de consultas de urgência e como ja estamos acostumados com o péssimo atendimento de urgência, digno dos hospitais publicos brasileiros, muitas vezes acionamos o serviço médico de urgência por telefone.

Como nao temos familia aqui, ficamos meio desesperados quando aparece doença. A ultima "mazela" foi mês passado, quando apreceu uma infecçao renal em minha esposa, logo apos minha filha ter adoecido (acho que era um resfriado). Ficaram as duas doentes e meu nivel de pânico subindo com tese pra terminar e o povo todo doente aqui. Mesmo depois de medicada minha esposa estava tendo febre perto de 40°C. Liguei pra um serviço de urgência do SAMU*, que sempre usamos (08 10 15 33 33). O médico atende em alguns minutos e depois da descriçao dos sintomas e de ter falado da medicaçao, ele sugeriu mudar para Ibuprofeno, que tinhamos em casa. Funcionou que foi uma beleza. Niquel, como dizem aqui. Logico que o cara do outro lado nao é negligente e vai receitar remedio controlado. O maximo que ele faz é sugerir tratamento.

Foram muitas vezes que ligamos, mas eu so consigo lembrar especificamente de alguns casos:
- Constipaçao de mais de 48h do bebê (narrado aqui)
- Queda de bebê batendo cabeça no chao (nao deixar ele dormir logo apos a queda e observar durante as proximas 24h se algo fora do comum se passa)
- Infecçao renal da esposa (caso acima)

Toda a assistência que tivemos aqui no pré-parto e pos-parto, creche, serviço médico por telefone, entre outras coisas, nos supriu bastante a falta dos conselhos de nossos pais e demais parentes. Claro que a familia é insubstituivel do ponto de vista afetivo, mas o meu ponto aqui é que a assistência que nos foi dada nos deixou bastante seguros em varios momentos onde o desespero toma conta de alguns casais que sao pais de primeira viagem.

Para os que estao no Brasil fica o relato, e para os que estao na França fica o relato e a dica, caso precisem de um médico de madrugada.

* Numero usado na regiao de Grenoble para falar com médicos de plantao nos horarios de 18h as 8h e em fins de semana e feriados, em caso de emergências nao vitais. Nao sei informar se o serviço é em toda a França. Verifiquem o SOS médecins caso esse numero nao funcione em sua regiao.
Caso seja algo muito sério, discar para o SAMU usando o numero 15.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Creches na França

Antigamente, no mundo dos nossos avos, bisavos, as esposas abdicavam de suas vidas para se dedicarem ao lar, cuidando da arrumaçao, da cozinha e da prole. E que proles numerosas antigamente! Agora a historia muda, e as mulheres ha decadas ja saem de casa para continuar os estudos e trabalhar. Mas e quem cuida das crianças? Esse é um dos grandes problemas de casais do mundo moderno. Morando na mesma cidade da familia, tem sempre a vovo' pra quebrar o galho, ou uma tia, ou até mesmo o vovô. Mas e se nao tem ninguém da familia pra ajudar? O que fazer?

No Brasil tem babà a preço acessivel para as classes média e alta, afinal a diferença salarial é gritante. Pagar um salario minimo nao é nada para muitos casais de classe média que possuem renda familiar de 5, 10, 15 ou sei la quantos salarios minimos. Ha quem prefira deixar filhos em hotelzinho, berçario, escolinha, ou algum outro local conduzido por profissionais com formaçao na area. Além do fato da maior parte das babas nao terem formaçao especifica para educar crianças, existe o receio de maus tratos. Mas isso também nao deixa de acontecer em espaços coletivos no Brasil, mesmo que com menor frequência (o caso da creche em Goiânia).

Serviços sao carissimos no primeiro mundo e a renda é bem distribuida. Ganhar 5 salarios minimos na França nao é comum. Para você ter idéia, um professor universitario no Brasil inicia ganhando mais de 13 salarios minimos. Na França o mesmo cargo inicia com pouco mais de um 1,5 (um salario e meio). Professores de longa data conseguem ganhar 3 salarios minimos ou mais. Perceberam a diferença? Tudo bem que a França paga mal, o povo francês sabe e vive fazendo greve por isso e outras razoes mais. Percebem a dificuldade de pagar uma babà? Quais seriam as alternativas entao?


Modes de Garde
Logo apos o nascimento de nossa filha, eu fui até o Pôle Petite Enfance, da prefeitura de Grenoble. A fila de espera por vagas em creche é gigantesca, e so é possivel marcar um horario para se inscrever depois que a criança nasce. Nada de tentar ganhar tempo fazendo a inscriçao enquanto o bebê esta na barriga.

Nossa filha nasceu em Janeiro de 2010. Telefonamos para la e conseguimos horario para sermos atendidos em fevereiro ou março, nao lembro bem. Eu fui la sozinho. A esposa preferiu ficar em casa cuidando do bebê, mas la tem muita gente que vai ser atendido e leva o bebê ... porque nao tem com quem deixar.

A atendente explicou que existem diferentes modes de garde ("modos de guarda"). Resumindo eu entendi o seguinte :
  • Assistente maternal: Baba, ou nounou (leia-se "nunu"), que tem curso e é homologada pela prefeitura. Você deixa o bebê na casa dela. Existe um limite maximo de crianças de acordo com normas legais (ex: 2 bebês que andam e 1 bebê de colo; 1 bebê que anda e 1 de colo caso more em apartamento sem elevador). Se você algum na França dia avistar na rua alguma mulher com muitas crianças na faixa étaria de até 3 anos, provavelmente ela é uma nounou que esta levando os bebês para passear.
  • Assistente em domicilio: Baba na sua casa, com contrato assinado, exclusividade, férias, etc. Ou seja, formato similar ao que se usa no Brasil. A diferença é que sera uma pessoa que estudou, teve treinamento para esta funçao e provavelmente fala corretamente e você nao tera problemas em corrigir erros de linguagem que seu filho adquiriu com a baba (ex: oitcho, muntcho, cumê, pobrema, etc). Nao é preconceito nem piada. Estou falando sério. No Brasil a regra geral é que baba é subemprego de gente desqualificada (no sentido intelectual). Meus pais e minha irma me falavam que eu era sem noçao e aos 5 anos de idade (eu sou anormal mesmo, comecei a ler meio cedo) corrigia erros de português das babas, e teve uma que até se interessou a aprender a ler por causa de mim.
  • Halte Garderie: Algo como uma "creche quebra galho". Você se inscreve e liga pra ver se tem vagas. Nao existe regularidade de deixar o filho todo dia. O horario é montado sob demanda.
  • Creches da prefeitura de Grenoble: Estabelecimentos coletivos onde as crianças ficam um ou dois turnos, com periodicidade definida através de um contrato.
  • Creches da CAF: A CAF é aquele orgao que falei que da ajuda moradia. Eles possuem centros sociais (algo muito legal, que gostaria de falar em outro post) e creches. O funcionamento é similar ao das creches da prefeitura, mas como sao gerenciadas por outro orgao eu teria que ir diretamente la.
Algumas halte garderies também acumulam funçao de creche, ou seja, algumas crianças tem horarios fixados por um contrato e outras vagas sao flexiveis no formato "quebra galho". A creche da foto acima (eu sou "o cara alto" na foto) é onde nossa filha vai e funciona assim. Existem outros tipos de creches: creche de associaçao de empresa, de bairro, de pais, etc, etc. Mas esses sao os modelos, digamos, homologados para poderems ser subsidiados pela CAF.

Conseguir vagas é muito dificil. A creche de nossa filha foi a 4a. opçao que tinhamos feito. Varias pessoas que conhecemos disseram que nosso tempo de espera foi muito curto (menos de 6 meses), e normalmente pode durar até mais de um ano. Como tudo é feito baseado nas declaraçoes de imposto dos dois anos anteriores, nos fomos beneficiados por ter um ano sem renda. Eles dao prioridade a que tem renda baixa, para a pessoa ter mais oportunidade de trabalhar. Interessante o modelo que tenta ser justo.
A "formula" que minha esposa escolheu foi creche meio tempo (mi temps): 5 turnos, ao invés de 10 (temps plein). Eu queria que ela ficasse horario integral. Meio tempo quebrou geral e era o caos completo em relaçao ao tempo e correria. Conversem sobre isso antes de terem filhos: quem vai cuidar do bebê e como sera.

Ja um colega do laboratorio, que tem um filho nascido dois dias antes da minha filha, se inscreveu para deixar o filho numa nounou. A escolha é feita pelo Pôle Petit Enfance de acordo com vagas e o bairro da pessoa. Se os pais nao aceitarem, um abraço e volte ano que vem. O meu colega disse que chegou no primeiro dia, atendeu uma mulher de preto. Era a nounou. Ele entrou na casa com a esposa e o bebê deles. Deu bom dia ao marido da nounou que tinha cabelo grande e unhas pintadas de preto. Meu colega e a esposa sao equatorianos, catolicos praticantes. Preciso explicar mais? Um abraço e volte ano que vem. Hoje ele se arrepende um pouco do preconceito que teve, e precisou procurar sozinho uma nounou. Demorou algumas semanas pendurado no telefone até encontrar uma.

Alocattions Familiales
Além da moradia, eles também ajudam com outros tipos de alocaçoes familiares, o equivalente no Brasil aos programas que levam "bolsa" na frente (bolsa escola, bolsa familia, bolsa cachaça, etc). FHC e Lula nao contaram que isso existe ha anos em varios paises da Europa como forma de distribuir renda e amenizar as dificuldades financeiras das classes mais baixas.

No contexto do post (cuidar dos filhos), a CAF complementa o pagamento da creche ou qualquer que seja o "modo de guarda" (mode de garde) que os pais escolheram para cuidar da criança. Nao tenho certeza se o modo "quebra galho" das halte garderies sao subsidiados pela CAF, mas no caso das nounous e dos outros modos acima ha o complemento. O meu colega que nao curte unha pintada de preto tem reembolso da CAF relativo a uma parte do que ele paga à nounou. No nosso caso o desconto ja é direto, e so pagamos a diferença. O preço da creche de nossa filha seria uns 250 euros por mês, mas pagamos apenas 60. Se continuassemos aqui, no ano que vem aumentaria pois nossa declaraçao dos ultimos dois anos renda seria maior, o que diminui os subsidios.

De um jeito ou de outro, as "caridades" estao acabando. Se ficarmos por aqui o historico salarial vem aumentando e as ajudas sociais tendem a desaparecer. Se voltarmos nao tem nada disso de ajuda social, mas na verdade acho que teremos mais opçoes: e$colinha$, ajuda da vovo materna ou semi-escravatura de uma baba ao modico preço de um salario minimo (do Brasil, claro).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cançoes Infantis II

Acho que uma forma legal de curtir os filhos é virar criança de novo é brincar, rir, correr, cantar, se sujar, etc. Resumindo, virar criança com eles de novo. E falando em cantar, o fato de estar na França nos esta fazendo aprender um bocado de musica infantil que cantam aqui.

Ja falei em outra ocasiao aqui sobre cançoes infanti, e temos aprendido muitas musicas na creche onde fica nossa filha. Por sinal, estou editando um post sobre o sistema das creches aqui na França, mas ele ficara hibernando por algum tempo enquanto escrevo a tese.

Além da creche, nos servimos também do youtube pra ajudar a explorar outras musicas do "cancioneiro francês". Ontem minha esposa conseguiu achar uma cançao numa lingua "estranha" que cantam muito na creche, e que aprendemos "por osmose". Por sinal nossa filha adora e ja canta algumas palavras elaboradas como olelê e olalà. Pensavamos que era arabe (apesar dos sons das palavras nao terem cara de arabe) devido à forte presença de magrebinos aqui, mas nunca perguntamos de onde era. Na verdade é do Congo. Em encruzilhadas culturais como os paises da Europa é normal entrar em contato com culturas de diversos paises, mas nao achei que chegassem assim a tal ponto de incorporar na cultura infantil uma musica em um idioma africano. Muito legal isso. Na provincia de onde viemos o intercambio cultural que rola é com Paraiba e Alagoas :)

Aqui o link da musica para quem quiser ouvir: olélé moliba makasï.

PS: Eu so ia postar uma frase e o link. Preciso desse fluxo de palavras tecladas por minuto na minha tese.

sábado, 5 de março de 2011

Bebês e o frio


Estamos no fim do inverno aqui no hemisfério norte. Nessa época a temperatura, aqui em Grenoble, fica em média entre 0°C e 10°C a maior parte do tempo. Eu (e boa parte das pessoas) sempre ando com saquinho de lenços no bolso pois tenho coriza durante todo o inverno. Doenças respiratorias como gripes, resfriados, bronquite, entre outras, sao muito comuns durante o inverno, inclusive nas crianças. Existe sempre um grande estado de alerta
em torno da bronquiolite, que afeta muitos bebês de até 3 anos.

Nossa filha, hoje com quase 14 meses, começou a ir para a creche desde setembro ultimo, e se contamina ainda mais com diversos tipos de microbios. Mamae e papai aqui sofrem junto, e estao sempre adoecendo "solidariamente". Com pouco tempo de vida, e graças ao Sr. Inverno, minha filha tem uma cesta com mais de uma duzia de remédios pra doenças deste gênero. Falei em outro post sobre a otite que ela teve em dezembro.

Talvez o pessoal do Sul do Brasil, e até mesmo do Sudeste, esteja acostumado com tudo isso, pois os invernos là sao mais rigorosos que o Nordeste, onde apenas chove e faz "frio" de 23°C no litoral. Pelo menos para nos, animais tropicais criados no calor escaldante, algumas coisas das coisas a seguir sao bastante curiosas:
  • Vitamina D: Isso eu aprendi na matéria de Ciências, na escola primaria. Para estimular o desenvolvimento osséo e evitar raquitismo precisa-se dar vitamina D aos bebês. Uma alternativa é dar banho de sol no bebê quando os raios UV ainda nao estao tao intensos (inicio da manha ou fim da tarde). Os raios solares ativam nao sei o que no organismo, e a criança nao precisa de vitamina D. Foi assim que fazem na minha terra, e ninguém precisa de vitamina D. Mas se estiver muito frio, o bebê tera muita roupa e nao receberà os raios solares. E agora? Ja respondi, né? Taca vitamina D na criança. Minha filha toma vitamina D desde que nasceu. Apenas teve uma pausa de uns 5 meses quando o clima esquentou.
  • Banho: Assunto complicado para discutir com europeus. Afinal, o habito do banho diario é coisa de americanos (do norte, central e do sul). Herdamos isso dos indigenas.
    Nosso bebê apresentou eczemas. Existem inumeras causas de eczemas, mas nossa pediatra perguntou sobre os habitos de banho do bebê. Conselhos
    1. Quantidade. Minha esposa falou que eram dois ao dia. A pediatra arregalou os olhos e disse que estava errado. Talvez fosse costume de nosso pais de origem devido ao calor, mas no inverno deveriamos reduzir a quantidade para no maximo, um por dia. Ao tomar banho removemos as secreçoes da pele que servem para protegê-la. No calor, a secreçao é mais intensa que no inverno. Logo, tomar muito banho no inverno deixa a pele desprotegida visto que se transpira menos.
    2. Temperatura. Deixar a agua em torno de 36°C ou 37°C. Agua muito além disso tende a ressecar a pele e remove ainda mais a proteçao.
    3. Enxugar. Enxugar sem esfregar, pra nao tirar a bendita proteçao. Atençao para os adultos: aquele negocio de jogar a toalha por tras das costas, segurar uma ponta com a mao esquerda e outra com a direita, e em seguda puxar de um lado para o outro na intençao de enxugar o dorso, ja era. Você esta retirando o grude protetor das suas costas. Nao enxugue. Deixe a camisa tirar o excesso com o atrito do dia a dia. Mas nao use camisa branca, pra nao denunciar o grude fugitivo.
  • Temperatura ambiente: Para bebês, manter o quarto a 18°C ou 19°C. Existe aquecimento nas residências, além de muitas possuirem isolamento térmico. As janelas sao "acochadinhas" pra nao deixarem entrar o frio (nem sair o calor). Tem até janelas mais moderninhas com vidro duplo, pra manter isolamento. Enquanto ta fazendo 0°C la fora, estamos confortaveis dentro de casa com os 20°C a 23°C que geralmente fica (observem na foto do post a incompatibilidade do clima exterior e a roupa da nossa filha). Até da pra esquentar mais, so que eu acho desconfortavel pois começo a transpirar. Minha esposa acha 18°C muito frio, mas eu acho bom. Qualquer coisa, se agasalha. A casa pode até ficar na casa dos 20 durante o dia, mas o quarto onde o bebê dorme deve ter a temperatura de 18 ou 19°C. A pediatra disse que as crianças precisam sentir um pouco de frio para dormirem bem e também para que o corpo seja estimulado a produzir defesas contra doenças do inverno, bla bla bla. Além disso, os choques térmicos de entrar em lugar quente, sair pra lugar frio e vice-versa, fazem mal mesmo que estejamos agasalhados. O conselho foi, ao sai agasalhar bem, e deixar as bochechas e nariz expostos para que o corpo saiba que esta frio.
Minha esposa vive reclamando - entre outras coisas :) - da quantidade de roupas que tem que colocar na nossa filha quando ela precisa enfrentar o frio. Mas tem tudo adaptado por aqui: saco térmico para carrinhos de bebê, combinaçoes (foto abaixo). Talvez a mobilidade nao seja a ideal, mas da pra ficar quentinho (exceto aquele friozinho congelante nas bochechas e nariz). O ser humano tem uma capacidade de adaptaçao incrivel. Mesmo se o corpo nao se adapta, desenvolvemos equipamentos e técnicas para facilitar essa adaptacao. Talvez toda essa adversidade do frio fez o homem europeu exercitar essa adaptabilidade todos os anos, durante milênios, criando sociedades bem mais avançadas que as das regioes quentes do planeta. Ja li alguma vez que como nos invernos ninguém saia, pois nao tinham o que fazer (na época nao tinha TV nem Internet), eles ficavam em casa desenvolvendo suas invençoes, escrevendo, pintando, desenvolvendo praticas de sexo sado-masoquistas pra sair do tédio, etc. Que tal umas nevascas no Brasil pra ver se o povo inventa algumas coisas uteis ?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Seguro Saùde na França III

Mais um post da série seguro saùde. Desta vez o tema é atendimento no exterior.

Fomos passar o Natal na casa de minha prima que mora em Barcelona, na Espanha. Foi tudo muito legal, etc e tal até que por duas noites seguidas nossa filhinha de 11 meses teve febre e sono muito inquieto. Na primeira noite o paracetamol ajudou. Na segunda ja nao ajudou tanto. Coincidentemente, o filho de 4 anos da minha prima estava adoentado também, mas com amigdalite. Na manha seguinte o passeio turistico foi conhecer o sistema de saùde espanhol. Espero que minha filha nao esteja seguindo os passos da mae como turista hospitalar.

Carte européenne d'Assurance Maladie
No ambulatorio que fomos me pediram a carte européenne d'Assurance Maladie. Eu nao tinha. Também nao sei dizer se o fato de ser estrangeiro seria impeditivo para ter esta carteira. Pelo que entendi essa carteirinha da cobertura em toda Europa. Ela deve ser solicitada com pelo menos duas semanas de antecedência da viagem, e tem validade por um ano. Meu primo, que tem a carteirinha da Espanha mesmo teve consulta marcada, e para minha filha, que nao tinha uma carteira de saùde que fosse aceita là, sugeriram ir pra um hospital maior, o Saint Pau.

No meio do caminho minha prima ainda tentou outro hospital menor, mas falaram a mesma coisa: so seriamos atendidos no Saint Pau. Chegando no Saint Pau, que têm na urgência um guichê de atendimento internacional, minha prima explicou que moravamos na França, carteira, doença, etc, e logo o cara ja começou a falar em francês comigo, trouxe um formulario pra preencher e ja avisou que teriamos que pagar a conta, mas que seriamos reembolsados na França por nosso plano de saùde.

A fila de espera estava pequena, e minha filha foi logo (pré)atendida por uma jovem mulher de branco (nao sei se era médica ou enfermeira) pouco simpatica, que pediu para deixar nosso bebê apenas de fralda e alguém viria logo atendê-la. Depois de mais de uma hora de espera, chegou uma médica, bem mais legal que a primeira mulher. Ela diagnosticou uma otite na nossa filha, a medicou e receitou três medicamentos (Iboprufeno, Amoxicilina e um outro que nao lembro). Desde entao ela so tem melhorado e felizmente passa bem (tirando a catarreira de inverno).

Resumindo, o valor da conta: 205 euros, que tivemos que pagar là.
Chegando na farmàcia, em Barcelona ainda, o preço dos medicamentos nos surpreendeu: 2,95 euros. Pelo que entendemos, esse valor foi baixo por ter sido receitado pelo hospital publico. A verificar se o nosso entendimento foi correto.

Reembolso
Ao chegar em Grenoble, fui à MGEN, que é nosso plano de saùde que cuida da cobertura de base e mutuelle (o complemento). La me deram um formulario e me aconselharam a telefonar para o serviço de atendimento no exterior para esclarecer minhas dùvidas. Liguei e perguntei se os 205 euros seriam reembolsados 100%. Falaram que iam "estudar o dossiê" mas provavelmente seria reembolsado se apresentasse todos os documentos necessarios (recibo, boletos de viagem e formulario preenchido) visto que os gastos de urgência sao cobertos até mil euros.

Amanha devo ir na MGEN entregar tudo e em seguida aguardar o resultado da anàlise da papelada, que deve durar pelo menos de três semanas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cançoes infantis: medo e violência

Ja falei aqui de mùsicas infantis que "grudam" no cérebro. Como pais, eu e minha esposa temos que aprender novas musicas infantis assim como resgatar de nossa memòria mùsicas que aprendemos como criança, mas nem toda mùsica é necessariamente educativa.

Maltratando animais
Eu lembro que minha mae cantava duas cançoes francesas que ela tinha aprendido na escola: alouette e frère Jacques. Na época dela, as escolas brasileiras ensinavam como lìngua estrangeira o francês e o latim. Recentemente estava procurando no YouTube a primeira, alouette, que eu ja nao lembrava mais como era. A letra é violenta, apesar de ser uma cançao infantil com ritmo bem alegre. Fala de um passarinho e de arrancar penas de sua asa, das costas, da cabeça, o bico e nao sei o que mais. Essa é uma daquelas cançoes pra memorizar uma sequência de coisas e repeti-las, aumentando o conjunto de coisas a cada repetiçao dos versos da cançao. Nesse caso, sao as partes que serao depenadas. E no final, certamente o passarinho morre, mas ninguém fala disso.

Um dos links relacionados no YouTube leva para outra cançao, chamada Souris verte. Essa também maltrata animais. Fala de um ratinho verde, e de uns senhores que mandam mergulhar o rato no oleo e depois na àgua, para que depois o ratinho vire um caracol... O pobre do rato corre é o risco de morrer afogado, isso sim.

Cançoes infantis no Brasil
Eu jà tinha lido sobre isso uma vez no Brasil, numa reportagem que falava das cançoes infantis brasileiras que aterrorizam crianças. Cançoes tipo

"boi, boi, boi, boi da cara preta,
pega esse menino que tem medo de careta"

e também

"nana neném que a Cuca vem pegar" ajudam a criança a entrar em pânico ao invés de dormir. A idéia de ameaça é clara: dorme logo criança, senao o bicho vai te pegar!

E essa:
"Marcha soldado cabeça de papel,
se nao marchar direito vai preso no quartel"

Mensagem de puniçao. Faz o negòcio direito, senao vai preso.

"Atirei o pau no gato" ficaria popular se fosse traduzido para o francês, visto o gosto pela crueldade com animais nas duas cançoes francesas mencionadas anteriormente.

"Como pode o peixe vivo viver fora da àgua fria" darà idéias para crianças maltratarem peixes, igual a mim que matava betas asfixiadas tirando-as da agua. Tentava ver quanto tempo a pobre beta sobreviveria "fora da agua fria". Certamente influência desta infame cançao.

Além do medo e do maltrato a animais, algumas mùsicas estimulam a promiscuidade feminina desde criança como na que diz "sete e sete sao catorze, vezes sete vite e um, tenho sete namorados mas nao gosto de nenhum". Caramba! Sete namorados! Sem comentàrios.

Tem outra que, ao meu ver, é mensagem subliminar para estimular namoro escondido: "papagaio louro do bico dourado, leva essa cartinha pro meu namorado". Como assim levar cartinha? Porque a menina nao leva? Ta namorando escondido é?

Pois é, musicas bonitinhas com mensagens subliminares. Se alguém aì souber de alguma outra cançao infantil que pregue violência, medo ou qualquer outro efeito colateral nocivo, mencione-a nos comentarios. Quem sabe assim podemos catalogar essas cançoes "do mal" e criar versoes politicamente tais como "nao atire o pau no gato".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Papai e bebê

Desde que me tornei pai, venho me indignando com a imagem do mundo machista em que cuidar de bebê é tarefa da mãe. Dos olhares desconfiados (do tipo "ele vai mesmo ajudar?") das enfermeiras quando falavam pra gente dos cuidados com o bebê. Tudo que é produto para bebê explora essa imagem do bebê e da mãe. O motivador maior para esse post foi um presente que minha filha ganhou, com vários produtos da Natura da linha mamãe e bebê. Eu briquei, dizendo: nunca vi uma linha papai e bebê. Tudo bem vamos às justificativas da minha esposa: é com a mãe que acontece o primeiro olhar, é a mãe quem tem o vínculo físico dos 9 meses de gestação e que durante vários meses amamentam o bebê. Ok. E o pai que acorda de madrugada pra fazer o leitinho morno, que troca fralda, dá banho, coloca pra dormir, que assume o "fardo choroso" quando a mãe já não tem mais paciência ? Assim como eu tem vários!

Esforços paternos
Já caminhei horas e kilômetros num domingo de neve, praticamente sem transporte público e sem farmácia aberta, pra procurar supositório pro bebê com prisão de ventre (e que quando chega encontra uma fralda suja de cocô, inutilizando a expedição abaixo de 0°C). Depois disso toda cagadinha era uma festa. Hoje limpar fralda de cocô é um ritual :)
Cuidar do seu (pelo menos do meu é) bebê é um momento de prazer que muitos pais não fazem questão por pura preguiça ou às vezes por pensar que é incapaz ou não leva jeito. Eu não levo mas insisto em fazer. Com o tempo o cara aprende. Uma roupa sem combinar cor aqui, uma fralda folgada ali (atenção aos vazamentos pastosos!), um cabelo sem pentear acolá. É normal. Não temos babá e quando minha esposa quebrou o punho ficando impossibilitada de cuidar de nossa filhinha o impacto para mim foi quase indolor já que eu estava capacitado em praticamente todas as tarefas, exceto passar roupa que me trouxe grande sofrimento com direito a dor nas costas (entenderam o "quase indolor"?).

Razões socioeconomômicas?
Essa visão forte na América Latina, de que cuidar de bebê é coisa de mulher, tem fundo cultural no machismo mas também tem razões socioeconômicas. Por exemplo, em países de primeiro mundo onde os salários são altos e o custo de vida caro, ter babá em casa é coisa de rico e como pai e mãe trabalham é normal dividir as tarefas. É muito comum ver na rua pais passeando com seus bebês sem a mãe por perto.

Mudança
Pais covardes, não percam o prazer que é cuidar da sua cria! Mães centralizadoras, deem essa oportunidade aos seus companheiros. Mudemos esse conceito de que cuidar de filho é coisa de mulher. Equilibremos a balança desse esforço.
É chegado o tempo de eleição, e aproveito o espírito de campanha para convidar os papais que cuidam ou tem vontade de cuidar do seu bebê, a criar o movimento "papai e bebê". Muitos pais por aí já são desse time. No século XX as mulheres lutaram por igualdade de direitos, vamos ajudá-las a ter direitos iguais em relação a isso. Mas infelizmente uma coisa é certa e não tem como se igualar: pra dar de mamar, os pais precisarão do auxílio de uma mamadeira.



Post escrito com um agora estranho teclado qwerty ABNT.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

C'est un garçon ou une fille?

Caros leitores regulares e ocasionais. Sabiam que, diferente do Brasil, na França as orelhas das meninas nao sao furadas na maternidade?

Pois é...

Tem creche que, até com razao, pede pra tirar os brincos pra evitar acidentes tipo amiguinho(a) rasga a orelha da amiguinha. Talvez por isso, as meninas na França furam as orelhas com 3, 4, 5 anos de idade ou até mais.

Minha esposa ligou pra varios locais conseguiu achar uma joalheria que fura orelha de bebês, a partir dos 3 meses de idade. Nossa filha esta com 4, e hoje a levamos pra furar. 10 euros, brincos com metal cirurgico incluso, 5 minutinhos e orelha furada sem choros :)

Agora ninguém mais vai perguntar na rua "c'est un garçon ou une fille?" (é um menino ou uma menina?)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

França, país de velhos? Certamente não

Feriado de Pàscoa (na França é na segunda-feira mesmo) e mando um postzinho no meu espaço blogal parcialmente abandonado.
A primavera chegou aqui no hemisfério norte, mas apesar de ainda estar meio frio variando de 6°C a 15°C, vemos bem mais gente na rua. Horàrio de verao começou, o sol se pondo là pelas 20:00 e agora dà pra se ver como tem criança por aqui. Encontramos a criançada na rua brincando com frequência quando hà sol. No inverno a galera vai da escola pra casa e vice-versa. Criança brincando na rua basicamente sò quando neva :)
Agora famìlias inteiras saem pra passear pra aproveitar o sol, e começamos a nos deparar carrinhos e mais carrinhos de bebê. Mães com dois filhos, e às vezes três, são comum de se ver na rua.

Alta fertilidade
Mas como tanta criança se a França é um paìs de velhos? Provavelmente em algum lugar do passado recente no século XX isso tenha sido verdade. Esse foi mais um "preconceito" que eu tinha sobre a França e derrubei-o morando aqui e conhecendo de perto. Hoje em dia a França orgulhosamente é o paìs com maior taxa de fecundidade da união européia, com quase 2 crianças por mulher, segundo o world fact book da CIA. Pra ter idéia, a França ocupa a posiçao 133 e o Brasil està na 118 com 2,21 filhos por mulher.

Procuram-se contribuintes
Um paìs com muitos velhos tem dificuldades de pagar a aposentadoria deles. O tanto de dinheiro de previdencia que se recolhe por mês nao é suficiente para pagar o salario dos aposentados.
Uma opçao de resoluçao do problema: criar mais contribuintes. Criar do zero. Fabricar gente. Com mais gente o paìs progride, gera mais empregos, mais gente pra desenvolver a naçao, etc. Mas como criar filhos se o custo de vida na Europa é carìssimo? Jà ouviram falar do mito de que "europeus preferem criar animais à filhos"? Com certeza deve ser pelo custo.
Opçao de resoluçao do problema: vamos dar dinheiro para quem tiver filhos.

"Bolsa famìlia"
Aqui na França existem vàrios programas de distribuiçao de renda (ou "distribuiçao de riquezas" se preferir). Tem um orgao que cuida disso, chamado CAF, que falei em um antigo post. Nao se enganem achando que o Brasil anda inventando novos conceitos com bolsa famìlia. Isso tem aqui hà muitos anos. Aproveitando o ensejo, um pequeno parêntese: o SAMU também é coisa da França, que Joao Paulo quando prefeito de Recife provavelmente copiou em alguma de suas visitas ao seu filho homônimo que mora em Paris, e terminou sendo uma iniciativa (re)copiada por vàrias cidades brasileiras.

Bem, voltando à distribuiçao de renda, todo casal tem direito à algo tipo "bolsa enxoval", pra ajudar nas despesas de berço, carrinho de bebê, etc. Além disso, tem uma ajuda mensal por criança, até que ela complete três anos, suficiente pra comprar leite, fraldas e algumas besteirinhas. Mas, a ajuda é inversamente proporcional à renda do casal: os que ganham mais recebem menos ajuda. Quanto à medicamentos, saem praticamente gràtis, igual como funciona pra adultos dentro do esquema de saùde daqui em que o plano de saùde paga pelos medicamentos com prescriçao médica.

Licenças remuneradas
As mamaes tem, se nao me engano, 6 meses de licença maternidade. No caso de ter o terceiro filho, fica 1 ano sem trabalhar, mas recebendo integral e com garantia de que voltarà a ocupar um cargo equivalente quando reiniciar as atividades depois da licença (evitando aquela historia do empregador escantear a recém mae até que ela peça demissao de tanta insatisfaçao). Favor "googlarem" para encontrar dados mais precisos sobre os perìodos.

Um colega meu me falou que os pais de famìlias numerosas tem prioridade em concursos pùblicos e citou o orientador dele que tem 5 filhos, e a esposa também é professora de universidade.

Direitos iguais para imigrantes
As ajudas financeiras citadas acima sao para todos os que estejam em situaçao regular aqui na França. Muitos imigrantes de paìses menos favorecidos, em sua maioria da Africa, usufruem bastante destes direito. Vi na TV um caso bem cara de Brasil: um cara do Mali tinha uma penca de filhos com uma mulher do Mali, mas aqui na França. So que ele vivia no Mali com outra usando o dinheiro da CAF que deveria ser para seus filhos. O Euro là deve valer muito, ou entao o cara deve ter uns 8 filhos pois o valor maximo da ajuda por criança é de 177 euros.

E pra cuidar das crianças?
Acho essa cuidar dos filhos é a parte mais complicada do ponto de vista paterno. O governo estimula ajudando financeiramente, mas os pais tem que fazer sua parte. Contratar babà é pra quem pode. Em paìses de primeiro mundo salàrios sao mais equilibrados. Um pedreiro podé até conseguir ganhar igual a um engenheiro, padeiro (o dono da padaria nao, falo que cozinha o pao mesmo) é profissao respeitada e faxineira chega no serviço dirigindo seu carrinho. Em terra onde salàrio mìnimo é de 1000 euros mensais, jà viu né?
Apesar disso tem um bocado de creches, de vàrios tipos: da prefeitura, da CAF, comunitàrias, particulares, etc. Um dia explico num post. Em quase todas, pelo menos em Grenoble, pode-se ter subsidio da CAF. Resta arrumar vaga pra nosso bebê, pois nao hà creches suficientes. Estamos na fila de espera que serà de no mìnimo 6 meses.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Perseguiçao mental

Ter filhos muda alguns detalhes da vida. Um deles é o repertòrio de mùsicas. Minha esposa està se tornando uma verdadeira DJ infantil e solta um bocado de mùsica pra entreter nossa filhinha. As vezes a repetiçao de uma mùsica é fatal, pois os refroes jà sao altamente repetitivos. O problema é que as frases repetitivas grudam no cérebro. Algumas me perseguem. Quando tento relaxar mentalmente, uma musiquinha infantil invade minha cabeça.

Um maldito macaquinho me assombrou antes de ontem. Vàrios momentos do dia, eu parava de pensar em algo e vinha de repente, em background, o macaquinho bate bate o seu coquinho. Fui dormir, encostei a cabeça no travesseiro e o macaquinho batia seu coquinho. Acordei de madrugada umas duas vezes pra ajudar minha esposa com o bebê, e o danado do macaquinho começava a bater o coquinho. Eu tive que apelar para a esquizofrenia e falar "và embora macaco", pra ver se a danada da mùsica parava de cantarolar espontaneamente na minha cabeça. Nao funcionou.

Por enquanto a musiquinha do macaco finalmente parou, mas em breve chega outra pra me perturbar.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Registrando filho(a) conforme tradiçao brasileira


Vivendo no exterior você deve de maneira geral estar de acordo às leis e costumes do paìs onde vive. Na França, a tradiçao daqui diz que o sobrenome do filho segue a fòrmula:

NOME SOBRENOME_PATERNO (ex: Pierre Dupont)

ou

NOME SOBRENOME_PATERNO-SOBRENOME_MATERNO (ex: Pierre Dupont-Dubois) que às vezes utilizam no caso de pais nao casados legalmente.

Entretanto no Brasil, a "formula" é:

NOME SOBRENOME_MATERNO SOBRENOME_PATERNO, prevalecendo os sobrenomes dos avôs, e o da vovozinha desaparece.

Dino, filho de Joao dos Santos Sauro e Maria Oliveira da Silva, chamaria-se Dino da Silva Sauro. Entretanto, na França seria Dino dos Santos Sauro.

O que fazer entao pra na França ficar da maneira que é no Brasil?

Certificado de Costume
Para registrarmos a nossa filha dentro das normas brasileiras, a prefeitura de Saint Martin d'Hères (cidade onde nasceu nossa filha) pede um certificado de costume (certificat de coutume) emitido pelo consulado do paìs dos pais, que resuma a lei ou a tradiçao do paìs para justificar o registro de sobrenome fora da norma francesa. Nao sei como funciona em cidades maiores como Paris ou Lyon, onde o nascimento de filhos de brasileiros deve ser mais frequente.

Graças a um casal de latinos que tiveram bebê em outubro, ficamos sabendo com antedência sobre esta necessidade e pudemos pedir o documento a tempo.

Efetuando o pedido
Segundo o Consulado Geral do Brasil em Paris, o pedido deve ser feito com um mês de antecedência da data prevista do nascimento. Sao duas etapas para o registro:

1 - Certificado de costume: Enviar um pedido escrito, onde conste o seu nome completo e o de sua esposa, copia de documento(s) (ex: certidao de casamento) e o nome que deseja dar para a criança, acompanhado de um envelope selado e auto-enderaçado.

2 - Registro consular: A nacionalidade brasileira é garantida mediante o registro consular, como consta da página consular, info consulares, item registro de nascimento. Se você nao estiver em Paris, tem que ir até là pra efetuar o processo até três meses depois do nascimento do bebê. Devo colocar um post sobre esta etapa depois.

Caso nao encontrem informaçoes no site do consulado, nao hesite em contactar as autoridades consulares brasileiras de onde estiver, seja na França ou qualquer outro lugar, pois é o dever deles nos auxiliar. Pelo menos até agora, o consulado em Paris foi eficiente nas duas vezes que precisei acionà-los. Espero que o registro de nossa filha também seja tranquilo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Trocando fraldas


Chegou a hora de conciliar o doutorado com a troca de fraldas.
Bela coincidência com a tirinha do PhD comics que saiu no dia seguinte ao nascimento de minha filha.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

100% Brazuca Made in France

Provavelmente um girinozinho parecido com esse da foto està no ventre de minha esposa.
Completei 30 anos em Abril e falei pra ela que estava pronto pra ser pai. Não adiantava ficar dizendo "depois de X" ou "quando conseguir Y". Se o casal se ama, tà tudo indo bem e existe a vontade de ter um bebê, por que não? Dà-se um jeito. Essa é minha opinião. Ela ainda não sabia se era o momento.

Dois casos de tese com filho me estimularam: um recente doutorando de meu orientador teve dois filhos, e um outro colega do mesmo lab que teve um. Esse ùltimo eu sei que a esposa ainda continuou trabalhando. As famìlias dos dois moram em cidades distantes (as nossas moram um "pouquinho" mais distante). Porque eu e Lila não conseguirìamos?

Chegou mais ràpido do que pensàvamos. Depois dos sintomas da gravidez, nesta ùltima terça saiu o resultado positivo da taxa de HCG. Tarde demais pra mamãe pensar no momento certo, pois ele chegou :)
No fundo tenho muito medo pois dizem que nos três primeiros meses de gravidez concentram-se os maiores riscos. Vamos fazer tudo direitinho pra que corra tudo bem.

Com um filho certamente minhas perspectivas mudarão e a tendência nomàdica tende a diminuir. O nìvel de abestalhamento aumentarà com a função paterna, e acho que o mundo ficarà mais colorido...