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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cançoes Infantis II

Acho que uma forma legal de curtir os filhos é virar criança de novo é brincar, rir, correr, cantar, se sujar, etc. Resumindo, virar criança com eles de novo. E falando em cantar, o fato de estar na França nos esta fazendo aprender um bocado de musica infantil que cantam aqui.

Ja falei em outra ocasiao aqui sobre cançoes infanti, e temos aprendido muitas musicas na creche onde fica nossa filha. Por sinal, estou editando um post sobre o sistema das creches aqui na França, mas ele ficara hibernando por algum tempo enquanto escrevo a tese.

Além da creche, nos servimos também do youtube pra ajudar a explorar outras musicas do "cancioneiro francês". Ontem minha esposa conseguiu achar uma cançao numa lingua "estranha" que cantam muito na creche, e que aprendemos "por osmose". Por sinal nossa filha adora e ja canta algumas palavras elaboradas como olelê e olalà. Pensavamos que era arabe (apesar dos sons das palavras nao terem cara de arabe) devido à forte presença de magrebinos aqui, mas nunca perguntamos de onde era. Na verdade é do Congo. Em encruzilhadas culturais como os paises da Europa é normal entrar em contato com culturas de diversos paises, mas nao achei que chegassem assim a tal ponto de incorporar na cultura infantil uma musica em um idioma africano. Muito legal isso. Na provincia de onde viemos o intercambio cultural que rola é com Paraiba e Alagoas :)

Aqui o link da musica para quem quiser ouvir: olélé moliba makasï.

PS: Eu so ia postar uma frase e o link. Preciso desse fluxo de palavras tecladas por minuto na minha tese.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Falar errado, mas falar um idioma

Semana passada eu estava no tramway e ouvi a conversa, em inglês, de um brasileiro com um alemao que estavam em pé, do meu lado. Um fato me chamou a atençao (e por isso a razao do post): o brasileiro disse que tinha vergonha de falar francês com nativos naquela lingua, pois ele comete muitos erros. Estranho pois no inglês ele estava cometendo alguns erros, mas tudo bem, nao estava falando com um nativo anglofono.

Acho esse o maior erro de qualquer um que queira aprender uma lingua. Deixar de falar com medo de errar. Como aprender sem errar? Sera que na escola esse cidadao sempre tirou dez em todas as disciplinas? Errar faz parte do aprendizado. Como tornar-se fluente sem praticar (e sem errar) ?

Fluência, sotaque e falar errado
Eh certo que alguns tem mais aptidao que outros pra aprender linguas, mas o que é que é ser fluente? E o sotaque? Nunca vi nem ouvi falar de CV constando "inglês fluente" nao diz "inglês fluente com sotaque feio" ou "inglês fluente com pronuncia boa mas sotaque feio" nem "inglês fluente mas com erros de gramàtica".
Fluente, ao menos pra mim, é aquele que tem o discurso que "flui". Sem "aaaaaaaaaaaaa" ou "ééééééééééééé" enquanto estao consultando o cérebro em busca da palavra. Pra chegar no discurso fluido é fundamental que o pensamento seja na lingua em que se quer falar. Ah, e tem o lance do sonho também: você chega a sonhar na lingua em que é fluente.

Fluente ou nao?
A grande chatice de faltar palavras no vocabulario é que você conta uma historia e dà pausas com perguntas aos seus interlocutores. Por exemplo, você começa contando uma historia:
Eu cheguei em casa mas, como é o nome daquela corrente que trava a porta na parede?
Pega ladrao
Pois é. Entao, eu cheguei em casa mas quando abri a porta o pega ladrao tava travado e eu estava sem a chave dele. Tive que subir por fora. Eu me pendurei na... Como é o nome da plataforma que sai da sala pra o exterior do prédio?
Varanda?
Isso, entao eu escalei subi pela varanda e abri a porta corrediça que nao estava travada

E entao? A pessoa contando a historia é fluente em português?
Mudemos um pouco o texto, e a pessoa diz uma frase bem gringa tipo "eu escalou varanda, abrir porta de vidro e entrar no casa sim problemas algum". Ele deixa de ser fluente?

Eu errar mas falar
Logo que cheguei, meu francês era pior e nem por isso eu nao fazia perguntas ao professor em sala de aula. Hoje eu faço reunioes em francês, dou aulas em francês e conto historias para meus amigos em francês. Eu sempre escorrego e concordo uns verbos errados aqui, outros ali, pronuncio umas palavras erradas e pergunto muitas vezes "como se diz isso". Nao tenho vergonha em errar, e até acho legal quando me corrigem. No meu CV nao tem "francês fluente com erros de pronuncia e conjugacao". Tem francês fluente. Eu falo, exprimo idéias e consigo narrar fatos. E de vez em quando ainda aparece sem querer palavra em francês no discurso em português (esquecer palavras é cientificamente comprovado).

Fica meu relato, e a dica de praticarem outra lingua, mesmo que errado. Nao tenham vergonha, como o cidadao do primeiro paragrafo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Embolada em francês

Ritmo norderstino importado por uma dupla de mùsicos franceses: Les Fabulous Trobadors (nome em Occitano). Talvez os primeiros emboladores cantando em francês... Versão européia de "Cajou et Chatagne" ou, ao pé da letra "Cajou et Noix de Cajou" ?
:)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Alguém gostaria de ir ao quadro?

Hoje tive mais uma reunião com a equipe da disciplina Banco de Dados, na qual sou monitor. Ouvi um comentàrio interessante (pelo menos para mim) que me chamou a atenção mais uma vez. Um dos membros da equipe disse: "a turma X participou bastante dos TDs (trabalhos dirigidos) e praticamente todos foram ao quadro".

Esse é um elemento pedagògico que na minha memòria reside na escola fundamental. Durante a universidade lembro-me de uma ou duas vezes do professor pedir para algum voluntàrio vir resolver o exercìcio no quadro. Como eu tenho um hiato de 3 anos de matrìcula trancada, talvez là nos fundamentos do curso os professores chamassem mais vezes (se é que chamavam) os alunos ao quadro.

Percebi este "hàbito pedagògico" aqui na França em outros dois momentos: 1) quando cursei as disciplinas do mestrado e algumas vezes o professor perguntava se alguém queria ir ao quadro durante os TDs; e 2) pelos comentàrios e discussões sobre o "ir ao quadro" no treinamento para monitores no fim do ano passado. Comentei com minha esposa outro dia e ela disse que também percebeu, pois nos TDs que ela tem no curso de Psicologia os professores também fazem o mesmo.

Estou ministrando Estrutura de Dados no CNAM (afiliado à Ensimag, instituição onde sou monitor) e tenho convidado aos alunos à irem ao quadro. Sempre são receptivos, e fazem questão de ir. Teve um que até falou baixinho, mas de um jeito que queria ser ouvido: "eu gosto de ir ao quadro". Não vou entrar nos detalhes pedagògicos do ir/não ir ao quadro, sair da zona de conforto, vantagens/desvantagens desta abordagem, etc. Como é normal aqui, estou aderindo à esta pràtica, visto que faz parte da formação dos estudantes. Em terra de sapo, de còcoras com eles. Provavelmente levarei esta pràtica comigo para onde eu for.

Deixo aqui registrada minha percepção deste fato particular, pelo menos em relação à minha formação.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Pizza, bolo ou queijo?

Este relato ocasional é uma baboseira aleatòria (ainda maior que o normal). Cultura fùtil inùtil. Não leia até o fim se não quiser perder tempo.

Quem nunca viu um "gràfico de pizza", ou até jà se aventurou a criar um no MS-Excel?

O nome é bem sugestivo, dada a semelhança a uma pizza. Mas sabia que em outros idiomas o pessoal vê outra comida ali?

Em inglês: Pie Chart. Os anglòfonos acham que o gràfico parece uma torta. Abaixo, uma torta de abòbora:

Em francês: Graphique Camembert. Um queijo. Coisa de francês mesmo... Segue uma foto do famoso camembert:
Em espanhol: Gràfica de Pastel (Bolo). Mas encontra-se também ocorrências de "Gràfico de Torta", que nem precisa traduzir. Jà se perguntou qual a diferença entre bolo e torta? Foto abaixo de um "Pastel de Almendras":


E para nòs, no bom e velho português brasileiro: Gràfico de Pizza.


Os gràficos são todos iguais, mas a comida é que muda de lìngua pra lìngua. Não sei se é hàbito, mas acho a pizza mais parecida mesmo...

*Novamente, devido ao AZERTY lamento pela troca dos acentos agudos pelos graves no texto.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Abreviando

Estamos desenrolando o idioma, mas ao meu ver, a lìngua francesa tem alguns problemas pra quem a aprende. Por exemplo, as consoantes. Os Z,T,R,S,X (e outras mais que não lembro) quando aparecem no fim da palavras, salvo as "liaisons" e outras exceções, nunca são pronunciados.

Coisas tipo toit (teto) e toi (pronome pessoal em 2a. pessoa) pronunciam-se da mesma forma: soa como "toà" em português. O plural é na mesma: ils (eles) e il (ele) pronuncia-se igual, sem dizer o "S". Precisamos da conjugação verbal e do contexto pra saber se é singular ou plural, tipo "ils vont au cinema" ou "il va au cinéma" pra saber quem vai pro cinema, se é um cara sò ou mais de um...

Outra dificuldade é o francês coloquial: cheio de palavras diferentes (ex: carro é bagnole, ao invés de voiture; dinheiro é poignon, fric, ao invés de argent) e abreviações...

Trabalho num labo (labô, transcrevendo a pronùncia para o português) ao invés dum laboratoire, usando um ordi (computador) ao invés dum ordinateur e como no resto (restô) ao invés do restaurant. Meus colegas me dizem bonapp ao invés de bon appetit. Periòdicos semanais são chamados de hebdo, ao invés de hebdomadaire.
O presidente Sarko é démago e megalo.
Big Mac se compra no McDo.
O prof da fac dà aula no amphi mostrando diapo (diaporamas=transparências).
Alguns estudantes dividem apartamento com colloc (collocataires).
Jà a CAF nos distribui allocs.
Os ados gostam de ir ciné mas também podem passar o dia em casa vendo télé.
Os écolos sò comem produtos bio.

Algumas abreviações presumo que sejam mais afeminadas (d'acc para dizer d'accord e comme d'hab para dizer comme d'habitude), pois nunca ouvi homem falar...

Bem, acho que jà forneci bastante info.

Mas não venham depois me dizer que tudo isso é coisa de pédé ("pêdê").

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Piada de brasileiro

Contaram pra mim, pela segunda vez, a mesma piada de brasileiro em menos de um mês. Fazemos piadas com português, judeu, turco (que por sinal foi um que me contou da segunda vez) e agora tive que ouvir piada sobre nòs ...

Sou meio ruim pra lembrar de piada, mas foi mais ou menos assim:

Dois franceses conversando, aì um fala pro outro:
- Fogo é o Brasil, né bicho? Lugarzinho que sò tem puta e jogador de futebol.
- Cara, minha esposa é brasileira...
- Ah é ?! Qual o time que ela joga?

Outras frases bizarras que o pessoal vive dizendo, tudo relacionado à (homo)sexualidade:
  • "O cara era um transsexual brasileiro"
  • "foi/vai fazer cirurgia de troca de sexo no Brasil"
  • "fazer uma cirurgia plàstica no Brasil"
  • "Colocar silicone no Brasil"
  • "um string brasileiro (fio dental)"
Tudo isso eu jà tinha escutado antes de Ronaldo aprontar aquela com a "senhorita" que ele pegou na rua e foi parar na delegacia.
Bem, aquela piada infame poderia ter sido pior...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bolinha de gude gigante


Quase 15:00 e estou voltando de uma pausa de almoço esticada. Em mais uma confra aleatòria da equipe aqui do lab, dessa vez rolou sanduìches, cerveja (e suco para os que não bebem :P ) e ...
pétanque!

Em plena terça-feira. Depois falam por aì que brasileiro não gosta de trabalhar :)

Eu sempre via o povo aqui jogando isso em praças e parques, e hoje joguei pela primeira vez. Bolinha de gude gigante. Momento nostàlgico que trouxe imagens da infância à tona (geralmente eu perdendo, hehehehehe).
E segue o intercâmbio cultural, sempre interessante.

domingo, 27 de julho de 2008

O milagre da transformação da vodka em vinho

Acho que todos os brasileiros que moram no exterior devem exercem um papel de cônsuls honoràrios e voluntàrios da cultura brasileira. Seja divulgando a mùsica, culinària, història, etc.
Fazendo minha parte, quando me junto em alguma festinha, confra, etc com a galera do laboratòrio, a caipirinha, nosso drink nacional, é de praxe e sempre bem-vinda por todos. Como o estoque de cachaça acabou, dessa vez foi com vodka, ou seja, saiu caipiroska.

Tinha limão demais e bebida de menos... Ficou mais limonada que caipirinha :)


Em dado momento, a vodka acabou e a ùnica bebida que restava era vinho tinto. Sacrificamos um vinho francês soh pra dar fim nos limões e saiu uma "caipivinho". Um primo pròximo da sangria, mas parente distante da caipirinha.