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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Médicos 24h

Falei da saga de minha esposa em hospitais em outro post, e frequentemente nossa filha adoece como todo bebê que esta desenvolvendo o sistema imunologico. Varias vezes precisamos de consultas de urgência e como ja estamos acostumados com o péssimo atendimento de urgência, digno dos hospitais publicos brasileiros, muitas vezes acionamos o serviço médico de urgência por telefone.

Como nao temos familia aqui, ficamos meio desesperados quando aparece doença. A ultima "mazela" foi mês passado, quando apreceu uma infecçao renal em minha esposa, logo apos minha filha ter adoecido (acho que era um resfriado). Ficaram as duas doentes e meu nivel de pânico subindo com tese pra terminar e o povo todo doente aqui. Mesmo depois de medicada minha esposa estava tendo febre perto de 40°C. Liguei pra um serviço de urgência do SAMU*, que sempre usamos (08 10 15 33 33). O médico atende em alguns minutos e depois da descriçao dos sintomas e de ter falado da medicaçao, ele sugeriu mudar para Ibuprofeno, que tinhamos em casa. Funcionou que foi uma beleza. Niquel, como dizem aqui. Logico que o cara do outro lado nao é negligente e vai receitar remedio controlado. O maximo que ele faz é sugerir tratamento.

Foram muitas vezes que ligamos, mas eu so consigo lembrar especificamente de alguns casos:
- Constipaçao de mais de 48h do bebê (narrado aqui)
- Queda de bebê batendo cabeça no chao (nao deixar ele dormir logo apos a queda e observar durante as proximas 24h se algo fora do comum se passa)
- Infecçao renal da esposa (caso acima)

Toda a assistência que tivemos aqui no pré-parto e pos-parto, creche, serviço médico por telefone, entre outras coisas, nos supriu bastante a falta dos conselhos de nossos pais e demais parentes. Claro que a familia é insubstituivel do ponto de vista afetivo, mas o meu ponto aqui é que a assistência que nos foi dada nos deixou bastante seguros em varios momentos onde o desespero toma conta de alguns casais que sao pais de primeira viagem.

Para os que estao no Brasil fica o relato, e para os que estao na França fica o relato e a dica, caso precisem de um médico de madrugada.

* Numero usado na regiao de Grenoble para falar com médicos de plantao nos horarios de 18h as 8h e em fins de semana e feriados, em caso de emergências nao vitais. Nao sei informar se o serviço é em toda a França. Verifiquem o SOS médecins caso esse numero nao funcione em sua regiao.
Caso seja algo muito sério, discar para o SAMU usando o numero 15.

sábado, 25 de junho de 2011

Baratas e vizinhos: a limpeza

Continuando o problema (ou a resoluçao dele) relatado aqui, sobre as baratas vindo da casa de uma vizinha. Uma empresa de limpeza veio limpar a bentida (maldita?) casa. Quando fui para o laboratorio olhei para cima. Quando estava saindo para ir para a universidade olhei pra cima e vi que tinha um cara de mascara, luvas e roupa de bloco cirurgico que estava limpando. Abriu as portas e janelas, e na rua tava um mal cheiro esquisito. E olha que é 3o. andar. Imagina se fosse térreo.

Depois minha esposa tirou foto do resultado e mandou pra mim por email dizendo "E a limpeza ainda nao acabou". Eles ainda vao voltar semana que vem.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Baratas e vizinhos

Ainda nao é post util. Apenas um relato chocante e horrendo (no final entenderao o porque).
Baratas. Certamente os insetos mais odiados pela humanidade.
Começou a aparecer um bocado aqui em casa ha uma semana.
Uma aqui. Outro dia uma outra ali.
Aparecendo duas, três.
Compramos uma armadilha ecologica com uma supercola, sem veneno. Antes de aparecer a primeira barata "capturada", a isca selou o destino de 3 mosquitos e uma aranha. Baratas continuavam vagando. Sorte que sao pequenininhas. Nao sao iguais a "barata americana", aquela cascuda que tem no Brasil. Tem umas bem pequenininhas, escuras e arredondadas, e outras um pouco maior mas compridas como a da foto.

Achamos que fosse migalhas de comida no chao (muuuuito mais frequentes depois que nossa filha começou a andar) e começou uma paranoia de limpeza em casa. Agora a casa vive cheirando a produto de limpeza.

Hoje pela manha minha esposa falou com a zeladora, uma oriental, acho que o nome dela é Ka. Fofoh Ka. A mulher sabe da vida de todo mundo e quando conversa com minha esposa passa um relatorio detalhado. Depois de ser informada sobre as baratas e de ser interrogada sobre a possivel origem, dona Ka, falou com muita certeza: elas estao vindo do terceiro andar.

Em setembro ou outubro apareceu uma "nova" moradora aqui, que na verdade é antiga moradora do prédio. Cerca de 60 anos, é proprietaria do apartamento, mas que estava internada num hospital psiquiatrico. Com o passar do tempo ela começou a jogar pela varanda, com frequência, latas e garrafas (vazias) de cerveja, restos de comida (estragada!) e até calcinha borrada com freio de trator, nao é nem freio de bicicleta.

Ha umas duas semanas esta tudo tranquilo. Comentamos essa semana sobre a 'paz' que reina no prédio, e eu até falei pra minha esposa: "foi dia das maes, e talvez o filho dela tenha se reconciliado e a levou pra morar com ele". Ela tem um filho, portanto imagino que um dia ela trabalhou, foi casada, teve "vida normal".

Madame Ka, Fofoh Ka, falou para minha esposa que a vizinha foi levada pela saude publica. Os enfermeiros ou sei la o quê que entraram no apartamento precisaram de luvas e mascara, dadas as condiçoes de higiene no local. FEZES HUMANAS ESPALHADAS NO CARPETE, pisadas, espalhadas por todo lugar, comida estragada e tudo impregnado de cheiro de cigarro.

Aqui na França parecem tentar integrar doentes mentais à sociedade. Tem muita gente com sindrome de Down que anda sozinho aqui, por exemplo. Acho certa esta integraçao, mas pode ser perigoso em alguns casos, como o do esquizofrênico que matou um rapaz na rua onde moravamos, sem motivo algum.

No caso da nossa vizinha ela nao tinha condiçoes de ficar sozinha, além de ser risco. Eu quase levei uma batatada na cabeça uma vez. Pra ter idéia do grau de insanidade, avistaram ela uma vez defecando ao ar livre num estacionamento aqui perto. Nao sei se foi efeito do abaixo assinado para leva-la daqui, mas levaram ela e o cachorro dela (sim, ela tinha um cachorro e o coitado latia muito). Foi melhor para todos. So que, literalmente, eles deixaram a merda pra tras e agora ta virando caso de saude publica o apartamento podre cheio de baratas.

sábado, 5 de março de 2011

Bebês e o frio


Estamos no fim do inverno aqui no hemisfério norte. Nessa época a temperatura, aqui em Grenoble, fica em média entre 0°C e 10°C a maior parte do tempo. Eu (e boa parte das pessoas) sempre ando com saquinho de lenços no bolso pois tenho coriza durante todo o inverno. Doenças respiratorias como gripes, resfriados, bronquite, entre outras, sao muito comuns durante o inverno, inclusive nas crianças. Existe sempre um grande estado de alerta
em torno da bronquiolite, que afeta muitos bebês de até 3 anos.

Nossa filha, hoje com quase 14 meses, começou a ir para a creche desde setembro ultimo, e se contamina ainda mais com diversos tipos de microbios. Mamae e papai aqui sofrem junto, e estao sempre adoecendo "solidariamente". Com pouco tempo de vida, e graças ao Sr. Inverno, minha filha tem uma cesta com mais de uma duzia de remédios pra doenças deste gênero. Falei em outro post sobre a otite que ela teve em dezembro.

Talvez o pessoal do Sul do Brasil, e até mesmo do Sudeste, esteja acostumado com tudo isso, pois os invernos là sao mais rigorosos que o Nordeste, onde apenas chove e faz "frio" de 23°C no litoral. Pelo menos para nos, animais tropicais criados no calor escaldante, algumas coisas das coisas a seguir sao bastante curiosas:
  • Vitamina D: Isso eu aprendi na matéria de Ciências, na escola primaria. Para estimular o desenvolvimento osséo e evitar raquitismo precisa-se dar vitamina D aos bebês. Uma alternativa é dar banho de sol no bebê quando os raios UV ainda nao estao tao intensos (inicio da manha ou fim da tarde). Os raios solares ativam nao sei o que no organismo, e a criança nao precisa de vitamina D. Foi assim que fazem na minha terra, e ninguém precisa de vitamina D. Mas se estiver muito frio, o bebê tera muita roupa e nao receberà os raios solares. E agora? Ja respondi, né? Taca vitamina D na criança. Minha filha toma vitamina D desde que nasceu. Apenas teve uma pausa de uns 5 meses quando o clima esquentou.
  • Banho: Assunto complicado para discutir com europeus. Afinal, o habito do banho diario é coisa de americanos (do norte, central e do sul). Herdamos isso dos indigenas.
    Nosso bebê apresentou eczemas. Existem inumeras causas de eczemas, mas nossa pediatra perguntou sobre os habitos de banho do bebê. Conselhos
    1. Quantidade. Minha esposa falou que eram dois ao dia. A pediatra arregalou os olhos e disse que estava errado. Talvez fosse costume de nosso pais de origem devido ao calor, mas no inverno deveriamos reduzir a quantidade para no maximo, um por dia. Ao tomar banho removemos as secreçoes da pele que servem para protegê-la. No calor, a secreçao é mais intensa que no inverno. Logo, tomar muito banho no inverno deixa a pele desprotegida visto que se transpira menos.
    2. Temperatura. Deixar a agua em torno de 36°C ou 37°C. Agua muito além disso tende a ressecar a pele e remove ainda mais a proteçao.
    3. Enxugar. Enxugar sem esfregar, pra nao tirar a bendita proteçao. Atençao para os adultos: aquele negocio de jogar a toalha por tras das costas, segurar uma ponta com a mao esquerda e outra com a direita, e em seguda puxar de um lado para o outro na intençao de enxugar o dorso, ja era. Você esta retirando o grude protetor das suas costas. Nao enxugue. Deixe a camisa tirar o excesso com o atrito do dia a dia. Mas nao use camisa branca, pra nao denunciar o grude fugitivo.
  • Temperatura ambiente: Para bebês, manter o quarto a 18°C ou 19°C. Existe aquecimento nas residências, além de muitas possuirem isolamento térmico. As janelas sao "acochadinhas" pra nao deixarem entrar o frio (nem sair o calor). Tem até janelas mais moderninhas com vidro duplo, pra manter isolamento. Enquanto ta fazendo 0°C la fora, estamos confortaveis dentro de casa com os 20°C a 23°C que geralmente fica (observem na foto do post a incompatibilidade do clima exterior e a roupa da nossa filha). Até da pra esquentar mais, so que eu acho desconfortavel pois começo a transpirar. Minha esposa acha 18°C muito frio, mas eu acho bom. Qualquer coisa, se agasalha. A casa pode até ficar na casa dos 20 durante o dia, mas o quarto onde o bebê dorme deve ter a temperatura de 18 ou 19°C. A pediatra disse que as crianças precisam sentir um pouco de frio para dormirem bem e também para que o corpo seja estimulado a produzir defesas contra doenças do inverno, bla bla bla. Além disso, os choques térmicos de entrar em lugar quente, sair pra lugar frio e vice-versa, fazem mal mesmo que estejamos agasalhados. O conselho foi, ao sai agasalhar bem, e deixar as bochechas e nariz expostos para que o corpo saiba que esta frio.
Minha esposa vive reclamando - entre outras coisas :) - da quantidade de roupas que tem que colocar na nossa filha quando ela precisa enfrentar o frio. Mas tem tudo adaptado por aqui: saco térmico para carrinhos de bebê, combinaçoes (foto abaixo). Talvez a mobilidade nao seja a ideal, mas da pra ficar quentinho (exceto aquele friozinho congelante nas bochechas e nariz). O ser humano tem uma capacidade de adaptaçao incrivel. Mesmo se o corpo nao se adapta, desenvolvemos equipamentos e técnicas para facilitar essa adaptacao. Talvez toda essa adversidade do frio fez o homem europeu exercitar essa adaptabilidade todos os anos, durante milênios, criando sociedades bem mais avançadas que as das regioes quentes do planeta. Ja li alguma vez que como nos invernos ninguém saia, pois nao tinham o que fazer (na época nao tinha TV nem Internet), eles ficavam em casa desenvolvendo suas invençoes, escrevendo, pintando, desenvolvendo praticas de sexo sado-masoquistas pra sair do tédio, etc. Que tal umas nevascas no Brasil pra ver se o povo inventa algumas coisas uteis ?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Seguro Saùde na França IV

Falei no mês passado sobre atendimento no exterior, que é reembolsado pelo seguro saùde francês.
Repetindo o que escrevi:

Liguei e perguntei se os 205 euros seriam reembolsados 100%. Falaram que iam "estudar o dossiê" mas provavelmente seria reembolsado se apresentasse todos os documentos necessarios (recibo, boletos de viagem e formulario preenchido) visto que os gastos de urgência sao cobertos até mil euros.

Recebemos o reembolso na semana passada. Como o reembolso é feito com base nas tarifas em vigor na França, eles colocaram o valor da consulta de urgência daqui. Nao lembro se a mulher com quem falei ao telefone tinha dito 40 ou 60 euros. Ao final, com essa tarifa e o valor dos medicamentos que foram administrados no hospital, o reembolso foi quase 1/3 do valor total cobrado na Espanha.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Seguro Saùde na França III

Mais um post da série seguro saùde. Desta vez o tema é atendimento no exterior.

Fomos passar o Natal na casa de minha prima que mora em Barcelona, na Espanha. Foi tudo muito legal, etc e tal até que por duas noites seguidas nossa filhinha de 11 meses teve febre e sono muito inquieto. Na primeira noite o paracetamol ajudou. Na segunda ja nao ajudou tanto. Coincidentemente, o filho de 4 anos da minha prima estava adoentado também, mas com amigdalite. Na manha seguinte o passeio turistico foi conhecer o sistema de saùde espanhol. Espero que minha filha nao esteja seguindo os passos da mae como turista hospitalar.

Carte européenne d'Assurance Maladie
No ambulatorio que fomos me pediram a carte européenne d'Assurance Maladie. Eu nao tinha. Também nao sei dizer se o fato de ser estrangeiro seria impeditivo para ter esta carteira. Pelo que entendi essa carteirinha da cobertura em toda Europa. Ela deve ser solicitada com pelo menos duas semanas de antecedência da viagem, e tem validade por um ano. Meu primo, que tem a carteirinha da Espanha mesmo teve consulta marcada, e para minha filha, que nao tinha uma carteira de saùde que fosse aceita là, sugeriram ir pra um hospital maior, o Saint Pau.

No meio do caminho minha prima ainda tentou outro hospital menor, mas falaram a mesma coisa: so seriamos atendidos no Saint Pau. Chegando no Saint Pau, que têm na urgência um guichê de atendimento internacional, minha prima explicou que moravamos na França, carteira, doença, etc, e logo o cara ja começou a falar em francês comigo, trouxe um formulario pra preencher e ja avisou que teriamos que pagar a conta, mas que seriamos reembolsados na França por nosso plano de saùde.

A fila de espera estava pequena, e minha filha foi logo (pré)atendida por uma jovem mulher de branco (nao sei se era médica ou enfermeira) pouco simpatica, que pediu para deixar nosso bebê apenas de fralda e alguém viria logo atendê-la. Depois de mais de uma hora de espera, chegou uma médica, bem mais legal que a primeira mulher. Ela diagnosticou uma otite na nossa filha, a medicou e receitou três medicamentos (Iboprufeno, Amoxicilina e um outro que nao lembro). Desde entao ela so tem melhorado e felizmente passa bem (tirando a catarreira de inverno).

Resumindo, o valor da conta: 205 euros, que tivemos que pagar là.
Chegando na farmàcia, em Barcelona ainda, o preço dos medicamentos nos surpreendeu: 2,95 euros. Pelo que entendemos, esse valor foi baixo por ter sido receitado pelo hospital publico. A verificar se o nosso entendimento foi correto.

Reembolso
Ao chegar em Grenoble, fui à MGEN, que é nosso plano de saùde que cuida da cobertura de base e mutuelle (o complemento). La me deram um formulario e me aconselharam a telefonar para o serviço de atendimento no exterior para esclarecer minhas dùvidas. Liguei e perguntei se os 205 euros seriam reembolsados 100%. Falaram que iam "estudar o dossiê" mas provavelmente seria reembolsado se apresentasse todos os documentos necessarios (recibo, boletos de viagem e formulario preenchido) visto que os gastos de urgência sao cobertos até mil euros.

Amanha devo ir na MGEN entregar tudo e em seguida aguardar o resultado da anàlise da papelada, que deve durar pelo menos de três semanas.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Seguro Saùde na França II

Ja escrevi outra vez, por alto, como funciona (ou ao menos como eu entendo) o seguro de saùde na França. Cada vez mais eu me surpreendo com coisas que vamos descobrindo aos poucos. A surpresa recente foi ontem. Fomos à ultima consulta pediatrica obrigatoria de nossa filha, antes de completar 1 ano. Ela estava gripada, e perguntamos se seria bom fazer nebulizaçao. Eu e minha esposa ja tinhamos decidido em casa sobre comprar um nebulizador. A pediatra falou que a nebulizaçao seria uma boa idéia, e disse que ia nos prescrever o aluguel de um nebulizador. Ainda foi mais gentil e telefonou para uma empresa que instala em casa, ao invés de termos que ir buscar na farmàcia. Perguntamos à ela se tinhamos que pagar algo, e ela disse que nao pois os planos de saùde cobrem isso também.

Apesar dos franceses reclamarem (isso é normal, afinal eles reclamam de TUDO) eu admiro bastante como funciona o sistema de saùde daqui. Realmente existem problemas de atualizaçao quando mudamos de plano, bronca na carteirinha, protocolos de reembolso que sao perdidos, etc. Como tudo é muito burocratico por aqui, realmente acontecem atropelos no sistema de saùde, e por vezes é complicado de entendê-lo.

O sistema de saùde segue um modelo privado. Você paga por tudo. Até hospital universitario cobra (imagino que sejam do governo, visto que universidades sao publicas). Entretanto, todos possuem (ou deveriam) plano de saùde. Se nao tem condiçoes de pagar um plano privado, o governo tem um (Caisse d'Assurance Maladie) que pode até sair gratis dependendo da renda da pessoa. Os EUA estao em vias de mudar seu sistema de saùde para algo "inspirado" nesse modelo usado na França.

Descobertas
Ja se passou mais de um ano e meio depois do post mencionado. Desde la descobrimos varias novidades sobre direitos, hospitalizaçoes, etc. Na época daquele post eu nem sabia que ia ser papai. Vamos às "descobertas" do que mais os planos de saude cobrem aqui na França:
  1. Minha esposa ficou gravida, e gestantes possuem muitos direitos. Do sexto mês de gravidez até 12 dias apòs o parto, elas tem direito a atendimento médico gratuito, medicamentos, exames de laboratorio e hospitalizaçoes. Tudo isso na verdade é independente de ter plano de saùde ou nao.
  2. Medicamentos com prescricao médica sao, em grande maioria, pagos pelo plano. Essa nao é novidade. Ja tinha dito aqui, mas isso continua me impressionando. Minha filha em menos de um ano de vida consumiu muitos medicamentos e vitaminas. Nada fora do normal, nenhuma doença grave. Coisas cotidianas. No Brasil eu teria "quebrado" se fosse pagar tudo que ela consumiu. Raramente desembolsamos algo para pagar medicamentos.
  3. Um curso de 8 aulas de preparaçao para a maternidade é pago pelo plano, com um tipo de enfermeira sage femme, um tipo de especialista em gestantes e bebês.
  4. Uma série de visitas da sage femme à casa da mamae, para fazer acompanhamento da amamentaçao e da evoluçao do peso e tamanho do bebê nas primeiras semanas de vida.
  5. Fisioterapia, com a sage femme ou um fisioterapeuta, para a recuperaçao da mamae no pos-parto.
  6. Aluguel de aparelhos é coberto pelos planos. Minha esposa teve uma bomba elétrica para tirar leite alugada por três meses, tudo pago pelo plano. Nossa filha precisou de um nebulizador, e tudo é coberto pelo plano, como dito antes.
  7. Minha esposa quebrou o punho no primeiro semestre apòs eu desferir um golpe nela com um cano de ferro. Brincadeira. Ela caiu andando de patins (ela sempre confirma esta versao, caso contrario quebro o outro pulso dela). Recebemos pelo correio a fratura, quer dizer, a fatura apenas a titulo informativo. O total passou dos seis mil euros. Cirurgias sao cobertas pelo plano, com a gloria divina. E "graças" ao incidente de asma (se ainda nao leu, esta aqui) com minha esposa, hoje temos mutuelle para ajudar a cobrir tudo.
  8. Curativos em casa. Prescreveram uma série de curativos nos pontos da cirurgia do pulso dela. Os enfermeiros vinham em casa, usavam o kit que "compramos" (pago pelo plano) na farmacia, pegavam a carteirinha dela, inseriam na maquina GPRS (tipo aquelas de cartao de crédito), e pronto. Nenhum euro saia dos nossos bolsos.
Percebe-se que graças à minha esposa pudemos aprender bastante sobre hospitais e coisas do gênero. Vejam mais aqui. Recentemente ela se cortou em casa e sangrou bastante. Eu errei a aorta e acertei outra artéria em sua perna. Brincadeirinha, de novo. Na verdade ela se cortou sozinha com um minusculo estilete uma faca de precisao, mas aparentemente mortal. Segundo ela o objeto inanimado tomou vida propria, escorregando da mao dela e caindo rapidamente nao sei o que mais. Até hoje nao entendo o ocorrido, e como eu estava dormindo no momento do bizarro acontecimento, me pergunto se ela nao estava sob influência de calmantes vencidos ou algum entorpecente. Ela nao quis ir no hospital, apesar da quantidade de sangue e da profundidade do corte. Na manha apos o acidente, apenas vi uma calça ensanguentada que parecia farda de açougueiro. Sim, o estilete perfurou a calça e apunhalou (ou estiletou?) a sua perna. Infelizmente nao aprendemos como é o processo de atendimento e tratamento para levar pontos. Talvez ela tenha cansado deste novo passatempo hospitalar. Caso alguém deseje informaçoes, posso forjar outro acidente com cortes para finalmente aprendermos os procedimentos neste caso.

Aos que vierem para a França, nao esqueçam de fazer a mutuelle. Vejam o triste caso de minha esposa, que vivia longe dos hospitais quando morava no Brasil, e hoje as recepcionistas de quase todos os hospitais de Grenoble jà a conhecem pelo primeiro nome.

PS: Percebi que frequentemente digo "minha esposa" e raramente o nome dela. Nao necessariamente todos que leem este blog a conhecem. O blog persô dela é aqui. E o dos doces que ela faz aqui.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Vacinados contra o H1N1

Em sua campanha de vacinaçao contra o H1N1, o governo francês vai gradativamente convocando os habitantes do paìs a se vacinarem. Prioridade inicial para profissionais de saùde (médicos, enfermeiras, etc) e pessoas consideradas mais vulneràveis (idosos, bebês, gestantes, etc).

Minha esposa està gravida de 9 meses e hà algumas semanas recebeu uma cartinha convite pra se vacinar. Hà duas semanas chegou uma cartinha pra mim, provavelmente por estar em contato direto com alguém do "grupo de risco". Apesar de nossas dùvidas sobre a real gravidade dessa gripe A, nos imunizamos para reduzir possìveis riscos pra o bebê que està por vir. Um detalhe interessante é que as visitas na maternidade estao suspensas devido a essa gripe. Apenas os pais vacinados podem visitar a mamae e ver o bebê. Entao, ja garanti minha presença com essa injeçao no braço :)

PS: Nada de ficar ligeiramente gripado, nariz escorrendo, nem nada. Ja faz quase uma semana e a vacina nao me trouxe mal algum.

domingo, 25 de outubro de 2009

Turismo hospitalar em Grenoble

Minha esposa gripou, e com esse negòcio de epidemia de gripe A fomos logo ao hospital para ela ver isso. Nosso raciocìnio foi o seguinte: como ela està gràvida, melhor ir para o hospital da maternidade onde ela vai dar à luz, pois o pessoal de là deve estar preparado. Errado!

Sequência turìstica:
1. Clinique Belledone, em St. Martin d'Hères
Na recepção nos dão màscaras e nos encaminham para a maternidade. Enfermeira reclama conosco por ter vindo à maternidade (apesar de sua colega da recepção nos ter dito pra ir là), manda ir para o nosso médico generaliste (creio que seja equivalente ao clìnico geral). Explicamos que não deu pois é um sàbado. Consultòrios fechados, entende? Ela faz um ar de "ah, é mesmo" e depois de alguns telefonemas nos encaminha para outro hospital.

2. Clinique Mutualiste des Eaux Claires, em Grenoble
Depois de atravessarmos a cidade de Grenoble, chegamos no outro hospital e o médico generaliste de plantão não parecia preparado pro caso de gràvida com gripe. Ele diagnosticou a gripe, mas esqueceu de medir a temperatura apesar de termos dito que houve sintomas de febre durante a noite. Ele receitou os remédios, etc e tal. Tivemos que lembrà-lo da gripe A, suìna, nova gripe, etc. Apesar dos sintomas amenos, como ter certeza de que não era a gripe A? Doutor, a esposa tà gràvida, etc. Manifestação de insegurança, dùvida. Três telefonemas depois, ele diz indiretamente que o hospital não tem nada a ver com isso. Precisamos ir em outro hospital, na urgência ginecològica, pra ela fazer o exame do vìrus H1N1.

3. Centre Hospitalier Universitaire, em La Tronche
Voltamos pras bandas do Campus. Chegando na urgência ginecològica, o pessoal parecia bem preparado e foi bastante atencioso. Novamente, os médicos disseram que não parecia ser a gripe A, mas era importante fazer o exame. Receitaram Tamiflu por segurança (se não for gripe A, parar de tomar), e coletaram o material para o exame. Resultado apenas na segunda-feira.

Ao final das visitas turìstico-hospitalares, ficamos nos perguntando como o pessoal de hospitalis de primeiro mundo não sabia como reagir diante de uma doença cheia de recomendações vindas da OMS e do governo francês (vide logo da campanha na imagem deste post). Por quê o passo 2 acima foi necessàrio? Por quê o "médico de primeiro mundo" ignorou o fato da gravidez, se num terceiro mundo como o Brasil dizem para ter cuidado redobrado com gestantes?

Seria muita expectativa esperar mais preparo de hospitais de primeiro mundo, ou hospital ruim tem em todo canto? Vàrias dùvidas ficaram no ar com essa experiência.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Seguro Saùde na França

Aproveito o feriado (sim, o feriado da Pàscoa na França é na segunda DEPOIS do domingo de Pàscoa) e escrevo um post de um fato da semana passada. Para os googleiros acidentais buscando info sobre seguro saùde/assitência médica na França, leiam com atenção a primeira e a segunda parte.


1. Funcionamento Geral

O seguro saùde aqui é dividido em duas partes:
- Couverture de base: Reembolsa 70% dos gastos
- Mutuelle: Reembolsa de 25% a 30% restantes

A mutuelle é opcional. Você pode ter a couverture de base apenas, e pagar os 30% toda vez. O normal é ter os dois.

Baseado na nossa experiência, jà tivemos o reembolso no seguinte:
- Consulta médica
- Exames
- Atendimento de urgência
- Medicamentos com receita

Procedimentos cirùrgicos também são cobertos, mas felizmente não precisamos e espero não precisarmos.

O segurado precisa ter um Médecin Traitant (um clìnico geral), que é o seu médico oficial. Você deve sempre se dirigir à ele quando tem alguma coisa, para que ele te encaminhe a um médico especialista se necessàrio. Ir direto a um especialista sem o encaminhamento dà uma multa. Acho que o valor atual é metade do valor consulta.

2. Estudantes estrangeiros
Permanência superior a 3 meses implica em ter o seguro.

2.1 Menor de 28 anos
O seguro é feito geralmente com a SMERRA ou a LMDE. Algo em torno de 300 euros por ano. O estudante terà um nùmero provisòrio de Securité Sociale.

2.2 A partir de 28 anos
Cheguei aqui com esta bendita idade fronteiriça. Neste caso, tive que ir direto com o òrgão do governo (CPAM-Caisse Primaire d'Assurance Maladie) que cuida disso. Franceses desempregados ou que tem renda baixa também vão là. No meu caso era estudante estrangeiro e desempregado, pois eu não tinha bolsa. Eles fazem um càlculo baseado nos rendimentos do ano anterior (entreguei uma declaração escrita à mão). Achei que seria de graça. A grande vantagem de ser maior de 28 anos é que você ganha um nùmero de Securité Sociale vàlido, que depois facilitou muito meu processo da bolsa. Outra coisa é que pode ser que saia de graça. Tivemos que pagar pela couverture de base ( 70% ) e não tivemos direito aos 30% da mutuelle do governo. Quando virei bolsista, ganhamos cobertura de base da MGEN que é debitada diretamente do salàrio.

A CPAM nos deu nossa Carte Vitale, que dà o desconto diretamente nos hospitais, médicos, laboratòrios e farmàcias equipados da màquina que lê este cartão. A maioria deles tem esse equipamento. Quando não, temos que pagar e eles nos dão um formulàrio que devemos entregar ao nosso responsàvel da couverture de base. Mudamos pra MGEN e o cartão permaneceu o mesmo (bom, o meu deu pau na atualização e pedi outro, mas o da minha esposa funcionou).

2.2.3 Inclusão de cônjuge
A França é bem burocràtica. Tão burocràtica que os funcionàrios não sabem direito as regras. Na sede da CPAM de Grenoble disseram que minha esposa não poderia ser segurada comigo pois o visto dela era de acompanhante. Apenas o estudante seria assegurado. A doce senhora foi um pouco rìspida: "Ela veio por escolha pessoal. Procure um seguro privado". Acho que a titia nunca casou para dizer uma coisa dessas.
Ao me dirigir ao centro CPAM do meu bairro, insisti e levei novamente os documentos da minha esposa. A funcionària não soube responder, chamou um colega, que disse que poderia. Minha esposa ficou assegurada, sem problema. Aquele negòcio de "eu sou brasileiro e não desisto nunca".

3. Seguro morreu de velho
Semana passada minha esposa precisou ficar no hospital devido a uma crise de asma. Motivo: poluição de Grenoble e o pòlen das flores com a chegada da primavera. Chegou na urgência às 8:00 e saiu no outro dia ao meio-dia. Total da internação: 1100 (mil e cem) euros. Não tìnhamos mutuelle. Medicamentos: 128 euros. Não tìnhamos mutuelle.
No outro dia fui fazer a inscrição na mutuelle da MGEN, pra evitar outros problemas desse no futuro.

Essa mutuelle paga pelas lentes dos òculos também. Vou testar isso mês que vem, quando começa a valer nossa mutuelle. Jà que estamos pagando né?