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segunda-feira, 7 de março de 2011

Merde

Isso mesmo. Merde!
Essa é uma palavra especial na lingua francesa. Existe todo um vocabulario relacionado com a palavra merda.
Ouvi neste ultimo sabado um funcionario falando pro outro no Carrefour "Eles nao podem ficar 30 minutos sem você? Vai là, que eles se 'demerdam'" (ils se demerdent, em francês). Eu comecei a rir sozinho, pois eu gosto dessas palavras com o radical "merda" no francês. Lembrei de um bocado de palavras merdais, e vi que realmente ha um vocabulario vasto. A expressividade é imensa, além de divertida. Nao conheço tanta variedade "merdal" em português. Seguem exemplos (o tilde significando equivalência):
  • Se demerder: Se virar, "desenrolar a bronca". Démerde-toi ~ te vira.
  • Emmerder: Incomodar, encher o saco. Meu orientador m'emmerde com tanto pedido nada a ver que me faz.
  • Emmerdeur: Alguém que enche o saco. Esse cara é um emmerdeur.
  • Merdique: Algo de baixa qualidade. O cara fez uma tese merdique porque o orientador nao ajudou.
  • Merdier: Bronca. Cu de boi. Tô num merdier completo com tanta coisa pra fazer e os prazos estourando.
Apesar do radical nao ser merde, o verbo chier tem uma ligaçao importante com merda.
  • Faire chier: Ao pé da letra seria "fazer cagar". Denomina algo chato. Ter que testar todos os projetos dos estudantes pra poder dar nota é uma coisa que me fait chier. Tu fais chier ~ Tu enches o saco.
  • Chiant: Ao pé da letra seria "cagante". Coisa chata. Esse negocio é chiant. Putain! T'es vraiment chiant ~ Puta que pariu! Tu és chato pra caralho.
Merda pode vir na forma de verbo também:
  • T'as tout merdé ~ "tu cagou tudo" no sentido de fazer besteira.
Como no português, a palavra em merda em si é bem versatil para descrever varias situaçoes
  • Je ne peux pas travailler avec ce truc de merde ~ Nao da pra trabalhar com esta merda (algo de ma qualidade).
  • T'es dans la merde ~ Estas na merda, estas fodido.
  • C'est de la merde ce truc là ~ Esse bagulho aqui é uma merda.
Bom, vou concluindo por aqui esse post de merda e em seguida volto a escrever minha tese, senao eu tô na merda.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cançoes infantis: medo e violência

Ja falei aqui de mùsicas infantis que "grudam" no cérebro. Como pais, eu e minha esposa temos que aprender novas musicas infantis assim como resgatar de nossa memòria mùsicas que aprendemos como criança, mas nem toda mùsica é necessariamente educativa.

Maltratando animais
Eu lembro que minha mae cantava duas cançoes francesas que ela tinha aprendido na escola: alouette e frère Jacques. Na época dela, as escolas brasileiras ensinavam como lìngua estrangeira o francês e o latim. Recentemente estava procurando no YouTube a primeira, alouette, que eu ja nao lembrava mais como era. A letra é violenta, apesar de ser uma cançao infantil com ritmo bem alegre. Fala de um passarinho e de arrancar penas de sua asa, das costas, da cabeça, o bico e nao sei o que mais. Essa é uma daquelas cançoes pra memorizar uma sequência de coisas e repeti-las, aumentando o conjunto de coisas a cada repetiçao dos versos da cançao. Nesse caso, sao as partes que serao depenadas. E no final, certamente o passarinho morre, mas ninguém fala disso.

Um dos links relacionados no YouTube leva para outra cançao, chamada Souris verte. Essa também maltrata animais. Fala de um ratinho verde, e de uns senhores que mandam mergulhar o rato no oleo e depois na àgua, para que depois o ratinho vire um caracol... O pobre do rato corre é o risco de morrer afogado, isso sim.

Cançoes infantis no Brasil
Eu jà tinha lido sobre isso uma vez no Brasil, numa reportagem que falava das cançoes infantis brasileiras que aterrorizam crianças. Cançoes tipo

"boi, boi, boi, boi da cara preta,
pega esse menino que tem medo de careta"

e também

"nana neném que a Cuca vem pegar" ajudam a criança a entrar em pânico ao invés de dormir. A idéia de ameaça é clara: dorme logo criança, senao o bicho vai te pegar!

E essa:
"Marcha soldado cabeça de papel,
se nao marchar direito vai preso no quartel"

Mensagem de puniçao. Faz o negòcio direito, senao vai preso.

"Atirei o pau no gato" ficaria popular se fosse traduzido para o francês, visto o gosto pela crueldade com animais nas duas cançoes francesas mencionadas anteriormente.

"Como pode o peixe vivo viver fora da àgua fria" darà idéias para crianças maltratarem peixes, igual a mim que matava betas asfixiadas tirando-as da agua. Tentava ver quanto tempo a pobre beta sobreviveria "fora da agua fria". Certamente influência desta infame cançao.

Além do medo e do maltrato a animais, algumas mùsicas estimulam a promiscuidade feminina desde criança como na que diz "sete e sete sao catorze, vezes sete vite e um, tenho sete namorados mas nao gosto de nenhum". Caramba! Sete namorados! Sem comentàrios.

Tem outra que, ao meu ver, é mensagem subliminar para estimular namoro escondido: "papagaio louro do bico dourado, leva essa cartinha pro meu namorado". Como assim levar cartinha? Porque a menina nao leva? Ta namorando escondido é?

Pois é, musicas bonitinhas com mensagens subliminares. Se alguém aì souber de alguma outra cançao infantil que pregue violência, medo ou qualquer outro efeito colateral nocivo, mencione-a nos comentarios. Quem sabe assim podemos catalogar essas cançoes "do mal" e criar versoes politicamente tais como "nao atire o pau no gato".

domingo, 12 de setembro de 2010

Derretido de queijo, soprado de batatas, etc

Sem questionar o quesito sabor, pois trata-se de algo bem pessoal, a culinaria do Nordeste do Brasil tem pratos com nomes curiosos: "escondidinho" de charque, "arrumadinho", "buchada" de bode. Como culinaria francesa é tida como coisa chique, imaginem esses pratos com nomes afrancesados: petit caché de viande séchée, petit rangé, e pra buchada acho que poderia-se dizer algo do tipo tripette de bouc. Daria pra superfaturar bastante. Por exemplo, apesar de serem a mesma coisa você paga mais caro por uma omelette de XYZ do que por fritada de ovo com XYZ, e bem mais caro por pain perdu do que pour uma rabanada...
Tem nomes bonitinhos de docinhos brasileiros como beijinho, bem casado. Bisou e bien marrié serà que colava?

Na culinaria francesa tem coisas populares no mundo todo que se traduzirmos também tem nomes meio ridiculos, ou que nao soam tao bem em português. Vamos desvalorizar 10 exemplos culinarios que consegui selecionar:
  • Fondue: Derretido, ou ao pé da letra, fundido. Vai um derretido de queijo? "Fundido" nao fica legal pois podem esquecer de falar o "n" e o negocio fica feio.
  • Soufflé: Ou no bom português suflê, que traduzindo seria "soprado". Por favor, um soprado de batatas.
  • Pâté: Refere-se à consistência de pasta. Algo como "pasteado".
  • Foie gras: Deliciosa iguaria que significa "figado gordo" (em francês pronuncia-se algo como fuà grrrà)
  • Batatas noisette: Noisette é avela. As batatas tem esse nome devido à forma (pequenas bolinhas) como sao servidas, semelhante à uma avela.
  • Filet mignon: Numa traduçao livre seria "tirinha bonitinha" ou "tirinha fofinha".
  • Croissant: Crescente. O paozinho em forma de lua crescente.
  • Crème brulée: Caprichem no errrrre. Creme queimado. Nada mais que isso. Mas soa chique né?
  • Mousse: Fica estranho pedir espuma de chocolate na sobremesa né? Pois mousse significa espuma.
  • Petit gâteau: Bolinho. Nada mais que um bolinho

terça-feira, 18 de maio de 2010

Falar errado, mas falar um idioma

Semana passada eu estava no tramway e ouvi a conversa, em inglês, de um brasileiro com um alemao que estavam em pé, do meu lado. Um fato me chamou a atençao (e por isso a razao do post): o brasileiro disse que tinha vergonha de falar francês com nativos naquela lingua, pois ele comete muitos erros. Estranho pois no inglês ele estava cometendo alguns erros, mas tudo bem, nao estava falando com um nativo anglofono.

Acho esse o maior erro de qualquer um que queira aprender uma lingua. Deixar de falar com medo de errar. Como aprender sem errar? Sera que na escola esse cidadao sempre tirou dez em todas as disciplinas? Errar faz parte do aprendizado. Como tornar-se fluente sem praticar (e sem errar) ?

Fluência, sotaque e falar errado
Eh certo que alguns tem mais aptidao que outros pra aprender linguas, mas o que é que é ser fluente? E o sotaque? Nunca vi nem ouvi falar de CV constando "inglês fluente" nao diz "inglês fluente com sotaque feio" ou "inglês fluente com pronuncia boa mas sotaque feio" nem "inglês fluente mas com erros de gramàtica".
Fluente, ao menos pra mim, é aquele que tem o discurso que "flui". Sem "aaaaaaaaaaaaa" ou "ééééééééééééé" enquanto estao consultando o cérebro em busca da palavra. Pra chegar no discurso fluido é fundamental que o pensamento seja na lingua em que se quer falar. Ah, e tem o lance do sonho também: você chega a sonhar na lingua em que é fluente.

Fluente ou nao?
A grande chatice de faltar palavras no vocabulario é que você conta uma historia e dà pausas com perguntas aos seus interlocutores. Por exemplo, você começa contando uma historia:
Eu cheguei em casa mas, como é o nome daquela corrente que trava a porta na parede?
Pega ladrao
Pois é. Entao, eu cheguei em casa mas quando abri a porta o pega ladrao tava travado e eu estava sem a chave dele. Tive que subir por fora. Eu me pendurei na... Como é o nome da plataforma que sai da sala pra o exterior do prédio?
Varanda?
Isso, entao eu escalei subi pela varanda e abri a porta corrediça que nao estava travada

E entao? A pessoa contando a historia é fluente em português?
Mudemos um pouco o texto, e a pessoa diz uma frase bem gringa tipo "eu escalou varanda, abrir porta de vidro e entrar no casa sim problemas algum". Ele deixa de ser fluente?

Eu errar mas falar
Logo que cheguei, meu francês era pior e nem por isso eu nao fazia perguntas ao professor em sala de aula. Hoje eu faço reunioes em francês, dou aulas em francês e conto historias para meus amigos em francês. Eu sempre escorrego e concordo uns verbos errados aqui, outros ali, pronuncio umas palavras erradas e pergunto muitas vezes "como se diz isso". Nao tenho vergonha em errar, e até acho legal quando me corrigem. No meu CV nao tem "francês fluente com erros de pronuncia e conjugacao". Tem francês fluente. Eu falo, exprimo idéias e consigo narrar fatos. E de vez em quando ainda aparece sem querer palavra em francês no discurso em português (esquecer palavras é cientificamente comprovado).

Fica meu relato, e a dica de praticarem outra lingua, mesmo que errado. Nao tenham vergonha, como o cidadao do primeiro paragrafo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Tristes inferências na língua francesa

O fato das lìnguas portuguesa e francesa terem raìzes na lìngua latina facilita bastante pra nòs quando estamos aprendendo francês. Eu diria que a curva de aprendizado inicial nao é tao grande. Existem vàrios cognatos (palavras de mesma origem e grafia semelhante), entretanto, alguns heterossemânticos ("falso amigos") atrapalham quando fazemos inferências que nao tem nada a ver com sentido real da palavra. Abaixo alguns que consegui lembrar. A lista jà começa passando longe...

Palavra Inferência infelizSignificado real
aucun Algum? Nenhum
chatChàA pronùncia é como em chà (de beber), mas significa gato
depuisDepois? Desde
fille Fila? Com um "L" é fila, com dois é filha (e o "ll" sai como um "y")
Naquele lugar Aqui. "Là bas" é que seria la.
mais Mais, tipo 1 + 1 Mas. Quem escreve português errado, acerta a traduçao em cheio
oie Algo tipo "olha" ou "oiê, tudo bom?" ?Ganso
poudre estragado
très 3 ?"Trrrrré", muito. O nùmero três em francês é "trois"

Dependendo dos regionalismos, você pode se atrapalhar ainda mais, ou entao "lembrar-se" de palavras de sua regiao. Algumas tristes inferências para nordestinos, como eu:

Palavra Inferência infelizSignificado real
arrêtArretar, irritar Parada (de ônibus, bonde, etc)
bouffeBufa?Comida, no sentido popular
chierChiar?"Cagar" (vixe, baixei o nivel do blog)
chute Chute? Queda. Poderia ser consequência de um chute em português :)
dansSeria algo a ver com dançar? Dentro
froidFreud, o Sig? Frio
luiLuis, como muito nordestino diz sem o "s" Pronome pessoal na 3a. pessoa (masc)
mainAlgo a ver com mainha?Mão. "Ma main" = minha mão :)

Mineiros também devem sofrer pra aprender francês. Vamos a alguns casos de palavras francesas semelhantes a algumas do regionalismo mineirês:

Palavra Inferência infelizSignificado real
besoinBelos olhos pequenos? Necessidade
coinCom o olho pequeno? Canto, esquina.
machinJovem rapaz ou jovem espécime do sexo masculino?Coisa, negòcio, bagulho. Traduzindo em mineirês seria "trem".
matin Mato pequeno, rasteiro?Manhã
gamin Pequeno jogo de videogame?Garoto, em linguagem popular
sapinPequeno sapo?Pinheiro
voisinVoz baixa, fala mansa?Vizinho
moinsMoinhos pequenos?Menos
raisinO filho de Raí?Uva

Pra eliminar a ambiguidade com o mineirês, basta pronunicar o francês corretamente: ao encontrar um "IN" pronuncie "AN", matin=matan. Mas ainda assim, restam outras vàrias semelhanças...

Alguém por aí tem algo pra acrescentar à lista?

domingo, 14 de junho de 2009

Abreviando II

Ao procurar opções para nos mudarmos para um lugar maior, alguém daqui me falou em HLM. Não sabia o que era. Descobri depois que era algo tipo residência popular.
Assim como o povo abrevia, na França parece que intelectuais, legisladores, governantes, etc e tal tem o hàbito de criar siglas para esconder, amenizar ou até mesmo embelezar certos termos. Pra complicar a cabeça do estrangeiro que chega aqui, jà não basta os TGV(Train à grand vitesse) pra falar do "trem bala", VTT(Vélo tout terrain) pra dizer mountain bike e até HS(Hors service) pra dizer que algo tà quebrado. Seguem alguns termos que conheço pra esconder a miséria alheia:
  • HLM (Habitation à loyer moderé) = Aluguel de COHAB. Aprendi essa semana ;)
  • IVG (Interruption Volontaire de Grossesse) = Aborto
  • SMIC (Salaire minimum interprofessionnel de croissance) = Salario mìnimo
  • SDF (Sans Domicile Fixe) = Sem Teto
  • PACS (Pacte civil de solidarité) = Documento pra o que minha mãe se referia como "amigado" e outros chamam de "amancebado"
  • OS (Ouvrier Specialisé) = Peão sem qualificação. Não tem nada de especializado. Puro "pipeau" (balela, demagogia, etc).
  • PVD (Pays en voie de developpement) = Paìs de terceiro mundo saindo da merda
  • RSVP (Répondez s'il vous plaît) = Esse não sei se é usado pelos figurões em documentos oficiais ou acadêmicos, mas serve pra economizar dinheiro em eventos. Pelo que sei, se usa no Brasil. Escreve-se isso no convite individual do evento (formatura, casamento, batizado, despedida, sacrifìcio de animal em cerimônia religiosa, etc), e se o convidado tiver a astùcia de saber o que danado significa RSVP ele responderà confirmando se vai ou não. Assim o povo do evento pode contar as cabeças pra encomendar a comida ao buffet na quantidade certa. Sugeri colocar essa sigla no convite de casamento da minha cunhada. Não sei se ela colocou nem se serà ùtil...
    "-Mãe, o convite de fulana veio escrito RSVP. Kéisso?"
    "-Sei não menina! Deve ser coisa em latim da igreja, igual naquela que tem INRI na cruz"
Vivendo e aprendendo. E como se aprende...
Serà que ensinam essas siglas na Aliança Francesa?

domingo, 19 de abril de 2009

Anglicismo na lìngua francesa. Très cool!

Na minha cabeça havia vàrios estereòtipos sobre a França e os franceses que tem sido quebrados à medida que vou conhecendo mais coisas por aqui. Um deles, que muita gente jà ouviu falar, é de que "na França abominam a lìngua inglesa e não admitem anglicismos". Li algo do tipo uma vez numa reportagem de jornal no Brasil, em que o jornalista dizia que o Brasil sempre pega emprestado vàrios termos da lìngua inglesa e que na França são bem resistentes à esse tipo de influência. Não é bem assim. Hà uma lei que obriga a tradução de anùncios com frases ou palavras em inglês não incorporadas (ainda) à lìngua francesa. Geralmente marcam a frase/palavra com um asterisco e na parte inferior do anùncio colocam a tradução.

Recentemente a informàtica trouxe bastante coisa pra lìngua portuguesa, especialmente no Brasil, onde somos mais "abertos" a tais influências e usamos, por exemplo, o termo "mouse" enquanto em Portugal é rato e na França é souris, ambos traduções de mouse. Criamos até o verbo "deletar" que, graças a uma outra reportagem bem informativa que li, não estaria tão errado, visto que delete vem do grego deleterios, que significa destruir. Falando em grego, aqui tem também uns anglicismos "denorex", que parece mas não é, tipo machine e bus, ambos vindos do latim.

Voltando à informàtica, os franceses possuem termos pròprios e traduções para vàrias coisas: mél (abrev. de messagerie éléctronique ao invés de usar email), disque dur (ao invés de harddisk/hd), logiciel (no lugar de software), pare-feu (firewall), etc. Entretanto, usam vàrios termos informàticos em inglês: crash, patch, boot, hardware, download (apesar de usarem bastante a palavra francesa téléchargement).

Existem anglicismos bem mais antigos, tipo a palavra stop, usada em placas* em tudo que é esquina francesa. Tem até verbo stopper.
Instituições falam em budget mas nao esquecem do planning.
Nos supermercados os carros ficam no parking e os produtos estão en stock.
Pra lanchar se compra hot-dog (com o "H" mudo), milk-shake e cheeseburger, ou senão come um steak e depois masca um chewing-gum.
Algo bacana é cool.
Bonde aqui é tramway, que abreviando ficou tram, e no de Grenoble tem aviso pra tomar cuidado com os pickpocket (batedor de carteira).
Calça jeans aqui virou jean (pronunciado "djin", pra não confundir com o nome pròprio Jean).
O football não se regionalizou como nosso futebol, aqui ficou foot.
Chefe aqui todo mundo chama de boss.
Palhaço é clown e o coringa do baralho é joker.

Acho que por aì praticamente esgoto meu vocabulàrio franco-inglês.

* A tal da placa com stop tem até em Portugal. Seria uma lei européia?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pizza, bolo ou queijo?

Este relato ocasional é uma baboseira aleatòria (ainda maior que o normal). Cultura fùtil inùtil. Não leia até o fim se não quiser perder tempo.

Quem nunca viu um "gràfico de pizza", ou até jà se aventurou a criar um no MS-Excel?

O nome é bem sugestivo, dada a semelhança a uma pizza. Mas sabia que em outros idiomas o pessoal vê outra comida ali?

Em inglês: Pie Chart. Os anglòfonos acham que o gràfico parece uma torta. Abaixo, uma torta de abòbora:

Em francês: Graphique Camembert. Um queijo. Coisa de francês mesmo... Segue uma foto do famoso camembert:
Em espanhol: Gràfica de Pastel (Bolo). Mas encontra-se também ocorrências de "Gràfico de Torta", que nem precisa traduzir. Jà se perguntou qual a diferença entre bolo e torta? Foto abaixo de um "Pastel de Almendras":


E para nòs, no bom e velho português brasileiro: Gràfico de Pizza.


Os gràficos são todos iguais, mas a comida é que muda de lìngua pra lìngua. Não sei se é hàbito, mas acho a pizza mais parecida mesmo...

*Novamente, devido ao AZERTY lamento pela troca dos acentos agudos pelos graves no texto.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Abreviando

Estamos desenrolando o idioma, mas ao meu ver, a lìngua francesa tem alguns problemas pra quem a aprende. Por exemplo, as consoantes. Os Z,T,R,S,X (e outras mais que não lembro) quando aparecem no fim da palavras, salvo as "liaisons" e outras exceções, nunca são pronunciados.

Coisas tipo toit (teto) e toi (pronome pessoal em 2a. pessoa) pronunciam-se da mesma forma: soa como "toà" em português. O plural é na mesma: ils (eles) e il (ele) pronuncia-se igual, sem dizer o "S". Precisamos da conjugação verbal e do contexto pra saber se é singular ou plural, tipo "ils vont au cinema" ou "il va au cinéma" pra saber quem vai pro cinema, se é um cara sò ou mais de um...

Outra dificuldade é o francês coloquial: cheio de palavras diferentes (ex: carro é bagnole, ao invés de voiture; dinheiro é poignon, fric, ao invés de argent) e abreviações...

Trabalho num labo (labô, transcrevendo a pronùncia para o português) ao invés dum laboratoire, usando um ordi (computador) ao invés dum ordinateur e como no resto (restô) ao invés do restaurant. Meus colegas me dizem bonapp ao invés de bon appetit. Periòdicos semanais são chamados de hebdo, ao invés de hebdomadaire.
O presidente Sarko é démago e megalo.
Big Mac se compra no McDo.
O prof da fac dà aula no amphi mostrando diapo (diaporamas=transparências).
Alguns estudantes dividem apartamento com colloc (collocataires).
Jà a CAF nos distribui allocs.
Os ados gostam de ir ciné mas também podem passar o dia em casa vendo télé.
Os écolos sò comem produtos bio.

Algumas abreviações presumo que sejam mais afeminadas (d'acc para dizer d'accord e comme d'hab para dizer comme d'habitude), pois nunca ouvi homem falar...

Bem, acho que jà forneci bastante info.

Mas não venham depois me dizer que tudo isso é coisa de pédé ("pêdê").