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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Headhunters e outra laranja azeda

A Orange é uma empresa de origem britânica que foi comprada no ano 2000 pela France Télécom (FT), uma estatal francesa que ha alguns anos tornou-se economia mista, tendo capital aberto mas com o governo frnacês sendo um dos maiores acionistas. Pequeno parentêses: a FT é aquela empresa que de vez em quando aparece noticia falando da onda de suicidios devido a supressao de empregos supostamente estaveis.

Voltando à laranja, ela é uma marca presente em quase toda a Europa e em expansao na Africa. Apesar da giganteza da FT (empresa ocupando a posiçao 105 no ranking mundial, segundo o Wikipedia), imagino que a marca France Telecom deixara de existir em breve e dara lugar à Orange, tipo a Oi substitui a marca Telemar. Hoje em dia, na França, a Orange é fornecedora de telefonia movel, Internet, VoIP e TV por assinatura, com milhoes de usuarios, além de prestaçao de serviços de consultoria em Informatica. Os laboratorios de pesquisa FT foram rebatizados ha alguns anos e chamam-se Orange Labs (mais um sinal da mudança gradativa para o nome Orange). Sao 18 laboratorios de pesquisa no mundo todo, 8 deles na França, sendo um em Grenoble.

Laranja 1
A Orange é aquela empresa com nome de fruta que falei aqui, sobre o pos-doutorado fechado que declinei. Como parte do processo informal do convite, eu ainda fui no fim de abril apresentar minha pesquisa la. O que fiz no mestrado e continuei no doutorado. Era semana de férias la e ainda assim foi bastante gente assisitir. Depois da minha apresentaçao de 1h15 ainda teve bastante discussao e otimas criticas e sugestoes que me ajudaram na escrita da tese. Ao final, serviu como uma pré-defesa, mas o pos-doc ja estava azedo desde janeiro/fevereiro.

Laranja 2
Coincidentemente, eu estava de passagem no laboratorio hoje e recebi uma ligaçao de uma pessoa da Orange Labs dizendo que viu no calendario de defesas de tese da universidade de Grenoble que eu estava com minha defesa agendada. Ele falou que o meu perfil se encaixava para trabalhar num projeto de pos-doc de um ano para o desenvolvimento de middleware para a Livebox, um modem multifunçao usado para TV, Internet e VoIP (nosso segundo serviço de Internet, descrito neste post) e creio que o produto que é o principal alvo dos projetos de pesquisa, inclusive o da laranja azeda numero 1.

Como o cidadao estava procurando alguém para esta vaga, ele perguntou se eu estava interessado na oferta e se poderia me enviar detalhes. Expliquei que eu estaria sim, mas por uma decisao familiar eu volto para o Brasil apos a defesa da tese. Azedou de novo a laranja. Perguntei até se ele conhecia André, o contato da laranja 1, e ele disse que sim mas que eram de equipes e projetos diferentes. Passei o contato de três outros colegas que seriam potenciais candidatos. Ou é coisa de "destino" querendo que eu fique na laranja, ou realmente é uma mega empresa com um gigante braço de pesquisa com varias oportunidades. Considerando o principio da navalha de Ockham, eu ficaria com a segunda explicaçao.

Headhunters e a Internet
Informaçoes publicadas na Internet ajudam muito a expor o profissional. Graças ao meu perfil no LinkedIn, fui contactado em diferentes momentos por três headhunters oferecendo oportunidades na Irlanda, India e França, respectivamente. A oportunidade da Irlanda era muito tentadora, com uma oportunidade bem no meu perfil e para trabalhar com OSGi (a implementaçao feita na minha tese se apoia nesse "bagulho").

Minha pagina pessoal também serviu para me contactarem. Uma empresa italiana propôs dar um treinamento de MS-Office em Angola, alegando que o fato de eu falar português e estar baseado na Europa me qualificaria. Nao sei de onde vieram com a parte do Office... Tem um caso meio viajado de um(a) chinês(a) que me viu o site pessoal e me contactou pelo LinkedIn também, enviou um email mal escrito em inglês dizendo que gostaria de fazer pos-doc na minha equipe e perguntou se eu poderia dar-lhe uma oportunidade. O inglês da pessoa ta ruim ou ela tem disturbio de atençao, pois se lesse o texto do site e do LinkedIn veria que sou PhD student.

Eu nao tinha duvidas que a Internet é uma otima vitrine profissional, e depois destes contatos aleatorios pude ver que realmente tem gente por aih "caçando cabeças" baseando-se em informaçoes encontradas na rede.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O Google me domina!

Num processo natural de ser (opcionalmente) engolido pelo Google+, andei fugindo da escrita datese e adicionando pessoas nos meus circulos do Google+ e fuçando um pouco pra ver o que é, etc.
Meu perfil ja estava montado. Fiquei surpreso que o Google foi catando informaçao de pouquinho e pouquinho e ja tava tudo ali. Ou foi uma mega estratégia, ou eles penetraram tanto em nossas vidas online que nao percebemos. Ja sou usuario dependente Google. E faz tempo.
Tentei listar tudo. TUDO mesmo de ferramenta que uso ou usei do Google. Fiquei surpreso pela minha dependência.
Tentei twittar a lista, mas NAO COUBE num tweet so! Precisei de três tuitadas.
Aqui vai, mais ou menos organizado em "ordem de dependência":
  1. Google search (O famoso www.google.com)
  2. Chrome (de onde estou escrevendo este post)
  3. Gmail
  4. Gtalk (commodity do Gmail)
  5. Scholar (scholar.google.com)
  6. Youtube (usava antes de ser comprado pelo Google, mas agora "ta no bolo")
  7. Google video (raramente, mas sou usuario)
  8. Documents
  9. Calendar
  10. Books (onde consigo ler pedaços de varios livros)
  11. Reader (cômodo, pois é online. Antigamente eu usava agregadores de RSS no desktop)
  12. Buzz
  13. Blogger (esse ta implicito aqui, né?)
  14. Analytics
  15. Maps
  16. Alerts
  17. Translate
  18. Sites (usei pra colocar moveis à venda quando partimos de Manaus)
  19. Adsense (tenho a "fortuna" de 9,18 euros. So receberei o cheque quando completar 50 euros, daqui a uns 20 anos)
  20. Orkut (perfil prestes a ser deletado)
  21. Earth (quando lançou e era "hype")
  22. Desktop (num passado distante)
  23. Picasa
  24. News
  25. GWT (Google Web Toolkit)
  26. Code (hospedei uma ferramenta sebosa, mas util, que escrevi no meu mestrado pra me ajudar com testes no OSGi)
  27. iGoogle
  28. Groups
  29. Trends
  30. E agora esse tal de Google+
Olha que eu nao fuço o Google labs, que é cheio de projeto legal.
E você, qual seu nivel de dependência Google?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Escolhas

Eu digo que é sempre bom ter-se uma opçao apenas. Porque quando temos mais de uma começa a ficar dificil tomar decisoes. Especialmente quando se esta inseguro. Ja falei aqui que voltaremos para o Brasil apos minha defesa do doutorado. No post anterior falei que o pedido de cidadania francesa furou. Hoje foi a vez de eu declinar um convite de pos-doc. Apenas a carater informativo: pos-doutorado nao é titulo. O grau acadêmico maximo é o doutorado. Logo, esta meio furada a afirmaçao "fulano(a) é pos-doutor(a)". Pos-doc refere-se ao periodo (geralmente entre 1 e 3 anos) passado por um doutor em uma instituiçao de pesquisa (universidade, instituto, departamento de P&D de empresa, etc). Tem doutor que fica pulando de galho em galho fazendo pos-doc por muitos e muitos anos, mas o normal é ficar um ano em um pos-doc e em seguida arrumar algo mais duradouro. Professores doutores também fazem pos-doc (utilizava-se o termo periodo sabatico), servindo pra dar uma atualizada ou aprofundada em alguma area do conhecimento.

Non, merci
Normalmente um doutorando (ou mesmo um recém doutor) rala pra encontrar pos-doc legal. Esse que declinei caiu no colo. Meu orientador falou pra um arquiteto de software do departamento de P&D de uma grande empresa de telecomunicaçoes européia (aquela com nome de fruta) que eu estava acabando a tese e buscava um pos-doc. Ele conhece a tematica com que trabalho, que tem a ver com os projetos do departamento dele. Recebi o convite para continuar com eles na mesma linha de pesquisa de minha tese. Um framework (para os leigos: digamos que seja um software que serve de infraestrutura para fazer outros softwares) deles entrarà em fase de industrializaçao, e eu iria aplicar neste projeto tecnicas que usei na minha pesquisa do doutorado. O projeto pronto potencialmente poderia entrar nos produtos dele a médio prazo, que em alguns anos significaria milhoes de usuarios. Claro que produtos de pesquisa tem sempre grande potencial de serem engavetados e nunca chegar perto do mercado. A possibilidade de milhoes de usuarios é altamente motivadora. Fora o desafio, a grana ia aumentar pelo menos uns 50% em relaçao ao que ganho hoje, que ja nao é ruim pro padrao francês mas também nao é boa, ainda mais para uma familia de 3. Se tivesse abertura pra negociaçao eu até choraria pra ganhar mais. Soube que eles tem varios beneficios, inclusive passagens aéreas baratas.

Mas ja é passado. Tive que declinar, pois entra o lado familiar visto que a nossa decisao é retornar para Pindorama. Minha esposa esta vivendo quase 4 anos aqui na França sem nunca querer ter saido do Brasil. O estranho é que ela gosta daqui, mas nao gosta do fato de estar aqui. Acho que foram os anos mais dificeis da minha vida (e da dela imagino que também). A infelicidade dela era diariamente aparente, com breves momentos de alegria. Depois que ficou decidida a volta, o bom humor dela ficou mais frequente, e o brilho nos olhos dela parece até que aumentou. Uma pena que eu e nossa filha nao sejamos suficientes pra felicidade dela. Pra mim o trio ta otimo. Mas, cada um é cada um.

Valorizaçao dos trabalhos de tese
Ainda nao defendi a tese, mas fico motivado pelo que faço ter uso no mercado. Em uma apresentaçao nao tanto acadêmica que fiz em 2009, uma pessoa se interessou pelas técnicas que proponho. Fiquei desconfiado se o cara realmente tava interessado. Achei que ele estava louco em pensar que o que eu fazia era interessante. Hoje ele aplica essas técnicas no produto em desenvolvimento na empresa start-up que ele criou, e atualmente eu e meu orientador damos consultoria pra esta empresa através de um contrato formal com nosso laboratorio.

Voltando para o Brasil provavelmente terei que fazer outra coisa. Minha pesquisa atual nao tem espaço no mercado brasileiro, que normalmente usa tecnologia pronta ao invés de desenvolver. A interaçao universidade-mercado na França nao é tao forte como nos EUA, mas é bem mais avançada que no Brasil. Por incrivel que pareça, a impressao que tenho da academia brasileira é que predominam abordagens cientificas e formais, enquanto na França (e na Europa em geral) vejo tanto isso quanto pesquisas aplicadas diretamente no mercado.

Sem precisar fazer lobby nem correr atras de nada, a tal "valorizacao dos trabalhos de tese" (um termo que usam aqui na França) aconteceu meio que naturalmente. Muita gente trabalha em pesquisa de doutorado durante 3, 4 anos, defende, engaveta a tese e nunca mais se fala naquilo. Antes mesmo de terminar a minha ja pude fazer reais contribuiçoes. Tenho (ou tinha) um grande complexo de inferioridade por ser aluno de universidade privada tentando se meter em meio acadêmico. O fato de vir a um pais de primeiro mundo, poder dizer "olha, vocês poderiam fazer isso assim" e te darem ouvidos me deixou bastante satisfeito. Essas pequenas vitorias me ajudaram a superar esse trauma e melhorar minha autoestima.

What if
Mas, em nome da familia, agora é hora de eu abrir mao de algo. O processo de auto sugestao hipnotica alienante power plus plus de me convencer para a volta esta tranquilo. Eu acho (percebam como estou decidido). Estou convencido de que quero voltar agora. Claro que sim! o boom economico do Brasil, os concursos, investimentos no Nordeste, o legado de Lula. Eh agora ou nunca! * pausa* Cada vez mais acho que este post é parte do trabalho de autoconvencimento, autoconformaçao, autoetc para "eu mesmo me auto justificar para mim". Bom, se eu nao voltar fico sem familia pois minhas meninas voltariam sem mim. Se é pra voltar, tenho que querer, ou ao menos me convencer que agora é a boa hora. *fim pausa* Mas, o plano atual de retornar e prestar concurso de professor adjunto em federal vai ter que esperar devido a noticia que vi hoje dos cortes que o governo fez no orçamento de 2011 (preciso tirar os concursos da lista acima). Coincidência bizarra de acontecer isso no dia que eu recuso um pos-doc legal. Sem previsao para concursos, é hora de traçar o plano D e talvez buscar emprego de novo no mercado brazuca, rasgando o diploma de doutorado que ainda nem tenho pois doutorado nao serve de nada nesse mercado de onde vim.

Entretanto, ficara pra sempre a duvida do "e se eu ficasse um pouquinho mais de tempo na França, até onde iria tudo isso?" (isso me lembra o what if das historinhas da Marvel). Afinal, nao tenho vinculo com Capes nem CNPq que me obrigue a voltar. Um aninho a mais, daria tempo pra tirar cidadania, juntar mais uns eurinhos pra voltar e quem sabe dar mais umas turistadas pelas redondezas. O problema também é que ficando, no futuro surgirà o "e se tivessemos voltado logo apos o fim do doutorado?".

terça-feira, 28 de abril de 2009

Gripe suína e google trends

O negòcio é sério. Literalmente é melhor prevenir do que remediar.
Acabo de ler um email enviado pela presidência da universidade, pedindo enfaticamente à todos aqueles que tiverem alguma viagem para o México, que a prorroguem ou a cancelem.

As prevenções podem gerar excessos ou pânico: Hoje fiquei sabendo que a filha de uma colega mexicana foi enviada de volta pra casa, por ordem da direção do colégio. A menina estava com tosse, e por ser mexicana, a escola "panicou". A ùltima vez que ela havia estado no México foi hà quase um ano, mas teve contato com alguém que esteve no México hà pouco mais de dois meses.

Desde que o alarme aumentou nesta ùltima semana, jà fiz vàrias pesquisas sobre gripe suina/swine flu/grippe porcine pra tentar me informar melhor. "Caiu a ficha" que milhões de pessoas no mundo estão fazendo o mesmo.
Fui até o Google trends, para ver as tendências das pesquisas sobre isso em vàrios idiomas, e o salto na quantidade de buscas é impressionante (ou talvez previsìvel).









Gripe suína (português)



Swine flu (inglês)


Grippe porcine (francês)


Gripe porcina(espanhol)


Influenza suina(italiano)




Schweinegrippe (alemão)



Casos mapeados no globo, e atualizados constantemente:

View H1N1 Swine Flu in a larger map

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Apresentando a RFID para o pùblico

Neste domingo eu e um colega mexicano ajudamos o nosso orientador numa apresentação especial para uma exposição sobre a història da informàtica, que està acontecendo de 24/10 à 04/01 na Bastilha de Grenoble. O teleférico pra ir até là foi gràtis :)

Falamos sobre os projetos de nossa equipe utilizando etiquetas RFID (Identificação por Ràdio Frequência). O desafio foi tentar explicar tudo usando uma linguagem acessìvel ao pùblico ao mesmo tempo em que explicamos o que eram etiquetas RFID. Foi uma experiência interessante e pela qual nunca achei que passaria, especialmente na França. Apresentamos algumas demos, mas a vedette foi a demo que usa o Nabaztag, o coelho inteligente (e que também lê etiquetas RFID), que chamou atenção de adultos e crianças. Houve uma senhora que fez uma inferência que a levou a fazer uma pergunta interessante: "Nossa, então esse coelho é um computador. Mas onde està o monitor dele?"

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Pseudo Off-Shore": Qual a fronteira do home-office?

Primeiro, os jargões para os desavisados:
Off-shore
Home-office (foi o melhor que achei no momento...)

Agora, o post propriamente dito:
Hà algumas semanas contactei alguns amigos que trabalham em uma empresa que ocasionalmente terceiriza
para pessoas fìsicas o trabalho de desenvolvimento de software, usando o formato de home-office. Dois amigos meus jà haviam feito trabalho para eles, sem maiores problemas. Assinam um contrato, fazem o serviço e trafegam os arquivos via VPN pela Internet. O recibo é através de uma nota avulsa pela prefeitura.

Ok. Otimo. Dá pra fazer.

Estou na França, mas tenho conta no Brasil, procurador, residência fixa (visto que o estatuto de estudante sob o qual vivo aqui implica em residência temporària). Minha ùnica dùvida que deixei clara para o pessoal era se eu conseguiria emitir nota por procuração. Semana passada liguei para um posto de serviços da prefeitura de Recife (Expresso cidadão) e me informaram que o procurador poderia emitir, sim, o recibo.

Ok. Otimo. Dá mesmo. Acho que vai ser mais fácil do que pensei.

Avisei semana passada ao pessoal de là que o recibo é tranquilo e podemos dar inìcio à formulação do contrato de serviço temporàrio.

Ontem fui informado que o setor jurìdico da empresa não aceitou alegando que teriam dificuldades com o Ministério do Trabalho visto que o prestador de serviços reside no exterior. Entendo (lembrei de Pelé, entende?).

Fica a minha pergunta: onde està a fronteira do home-office versus offshore. O offshore é caracterizado pela terceirização formal de serviços para uma empresa de outro paìs, geralmente com mão-de-obra mais barata. Um terceirização pela qual o Brasil luta pra abocanhar uma fatia maior do bolo global.

Sou pessoa fìsica com residência fixa no Brasil (não sou legalizado na França, apenas estou legalizado), conta bancària no Brasil, procurador pra emitir a nota que pediram, mas fui provavelmente enquadrado como off-shore pela alegação do jurìdico.

Não fiquei chateado com eles, mas fiquei tentando entender ou interpretar de vàrias formas a situação:

Suposição 1:
E se eu tivesse assinado um contrato antes de viajar e começasse o serviço daqui? Seria um caso de “pseudo off-shore”? O dinheiro continuaria entrando em uma conta brasileira e o trabalho transparentemente trafegando via Internet.

Suposição 2 (um pouco "workaholic"):
Se eu quisesse viajar de férias pra outro paìs e passar 15 dias passeando, mas conseguindo trabalhar as 5 horas diàrias (ou dependendo do fuso, “noturnas”) do contrato? Seria “pseudo off-shore” também?

Suposição 3:
Se eu nunca dissesse que estou na França, passasse meu endereço de Recife, minha familia faria o “proxy” enviando o contrato pra cà, eu assinava aqui, mandava pra meu endereço e redirecionariam pra empresa. Eu faria o serviço, o dinheiro entraria na minha conta do Brasil e o recibo seria enviado. Algum sinal de pseudo off-shore aì ? Sò se o meu endereço IP quando eu me conectasse na VPN...

Talvez a suposição 3, baseada na omissão de fatos resolvesse o problema ;)

Não entendo muito de legislações, mas imagino que um bom interpretador de texto que sabe persuadir faz màgica interpretando leis. Termino esta història cheio de dùvidas...

Estamos de fato perante uma situação de off-shore? Quais as fronteiras legais, geogràficas e virtuais em um caso como este? Bom virtual eu acho que nenhuma, pois a Internet permite-nos trabalhar de onde for, mas quanto às duas primeiras, não saberei responder com precisão.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Mais vagas de emprego de TI na França

Mais oferta de emprego de TI na França.

Desta vez a Astek Rhône-Alpes convidando candidatos para um cocktail noturno no Hotel Mercury de Grenoble.

Não revelaram a quantidade de vagas abertas, mas como a astek possui em torno de 3000 colaboradores, e tirando a média (vagas/total de empregados) baseada no post anterior, acho que a oferta deve ser também na casa dos 90 postos de trabalho.

O anùncio fala de:

  • Desenvolvimento de aplicativos em Java, .NET, Open Source
  • Informàtica industrial (embarcada, tempo real, testes)
  • Business Intelligence

sábado, 24 de maio de 2008

90 vagas de empregos de TI em Lyon


Chegando ao fim do ano letivo 2007/08, as empresas de TI continuam pondo em pràtica suas estratégias de headhunting para contratar jovens talentos recém-saìdos da universidade.

Em outro post falei das empresas de Grenoble. Desta vez, a unidade de Lyon (100 km de Grenoble) da Teamlog, empresa com faturamento de 162 milhões de em serviços no ano de 2007 e que possui mais de 2000 empregados, farà um evento de um dia de "portas abertas" para que os candidatos possam conhecer a infra-estrutura da empresa, seu futuro gerente, projetos, etc. Ainda tem um "prêmio para o CV mais original" ... (!!!)

Eles destacam vagas para:
  • Eng. SW Java J2EE (porque ninguém quer usar o termo JEE???)
  • Eng. SW .Net
  • Eng. SW de ambientes industriais ( C, C++, ou .net)
  • Eng. de Produção/Exploração (imagino que sejam "administradores") Unix ou MVs
  • Gerentes de Projeto de TI em novas tecnologias ou telecomunicações
  • Administradores de sistemas e de redes
Aqui na França tem gente reclamando de desemprego em diversas àreas, mas ainda estou vendo o contràrio na àrea de TI, como falei antes.

sábado, 17 de maio de 2008

Minha pesquisa dando suas colaborações

Estou escrevendo minha dissertação e como parte da pesquisa desenvolvi uma ferramenta de diagnostico voltada para um problema da plataforma OSGi. Eu e meu orientador submetemos uma apresentação para um evento oficial da comunidade OSGi, organizado pelo proprio comitê que padroniza esta tecnologia.

A programação tem uma sessão (Runtime Diagnosis of Stale References in the OSGi Services Platform), que apresenta a ferramenta que desenvolvi. Como sou estagiàrio (mais uma vez na minha vida) do laboratorio, nao tenho direito a ser bancado pra ir. Então vai meu orientador apresentar. Sacanagem que meu nome nem aparece là :,(

Em setembro apresentarei a ferramenta em uma conferência acadêmica na Itàlia. Esta tem mais valor acadêmico, mas a anterior tem mais valor "comercial" vista a natureza do evento. Vou perder de fazer bons contatos là.

Fico contente pelos ràpidos resultados obtidos. Espero que seja apenas o começo :)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Silicon Valley francês recrutando mão de obra


Os brasileiros não escutam muito falar em Grenoble como se fala de Paris, Lyon, Nice, Lille, etc...
Entretanto este é um grande pólo tecnológico da França. Grenoble, o "Silicon Valley da França", esta carecendo de mão de obra e está indo longe buscar gente pra trabalhar: organizou um evento no Stade de France, com data de 7 de Junho pra recrutar pessoas para a indùstria de Software. São mais de 500 vagas que precisam ser preenchidas. Recrutamento em estádio! Eu nunca vi nada igual. Parece exército pedindo alistamento pra voluntários irem pra guerra.

Empresas como HP, Sun Microsystems, Orange, Bull e outras tem grande foco de atividade aqui.

Fico impressionado, cada vez mais, com a carência de profissionais na indùstria de Software em todo o mundo. Até no Brasil temos este tipo de problema. Um busca rapida no google mostra vários artigos mencionando este problema.

Com tanta oferta no mercado, é natural uma migração dos mais ousados. Muitos chamam de evasão de cérebros. Recife sofre um pouco deste mal. A cidade é referência como pólo tecnologico, mas os salarios de la sao bem "controlados". Pra que esta disposto a sair da zona de conforto dos amigos, familia, cultura, etc, tem salarios bem mais interessantes na Grande São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Manaus, etc.

Outros países sofrem deste mal também. França e Alemanha, por exemplo, oficializaram que preferem que os alunos (estrangeiros ou não) de cursos de tecnologia permaneçam no país apos concluírem os seus cursos.

O Brasil ja é uma mega-potência agrícola e temos evoluido na area tecnologica. Mas países que investem tanto em educação estão tendo crescimento tecnologico reprimido, nos que temos ensino publico deficiente não daremos conta. O sonho de tornar o Brasil um nicho de off-shore como a India parece muito distante ainda.

Um pais onde o ensino publico de base é para pobre e o ensino publico superior (com vagas restritas) é para ricos ta complicado. A regra geral (eu sei que ha exceções) é estudar o ensino médio em escolas particulares e se preparar pra o vestibular pra entrar em Federal pois a qualidade de ensino é melhor (também sei que tem exceções) e o precinho uma beleza.

A elite brasileira é pequena, e o ensino publico superior é elitizado. Logo, pouca qualificação é gerada com dinheiro publico. Podemos contar com FIES* como verba publica, mas isso é financiamento e não bolsa. O estudante tem que pagar de volta quando se forma.
A gente esta se tornando celeiro mundial e essa grana toda que entra tem que ser revertida pra preparar o país pra o futuro. Li outro dia que vai faltar tanta mão de obra qualificada no Brasil que vai ser a coisa mais natural ter empresa bancando ensino médio, cursos técnicos e ensino superior pra poder ter gente capacitada, por que o governo não ta dando conta. Vi essa reportagem em que gente da engenharia civil reclama, entre outras coisas, da falta de mão de obra qualificada.

Tenho direito à ensino de base em escola publica, mas estudei em escola privada.
Tenho direito à universidades publicas, mas não consegui passar nelas. Passei em faculdade privada e me formei la (mais comentarios sobre isto noutro post).
Minha especialização foi paga por uma empresa privada, apesar de ter sido em universidade publica.
Agora estou fazendo mestrado na França com os estudos pagos pelo governo francês, com menos burocracia do que achei que tivesse. Tive que vir tão longe pra estudar de graça. Certamente mais fácil entrar num mestrado de uma boa universidade daqui do que em qualquer programa de mestrado de boas federais brasileiras.

Aqui vos escreve um cérebro que saiu de Recife pra Manaus pra trabalhar e de Manaus para a França pra estudar. Com certeza volto um dia, ainda não sei quando, mas volto :)

*(in)Felizmente não desfrutei do FIES. Minha mãe que era professora de escola publica (e conhecia de perto a qualidade) pagou metade inicial da minha faculdade e eu me ralei em estagio e emprego pra pagar os ultimos 3 anos de curso...