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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Intercâmbio no Brasil

Quem quer ir fazer um intercâmbio no Brasil ?

Esta é a pergunta que sera feita dia 15 aqui na Ensimag, escola de engenheiros em Informatica de Grenoble que tem programa de intercâmbio com diversas instituiçoes no mundo, inclusive o Brasil. O convênio é com a UFRGS, uma as melhores na area de computaçao do paìs  O objetivo do journée Brésil é mostrar o valor desta experiência para os potenciais candidato, rapidas informaçoes sobre o Brasil, o idioma, as possibilidades, financiamentos, etc. Assisti ha uns dois anos, a titulo de curiosidade, e o professor que fala do Brasil é um francês  professor da UFRGS. Se eu nao estiver enganado, ja ouvi falar de dois franceses de la no departamento de Computaçao. Nao sei se ha mais. Aqui em Grenoble nunca ouvi falar de professor brasileiro, seja na UJF ou na Ensimag. Mas doutorandos eu posso chutar com confiança e dizer "tem mais de dez". Fora as dezenas que ja terminaram.

Devido a esta parceria, tem tanto estudantes de ca de Grenoble indo para la, como brasileiros vindo para ca. Muitos estudantes brasileiros vindos da UFRGS. Nos quatro anos em que fiquei em minha equipe, apareceram três estudantes da UFRGS e um deles continuou no doutorado. Da minha época, eu fui o unico brasileiro “sem convênio”. O interessante é que eu fui monitor da Ensimag por três anos, e dos mais de 200 estudantes que tive, nenhum era brasileiro. Como a disciplina era Banco de Dados, eu suspeito que eles ja devem chegar com o crédito do curso feito no Brasil. No ano passado ensinei Introduçao a Sistemas Distribuidos para o pessoal do ultimo ano, 53 alunos ao todo. Nenhum brasileiro.

O Brasil ainda é meio fechado para estudantes vindos de fora. Nao sou eu quem afirma, pois  isso ja foi tema da lista de discussao da Sociedade Brasileira de Computaçao. Aqui nao ha aulas em inglês, e duvido que haja em espanhol. Uma das melhores formas de criar vinculos com outros paìses e trazendo gente de la para estudar em seu paìs, ou mandando gente do seu para estudar là. Uma das maneiras de se fazer isso é criar programas de intercâmbio, como no caso acima. A tendência é a colaboraçao ir aumentando, e criar uma situaçao onde todos os lados ganham. Nao sei se com esse crescimento rapido (eu diria que esta inflando, ou inchando) talvez o Brasil mude mais a cabeça. O paìs tem ganhado bastante projeçao e confiança internacional, e muitos paìses querem estabelecer parcerias com ele. Talvez isso mude. Por enquanto, Dilma esta pensando em enviar milhares de brasileiros pra fora. Espero que nao vao com intuito apenas de passear, e que voltem também, com algo na cabeça.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sistema de ensino superior francês

Nao sei se ja tentei explicar aqui, mas o sistema de ensino superior francês é meio complicado de entender. A tirinha de hoje do PhD Comics explica de forma divertida através de um esquema legal:


Segundo me falaram, nao sei a precisao dos fatos, Napoleao Bonaparte que inventou o conceito elitista de Grande Ecole, e realmente existe uma grande preferencia para os egressos dessas instituiçoes e às vezes uma certa discriminaçao com diplomados de universidades num curso equivalente. A diferença salarial é clara. Falando no meu contexto: um recém formado de Engenharia de Computaçao (Grande Ecole) inicia carreira na faixa dos 3000 euros mensais enquanto uma pessoa com BAC+5 (5 anos de estudo superior) em Ciencia da Computaçao (universidade) começa com +/- 2000 ou 2200 euros.

Como o Brasil "gosta" de injustiças, acho que deveriam copiar este modelo injusto. Seria meio que uma versao inversa do torto modelo de cotas raciais.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ilegal e sem salàrio

Ano passado dei o velho "jeitinho" brasileiro, e adiantei rapidinho a minha papelada de récépissé, titre de séjour, etc. Tinha dado entrada na renovação de meus documentos apenas com email de aprovação de bolsa e com a candidatura de tese assinada pelo orientador e pelo diretor do LIG. Não entreguei a papelada requisitada (a tal de convention d'accueil), mas disseram na prefeitura que poderiam dar entrada no processo, entretanto o titre de séjour sò sairia depois que eu entregasse os docs solicitados. Ou seja, o jeitinho funcionou dentro da legalidade. A secretària da universidade responsàvel por receber minha papelada ficou surpresa quando entreguei pra ela o documento temporàrio e me disse que o salàrio ia entrar direitinho no final de outubro (esse era meu objetivo).

Esse ano fiz tudo dentro do ritmo da màquina burocràtica francesa, deixando-a funcionar normalmente. Travou! Impasse administrativo devido a uma mudança na inscrição do doutorado. Agora é direto com a universidade ao invés de fazer com o departamento de matemàtica e computação. Sem inscrição eu não tinha documento. Mas não abriam as inscrições. Là vai eu ter que arrumar tudo, dando "jeitinho" de novo mas depois de três semanas. Por quê não fiz assim logo no inìcio?
Resultado: estou temporariamente ilegal e meu salàrio vai atrasar pois não tenho a renovação do titre de séjour.
Conclusão: Quando não estiver fraudando nada, sempre usarei o jeitinho brasileiro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Dicas para o primeiro ano de tese


Apressados podem clicar aqui

Durante três dias consecutivos, no verão e todos os anos, a equipe onde faço pesquisa tem uma reunião em algum hotel de uma montanha da região de Grenoble, quase sempre no Sappey-en-Chartreuse. No segundo dia à tarde, pra quebrar o ritmo, uma caminhada na montanha. Neste post uma foto do Dent de Crolles, ao fundo, tirada do topo da montanha onde subimos.

Apesar de muito bacana, o objetivo não é o passeio, mas sim sair do ambiente de trabalho e se integrar durante os três dias, discutindo e criticando o trabalho de cada um. Uma espécie de mini conferência interna. Muito interessante a iniciativa e bastante proveitosa.

Cada doutorando apresenta o que fez durante o ùltimo ano (lembrando que ano letivo inicia em setembro), e dà uma idéia ràpida do que farà no ano seguinte. Alunos (estranho imaginar que daqui a dois anos deixarei de ser aluno...) no primeiro ano, como eu, tinham de 20 a 30 minutos. Eu estourei pra 1 hora, de propòsito. Achei o formato das apresentações muito técnico e seco, então antes de apresentar meu tema de tese, compartilhei minha experiência no primeiro ano de tese trazendo questões nunca abordadas nem naquela reunião nem nas anteriores:
Quais as dificuldades dos estudantes de primeiro ano de doutorado? Quais as angùstias? Serà que é normal não ter um tema ou não ter certeza dele? Como escrever um artigo (de qualidade aceitàvel)? Como mostrar que se faz pesquisa numa equipe com reputação de "engenheiros programadores"? Como aproveitar meu tempo sem "boiar" tanto? Entre outras questões existenciais de um doutorando.

Neste primeiro ano passei por tudo isso, e ainda não tenho certeza direito do que faço como tema, e uma série de outras questões. Pesquisei e li muita coisa na Internet. Prometi que iria enviar os links mais ùteis para o pessoal da equipe, e acabei criando um pàgina em meu site pessoal (ou seria profissional?) com esses links e minha experiência do primeiro ano. Começo a ter a impressão que gosto de escrever, apesar de demorar pra dizer alguma coisa. Esse post , por exemplo, estava previsto para um paràgrafo... Certamente o twitter não é para mim.
Segue novamente o link com as dicas para o primeiro ano de tese (escrevi em inglês para ter utilidade para um nùmero maior de pessoas)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Alguém gostaria de ir ao quadro?

Hoje tive mais uma reunião com a equipe da disciplina Banco de Dados, na qual sou monitor. Ouvi um comentàrio interessante (pelo menos para mim) que me chamou a atenção mais uma vez. Um dos membros da equipe disse: "a turma X participou bastante dos TDs (trabalhos dirigidos) e praticamente todos foram ao quadro".

Esse é um elemento pedagògico que na minha memòria reside na escola fundamental. Durante a universidade lembro-me de uma ou duas vezes do professor pedir para algum voluntàrio vir resolver o exercìcio no quadro. Como eu tenho um hiato de 3 anos de matrìcula trancada, talvez là nos fundamentos do curso os professores chamassem mais vezes (se é que chamavam) os alunos ao quadro.

Percebi este "hàbito pedagògico" aqui na França em outros dois momentos: 1) quando cursei as disciplinas do mestrado e algumas vezes o professor perguntava se alguém queria ir ao quadro durante os TDs; e 2) pelos comentàrios e discussões sobre o "ir ao quadro" no treinamento para monitores no fim do ano passado. Comentei com minha esposa outro dia e ela disse que também percebeu, pois nos TDs que ela tem no curso de Psicologia os professores também fazem o mesmo.

Estou ministrando Estrutura de Dados no CNAM (afiliado à Ensimag, instituição onde sou monitor) e tenho convidado aos alunos à irem ao quadro. Sempre são receptivos, e fazem questão de ir. Teve um que até falou baixinho, mas de um jeito que queria ser ouvido: "eu gosto de ir ao quadro". Não vou entrar nos detalhes pedagògicos do ir/não ir ao quadro, sair da zona de conforto, vantagens/desvantagens desta abordagem, etc. Como é normal aqui, estou aderindo à esta pràtica, visto que faz parte da formação dos estudantes. Em terra de sapo, de còcoras com eles. Provavelmente levarei esta pràtica comigo para onde eu for.

Deixo aqui registrada minha percepção deste fato particular, pelo menos em relação à minha formação.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Formação de Monitores

Antes de sair de férias participei de um evento que acontece todo ano paras os monitores "novatos". Cerca de 150 monitores das 5 universidades de Grenoble (eu pensava que eram 4...) e da Universidade de Savoie ficam 3 dias em uma estação de férias no meio das montanhas, mas na verdade nada de férias. Estàvamos em treinamento. Tivemos apenas uma tarde livre pra esquiar, quando eu sofri no skating, um tipo de ski de fond. Parece fàcil, mas eu e outros dois monitores sò fazìamos cair. Nunca suei tanto abaixo de zero!

Assistimos à diversas palestras e participamos de oficinas. Vàrios temas foram abordados: a maneira como se apresentar em sala de aula; o papel do professor nas universidades; o papel das universidades; como avaliar o desempenho de estudantes; etc. Acho um tanto questionàvel um mega treinamento desses depois de os monitores estarem em ação hà três meses. Entretanto, algumas dùvidas ou perguntas não existiriam caso este treinamento fosse antes de entrarmos em sala de aula.

Na França existe um òrgão chamado CIES (Centre d'Initiation à l'Enseignement Supérieur) que é responsàvel pela formação dos monitores através de treinamentos como esse. A idéia é que durante o três anos do doutorado os monitores tenham a oportunidade de participar do ensino, trabalhando com uma carga horària de 64 horas anuais. Desta forma experimentam tanto a pesquisa quanto a docência, e podem decidir se querem tornar-se docente-pesquisador (enseignant-chercheur) ou apenas um pesquisador.

O trabalho dos monitores concentra-se geralmente em conduzir trabalhos dirigidos (TD) e trabalhos pràticos (TP). Os TDs permitem aplicar o conhecimento dos cursos teòricos praticando exercìcios. Os TPs são as 'aulas de laboratòrio', que em cursos da àrea de informàtica geralmente requerem o uso do computador. Hà casos em que monitores também ministram aulas teòricas. Na minha monitoria, até agora, ministrei apenas um curso teòrico e o resto foi TD. Jà no segundo semestre (a partir de fevereiro) terei mais horas de curso teòrico do que de TD.

O caminho natural do monitor é tornar-se maître de conférences (equivalente a professor assistente). A bolsa do monitor acumulada com a bolsa do ministério jà é o equivalente ao salàrio de um maître de conferences de nìvel inicial. Se um doutor ex-monitor torna-se um maître de conf, automaticamente ele pula esse nìvel e vai pra o seguinte.

Esse estàgio foi uma experiência bastante enriquecedora, e ainda hà outras formações pela frente. As pròximas formações são à la carte, e escolhi até agora duas que trabalham o "como falar em pùblico". Apesar de eu ter feito isso vàrias vezes ainda acho que preciso melhorar bastante. Ao longo dos três anos de monitoria por vir, tentarei relatar ocasionalmente o que estou aprendendo sobre o funcionamento do ensino superior francês, desta vez podendo acrescentar o ponto de vista do docente.

sábado, 4 de outubro de 2008

Participando do ensino universitàrio francês

Sigo com minha perseverança/insistência. Candidatei-me ao serviço de monitoria das universidades de Grenoble. Mesmo com o desestìmulo de algumas pessoas que disseram que era bastante difìcil, e achavam que eu não ia conseguir por que pra ser monitor tinha que ter notas altìssimas blà blà, tentei com minhas notas medianas.
Lembrei da història da bolsa...

Essa insistência é coisa genética, eu acho. Minha mãe me teve numa gravidez de alto risco, aos 40. Os médicos sugeriram um aborto devido à dificuldades no inìcio da gravidez. Ela insistiu.

Obrigado, mãe. Eu continuo insistindo também, graças ao que aprendi com a senhora ainda no ventre.

Seguindo em minha onda de sorte, fiquei como monitor do Institute Nacional Polytechnique de Grenoble (INPG), parte das grandes écoles que formam os "elitizados" engenheiros franceses. Talvez um dia explicarei essa leseira elitista em outro post.
Além da oportunidade de obter esta experiência auxiliando na formação de estudantes, ainda pingam uns euros na conta :)

A primeira disciplina na qual serei monitor é Banco de Dados (BD). Participei de uma reunião com a equipe responsàvel pelas 7 disciplinas de BD com 5 professores e 3 monitores trabalhando em conjunto. Formulação de exercìcios, discussão sobre conteùdo, foco dos cursos, etc. A pouca experiência com ensino que tive no Brasil não foi de nìvel universitàrio, não sei dizer se é isso também é costume dos docentes brasileiros. Achei muito bom pois a disciplina não é conduzida individualmente, e isso ajuda a equilibrar o nìvel assim como divider bem os assuntos abordados em todas as outras matérias de BD. Creio que outros domìnios (Algoritmos/Programação, Redes, Eng. Software, etc) sejam conduzidos aqui da mesma forma.

Estarei vendo (e participando) do ensino superior francês de perto, devo postar mais coisas informativas à esse respeito e espero que sejam ùteis aos interessados em estudar na França.

à bientôt!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Fim turbulento de bloqueio


Desde quinta-feira passada (27/11) a UJF (Grenoble I) está reaberta para aulas. Logo após a assembléia geral dos estudantes que teve uma votação estranha, houve várias queixas em relação à falta de democracia e organização dos pró-bloqueio. Nunca diziam horário nem local de votação, os estudantes ficavam apenas sabendo do local e hora da assembléia, na frente do anfiteatro ao lado da biblioteca. Na hora H, fizeram "voto" geográfico para os que estavam em frente ao palanque: "Quem é a favor do bloqueio vem pro lado de cá, quem é contra vai pro lado de lá".

Só que ali não estavam nem 1/10 dos estudantes da faculdade...

No final da tarde, todos os alunos receberam email do presidente da universidade, indignado com o processo dizendo que no dia seguinte as aulas retornariam ao normal.

Creio que a Stendhal (Grenoble 3) ainda estava fechada. Hoje teve uma movimentação estranha aqui na frente da biblioteca. Enquanto eu a esperava abrir (8:30) passaram dois carros de polícia pela rua ao lado, depois alguns estudantes correndo para o mesmo lado, e logo após uma cinegrafista também correndo.
Depois devo ficar sabendo de algo...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

"Greve" dos estudantes



Estamos na segunda semana de uma "Greve" dos estudantes, que bloquearam as universidades de Grenoble desde o dia 14/11. Até onde conheço, greve refere-se à interrupção do trabalho assalariado para reivindicar alguma coisa...
Essa manifestação particular dos estudantes está mais para bloqueio.
A medida drástica ocorreu devido à uma nova lei que foi votada e, até onde entendi, dará mais autonomia às universidades (que são na França em absoluta maioria, públicas) para captar dinheiro da iniciativa privada.
A universidade onde estudo já recebe muita grana de empresas privadas, visto que é da área de tecnologia e o retorno da "ajuda" é rápido.
Os estudantes pivôs do bloqueio das universidades são alunos de cursos que serão mais prejudicados, como letras, filosofia, história, artes, e outros mais que não são economicamente interessantes.
Pouquíssimos prédios conseguiram furar o bloqueio e ter aulas. Depois de 4 dias sem aula Estamos sendo informados de última hora do local de cada aula, sempre em um prédio que não está bloqueado. Tive aula de francês no prédio de Biologia, e algumas disciplinas específicas no prédio do INPG, cujo mestrado e doutorado são em conjunto com a UJF.
Quarta-feira terá assembléia geral dos estudantes para votar se continua ou não o bloqueio.
Enquanto isso ainda tá rolando greve da SNCF, semana passada teve um dia de greve dos funcionários da universidade, que fechou os restaurantes universitários e a biblioteca, teve até greve na Air France no mês passado.
Vixe!!!
Acho que estas greves têm resultado pra se fazer tantas, caso contrário, acho que ninguém faria.
Pois é, vou lá verificar meu email pra saber onde será a aula clandestina de hoje...