sexta-feira, 6 de maio de 2011

Fluxo

Alguém ja ouviu falar do Fluxo, de acordo com a psicologia?
Quem é programador vive isso todos os dias, e se o caro leitor programador ao final do post nao se identificar, nem nunca tiver vivido uma situaçao mental de "fluxo", sugiro mudar de profissao pois programar deve ser doloroso para você. Aos leitores nao-programadores, acredito que ja devam ter vivido situaçoes similares em tarefas que exigem concentraçao, como escrever (chat e email nao vale, ok?) .

Segundo o Wikipedia, o fluxo é
um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo, caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade. Proposto pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, o conceito tem sido utilizado em uma grande variedade de campos.
Alguns dos componentes do estado de fluxo:
  1. Objetivos claros (expectativas e regras são discerníveis).
  2. Concentração e foco (um alto grau de concentração em um limitado campo de atenção).
  3. Perda do sentimento de auto-consciência.
  4. Sensação de tempo distorcida.
  5. Feedback direto e imediato (acertos e falhas no decurso da atividade são aparentes, podendo ser corrigidos se preciso).
  6. Equilíbrio entre o nível de habilidade e de desafio (a atividade nunca é demasiadamento simples ou complicada).
  7. A sensação de controle pessoal sobre a situação ou a atividade.
  8. A atividade é em si recompensadora, não exigindo esforço algum.
  9. Quando se encontram em estado de fluxo, as pessoas praticamente "se tornam parte da atividade" que estão praticando e a consciência é focada totalmente na atividade em si.

Isso nao tem nada de exclusivo aos garotos e garotas que fazem programa (tô falando de software!). Quando eu trabalhava como programador. Perai, como desenvolvedor é mais legal. Ou melhor, Engenheiro de Software, para ficar bonito. Existe ainda um pseudo-posto de Engenheiro de Software metido a besta: Arquiteto de Software, mas eu prefiro ser um Engenheiro de Software que trabalha com arquiteturas :)

Bom, voltemos ao flow. Depois de alguns minutos concentrado no que estava fazendo, sem interrupçao, eu imergia de tal forma que na minha cabeça estava separado cada pedacinho do que estava fazendo. Sabe o Firefox com varias abas abertas? Seria algo proximo da explicaçao que posso dar de como ficam as coisas na minha cabeça. Talvez haja um exemplo melhor. Você roda o programa, da um errinho, nem precisa ler a mensagem pois rapidamente você lembra daquele apostrofo que digitou errado, ou o ponto e virgula que achava que faltou.

Quando o fluxo esta bom mesmo, consigo escrever codigo por minutos ou às vezes horas (bons tempos esses das horas a fio) , compilar e nao dar erro, executar e o negocio funcionar. De primeira. E quando nao funciona de primeira, você ja sabe ir direto ao ponto onde deu errado, pois tudo ta na tua cabeça. Quando entro no fluxo o envolvimento com o que estou fazendo é tao grande que podem até falar comigo e nao vou perceber, pois estou em outro lugar. Tem que gritar meu nome ou me catucar, pra me trazer de volta deste estado mental, do lugar que alguns programadores gringos chamam de "the zone".

Bem, hoje demoro para entrar no fluxo. As vezes horas. O contexto mudou. No laboratorio cada um trabalha no seu projeto e no seu ritmo. Ha muitas interrupçoes. Em casa tem um bebê pedindo atençao e é complicado entrar no fluxo.

Agora escrevendo a tese complica entrar no tal do fluxo. Agora ha pouco estava descrevendo na tese minhas implementaçoes, o capitulo que me permite entrar no fluxo mais facilmente pois de certa forma "revivo" o que programei e tenho que descrever aquilo de forma textual mais alto nivel, com diagramas, etc. La estava eu agora no fluxo, falando das dependências intercomponentes fizemos assim porque assado dava isso, patati patata. Minha filha, que cochilou logo depois do almoço, da uma sequencia de tossidas. Vou no quarto dela ver o que foi. Coloco a chupeta de volta na boca dela. Aproveito e faço um carinhozinho na minha bela adormecida :)

Volto para o computador. O fluxo foi embora. Tento escrever de novo, aos poucos os componentes aparecem de novo na minha cabeça, crio um exemplo na cabeça começo a descrever, lembro de um problema que nao tratei e tento começar a descrever antes que esqueça que problema era esse que nao tratei.
O telefone toca. Adeus, fluxo. De novo.

Volto para o computador, puto da vida por dois fluxos rapidamente "adquiridos" terem sido perdidos. Cadê o problema que ia começar a descrever? Esqueci! Fiquei mais puto ainda, e vim falar do fluxo aqui.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Algumas verdades sobre fazer doutorado

Vi esse post (em inglês, sorry) num blog que leio de vez em quando. Uma doutoranda (agora doutora) nos EUA falando das dificuldades dos caminhos de doutorando. Parece que é bem mais duro nos EUA.
Ela enumera alguns pontos cujo texto reproduzo aqui.
Dos 6 itens os 5 primeiros se aplicam a mim. O sexto ainda vai chegar, com o contexto adaptado ao Brasil.
  1. Money. Living as a graduate student is a type of painful, debt-incurring poverty. Many of those who stop do so because they can’t deal with being poor anymore, and they discover that they have options.
  2. Doing a dissertation is hard work. It isn’t impossible, and doesn’t require you to be a genius, but it DOES require you to be stubborn and play the game according to the rules of the academy. These rules apply nowhere else and are often detrimental to success in the “real world”.
  3. Most of this work is done on your own. While this was moderately easier for me as an experienced professional, it is still sometimes overwhelming and full of doubt. Then you get two cross-examinations by experienced people in your field who will grill you on all sorts of things, at least some of which you never considered and many not even care about. You are put through a confidence-destroying process in the hopes that you will come out strong and confident on the other side. Then they wonder why many people don’t finish and others graduate with“imposter syndrome”.
  4. There is little structure, which allows you to drift aimlessly for a long time. As I did, earning 12 extra research credits because I couldn’t pick a topic and changed my idea a half-dozen times.
  5. It is easy to feel that your work has no impact on the world. Especially because it doesn’t. Most of what is written by academics equates to a strange form of verbal masturbation that involves writing things few people will ever read about topics so specific that no one cares or so obvious to a practitioner that they make the writer sound too stupid to qualify for “Big Brother”. There appears to be a point during the dissertation process where that futility hits you, and you either have to muscle through it or walk away.
  6. It is usually at this stage that you find out what a starting associate professor gets paid, what you have to do to get one of those jobs (such as pack up your life and move to East Nowhere to work at Bottom-of-the-Barrel University), and just how much work goes into getting one of those jobs in the first place. [The academic hiring process is like nothing I have ever seen outside of the executive offices of fortune 500 companies, and even those places rarely go to the same extent or take half as long as a small department will take in hiring a lowly new prof.]

Achei otima a frase final do post dela. Tudo igual no meu caso, exceto que estao sendo 3 anos para mim (+ 1 do Master = 4) e enquanto ela ganhou 27 kg nesse processo, eu ganhei "apenas" 10kg.

"But that cookie cost 6 years of hard work, a great deal of stress on my marriage, 60lbs gained and a lot of a good bit of money"

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cançoes Infantis II

Acho que uma forma legal de curtir os filhos é virar criança de novo é brincar, rir, correr, cantar, se sujar, etc. Resumindo, virar criança com eles de novo. E falando em cantar, o fato de estar na França nos esta fazendo aprender um bocado de musica infantil que cantam aqui.

Ja falei em outra ocasiao aqui sobre cançoes infanti, e temos aprendido muitas musicas na creche onde fica nossa filha. Por sinal, estou editando um post sobre o sistema das creches aqui na França, mas ele ficara hibernando por algum tempo enquanto escrevo a tese.

Além da creche, nos servimos também do youtube pra ajudar a explorar outras musicas do "cancioneiro francês". Ontem minha esposa conseguiu achar uma cançao numa lingua "estranha" que cantam muito na creche, e que aprendemos "por osmose". Por sinal nossa filha adora e ja canta algumas palavras elaboradas como olelê e olalà. Pensavamos que era arabe (apesar dos sons das palavras nao terem cara de arabe) devido à forte presença de magrebinos aqui, mas nunca perguntamos de onde era. Na verdade é do Congo. Em encruzilhadas culturais como os paises da Europa é normal entrar em contato com culturas de diversos paises, mas nao achei que chegassem assim a tal ponto de incorporar na cultura infantil uma musica em um idioma africano. Muito legal isso. Na provincia de onde viemos o intercambio cultural que rola é com Paraiba e Alagoas :)

Aqui o link da musica para quem quiser ouvir: olélé moliba makasï.

PS: Eu so ia postar uma frase e o link. Preciso desse fluxo de palavras tecladas por minuto na minha tese.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Albergues

Este post esta(va) em modo ediçao ha dois anos. Reduzi o texto e ignorei detalhes que faltavam, senao nao sai nunca.

As coisas mais caras numa viagem, ao meu ver, sao o transporte (as passagens de aviao, principalmente) e hospedagem. Hospedagem é algo que pode inviabilizar viagens, dependendo do nivel de exigencia da pessoa. O meu é baixo: cama sem pulgas nem percevejos, banheiro (com chuveiro, sanitario e pia, por favor!), além de algo para manter o sono confortavel: aquecimento + cobertas quando estiver frio, ou ventilador/ar condicionado quando estiver quente. Nao ligo se o local nao tiver café da manha (ou pequeno-almoço, para os lusitanos). Nem ligo pra wi-fi, mas se tiver é bem vindo, claro. Nao estou brincando. Eu ja até viajei de Manaus a Belém, de barco e dormindo em rede. Detalhes aqui.

Ja a minha esposa tem niveis mais altos de exigência: cama confortavel, banheiro limpo, toalhas, roupa de cama branquinha, quarto sem cheiro de cigarro, bla bla bla. Nao sei se ela aguentaria a viagem do barco apesar de eu ter achado tranquilo o nivel de conforto, pois gosto muito de dormir em rede. Mas, voltando ao negocio da hospedagem, existe uma palavra que causa caras e bocas em brasileiros quando falo em uma otima e barata opçao de hospedagem na Europa e paises desenvolvidos em geral: ALBERGUES!
O quê? Albergue? Mas isso é coisa de mendigo, pobretao. Albergue é sujo e nojento.
Nao, senhor(a). Albergues (hostels) sao opçoes baratas de hospedagem, onde você possivelmente tera que dividir o quarto com outras pessoas, que é a principal desvantagem ao meu ver. Entretanto, se você viaja sozinho(a) é uma oportunidade de conhecer pessoas que estao visitando a cidade e trocar idéias sobre lugares onde visitar e de repente arrumar companhia para passear. Além disso, você tem momentos de convivência gente de outros lugares. O perfil das pessoas que fica em albergues é de gente jovem, de 18 a 30 (acabo de me excluir. Isso me torna velho?!), e a atmosfera desses lugares condiz com a faixa etaria.

Pros x contras
Ao meu ver, as principais desvantagens (que conforme o paragrafo acima, podem tornar-se vantagens)
- Divisao de area comum (banheiro, cozinha, mesas) com outras pessoas
- Risco, geralmente pequeno, de mexerem nas tuas coisas caso nao disponibilizem armarios com chave.

Algumas vantagens
- Preço baixo. Albergue varia, em média, de 15 a 25 euros por pessoa. Depende do pais, localizaçao, etc. Hotel é dificil achar diaria por menos 40 euros. Mas isso também varia de um pais para outro.
- Cozinha disponivel para preparar/aquecer sua propria refeiçao
- Em sua grande maioria sao instalaçoes modernas e limpas
- Geralmente bem localizados
- Permite economizar algumas vezes bem menos da metade do preço de uma hospedagem em hotel.
- Alguns fornecem café da manha e wi-fi gratis
- Pessoas para conversar (e dispostas a tal)

Um negocio bacana que os viajantes em casal podem fazer é procurar albergues com quarto duplo (duas camas apenas) ao invés de ficar em quartos coletivos de 4 a 8 camas. Certamente nesta ultima opçao você dividira com alguém e provavelmente ficarao separados se houver divisao de quartos homem/mulher.

Eu e minha esposa, sozinhos ou juntos, ja ficamos em varios albergues e praticamente nao temos queixa. Compilei uma breve lista de 11 cidades onde ficamos em albergues, mas alguns deles nao lembro o nome. A intençao nao é fornecer um guia de albergues, mas mostrar que estatisticamente para nos sempre valeu muito a pena o custo/beneficio:

Cingapura. Pelo que lembro foi a primeira vez que fiquei em albergue. The InnCrowd Backpackers Hostel que era muito legal. Atmosfera de mochileiros. Ar condicionado funcionava melhor na hora de dormir.
Porto - Portugal. Ficamos em um super albergue às margens do rio Douro. Quartos duplos tem vista para o rio. Acima da expectaviva.
Bruxelas - Bélgica. Fui duas vezes, uma com minha esposa e outra sem ela. Na primeira ficamos no Generation Europe, com quarto duplo e com café da manha legal. Localizaçao mais ou menos. Na segunda vez fiquei no 2GO4 Quality Hostel, com otima localizaçao, mas o albergue é um predio antigo (talvez fosse um hotel antigamente) reformado que ficou meio estranho como albergue.
Parma - Itàlia. Tudo novinho e ainda oferecem emprestimo (gratis!) de bicicleta.
Genebra, Lausanne e Zurich - Suiça. Tudo muito caro na Suiça, até albergue. Em Genebra e Lausanne eles dao direito a usar transporte publico de graça durante sua estadia (assim como qualquer outro hotel de la daria).
New York - EUA. Afastado da cidade, mas com infra boa.
Grenoble, Lyon e Paris - França. Fiquei no de Grenoble quando cheguei, meio afastado do centro mas tudo novo. Minha esposa foi nos outros dois com uma amiga que veio visita-la. Se nao me engano, apenas ouvi queixa do de Lyon.

Hotel às vezes sai mais barato
Mas é bom ficar de olho, pois às vezes hotel sai mais barato. Sempre olho nos sites hrs.com e hotels.com antes de fazer reservas. Por exemplo, se o quarto do hostel ta 18 euros/pessoa, o casal pagaria 36. Encontrando hotel por 40 quarto duplo, obviamente é melhor pagar a diferença. Em Nice, por exemplo, achamos pelo hrs.com um hotel de 35 euros quarto duplo com café da manha. Era inverno. Se fosse verao provavelmente nao seria menos de 50.

Hotel sem banheiro
Atençao às ofertas rede Formule 1, da Accor, é bem em conta mas normalmente fica afastado dos centros e no que ficamos em Paris NAO TINHA BANHEIRO. Era no corredor, banheiro coletivo, tipo albergue. Meu irmao ficou em um hotel dessa rede em Sao Paulo e falou que tinha banheiro. Deve ser lance de francês, provavelmente. Achei que foi uma roubada. Nesse caso, melhor hostel mesmo.


Espero ter clareado a imagem dos albergues para os que tem preconceito. Nao sei dizer como é no Brasil, pois nunca fiquei em um la. Mas, por onde passei sempre ficou boa impressao. Apesar de todas as vantagen$, agora com bebê a historia é outra. Albergue ja era. Aproveitem os que ainda nao tem filhos, pois viajar se hospedando em albergue ajuda a economizar uma grana boa que pode ser convertida em lazer ou alguma compra na viagem!

Mais informaçoes em:
Hostelling International www.hihostels.com
Reservas/buscas de hostels www.hostels.com

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Magnésio na agua

Advertência: Se você é daquele(a) que nao olha para tras depois que vai ao banheiro, pare aqui e nao leia o resto. O post esta relacionado com *merda*, no sentido literal.

Tento "manter o nivel" neste blog, mas estas informaçoes sao uteis para brasileiros que vivem na Europa ou que vao viajar para la. Vamos à merda entao:

Depois de passar duas semanas no Brasil meu intestino esta com dificuldades a retornar ao funcionamento normal. Nenhum problema la, pelo contrario, o negocio é aqui em Grenoble. Eu sou reloginho. Todo dia de manha bato o ponto la no Sr. Bocao e faço meu deposito. Mas a consistência ta avariada. Patezinho, sabe? Depois de um tempo de adaptaçao melhora, mas nunca fica igual a como é no Brasil. Desde que viemos morar aqui, ha quase 4 anos, ficou sempre assim. O meu organismo tem um intervalo fixo de 24 horas entre as visitas sentando ao banheiro. Hoje em dia preciso de mais tempo que isso "cozinhando" pra "obra" ficar no ponto. Lendo num site brasileiro sobre viagens, vi uma pessoa falando que teve um grande desarranjo intestinal por varios dias na Grécia e achava que era a comida. Depois descobriu que os indices de magnésio na agua de la sao altissimos em relaçao à agua consumida no Brasil. Magnésio em certas doses funciona como laxante. Explicado, nao é?

Em Grenoble a agua é considerada de alta qualidade e nao precisa de tratamento, apenas controle continuo da qualidade. Aconselham até para fazer mamadeira de bebê com agua direto da torneira. Ela é coletada no subterraneo no lençol freatico do rio Drac, que passa por aqui e provavelmente deve ser agua vinda dos Alpes, regiao de onde também se extrai a mundialmente famosa agua Evian (mas nao tao famosa quanto a Perrier). Além do magnésio (nao vi os niveis, mas faço a inferência graças ao intestino), a agua de Grenoble é rica calcario também. Pra ter idéia de quanto calcario tem, quando fervemos as mamadeiras de nossa filha elas ficam cobertas de um po branco depois de secarem. Portanto, ao vir à Europa (ou se ja esta nela), antes de culpar a comida por qualquer funcionamento incorreto do intestino, procure saber que tipo de agua esta tomando.

PS: Tentei até procurar o bendito site onde li isso, mas nem sinal. Esse link aqui fala da agua de Bonito, MS mas serve como referência sobre o magnésio e seus efeitos no intestino.

quarta-feira, 23 de março de 2011

De visita e assaltado

Estou em Porto de Galinhas, Pernambuco (meu estado natal!), como visitante para participar de um congresso que vai de 21 a 25 de março. Vou levar de lembrança na minha memoria um assalto à mao armada, que descrevo aqui.

A fome
Na noite da terça houve uma sessao de exibiçao de posters, seguida de uma apresentaçao de ritmos pernambucanos e logo apos algumas bebidas e salgadinhos. Nao deu pra encher a barriga. Eu e mais um pequeno bando de esfomeados decidiu ir ao centro de Porto de Galinhas para comer algo. Fomos pela praia, caminhando.

A abordagem
Por volta das 21hrs, depois de algo entre 5 e 10 minutos de caminhada, dois caras encapuzados com as camisas amarradas na cabeça passam correndo ao nosso lado mostrando uma arma e gritando para entregarmos o nosso dinheiro. Dois dos nossos colegas, um brasileiro e um francês, que estavam um pouco mais à frente nao perceberam e continuaram caminhando. O revolver era aparentemente velho, mas eu nao quis arriscar nem perguntar a ele se o revolver funcionava. Obedeci às ordens de ir ao chao, e como um babaca com as maos para cima fiquei de joelhos na areia.

O passo a passo
Anunciei cada passo como orienta a polìcia."Estou tirando a carteira aqui do bolso de tras", "estou tirando o relogio". O suiço que estava conosco perdeu 150 reais, e um iPhone. Os dois colombianos que "fechavam" o grupo tiveram cada um cerca de 100 reais roubados, e um deles entregou o relogio. Eles foram espertos (ou loucos) o suficiente de guardar os seus celulares. O ladrao ainda chegou a apalpar o bolso de um deles, mas era o bolso vazio. Ainda bem.
Minha carteira tinha cartao de crédito, cartao de senhas do Internet Banking, carteira de motorista do Brasil, carteira de estudante da França e miseros 3 reais, e um bocado de papel inutil que nao sei porque guardo na carteira.

A delegacia
Voltamos para o hotel do congresso, e combinamos de ir na delegacia. Corri para a pousada onde eu estava, liguei para cancelar o cartao de crédito e o cartao de senhas do Internet banking. Em seguida fomos à delegacia fazer o boletim de ocorrência (BO).

Chegando la, um policial nos atendeu muito bem, mas nao me convenceu de que era policial. Ele nos culpou pelo assalto, dizendo que deveriamos evitar aquele local trecho.
Perguntei se sao feitas rondas ostensivas da Policia Militar na praia para inibir assaltos. Ele se isentou da culpa e disse que nao tem nada a ver com isso pois é da Policia Civil. Também falou que nao podem ir atras dos ladroes pois é tarefa da PM. Nos falou para ligar para a PM, mas nao de la da delegacia. Que fossemos ligar de outro local.

Acusou imigrantes baianos e mineiros de terem aumentado a criminalidade. Disse que eles viem trabalhar nas empresas que giram em torno do porto de SUAPE, que esta em plena expansao. O pessoal complementa a renda roubando à noite, e no outro dia vao trabalhar.

Eu sabia que ir à delegacia nao nos faria reaver o dinheiro ou os pertences, mas eu estava preocupado em acontecer algum tipo de fraude com meu CPF que esta na CNH roubada. Imagino que o BO pode me livrar de problemas caso isso venha a acontecer.

Otima impressao as vitimas estrangeiras levarao do Brasil.

E o detalhe desta noite: nao jantei e fui dormir com fome.

Um sinal?
Podemos fantasiar fatos da vida e interpreta-los como "sinais". Seria este um sinal avisando para desistir de voltar para o Brasil e ficar na França? Ou seria um alerta dizendo "fica esperto que é isso que ta te esperando"?

Acho que foi apenas uma casualidade. Ja pensou? Ficar saindo de bobeira assim. Nao pode. Quando eu vier morar aqui de vez com a familia, vou tomar precauçoes:
-Arrumar emprego estilho home office, assim evito sair de casa e ser assaltado no transito.
-Contratar professora particular para nao ter que levar minha filha na escola, e correr o risco de ser assaltado.
-Pagar TV por assinatura que tem pay per view, entao nao preciso ir ao cinema nem na locadora. Assim evito de ser assaltado.
-Gradear o apartamento, pra evitar de ladroes entrarem pelas janelas
-Usar a Internet pra efetuar pagamentos de boletos, comprar coisas e pedir para entregarem em casa, até mesmo compras de supermercado. Nao quero correr o risco de sair e ser assaltado.
-Utilizar o Skype para me reunir com a familia ou para "tomar uma " virtualmente com os amigos. Afinal, em casa o risco é bem menor.

Posso até tentar sair de casa algumas vezes, mas antes disso preciso me preparar: vou juntar dinheiro e comprar um carro blindado, pois so assim conseguirei me sentir seguro no trânsito. E se eu sair à noite, vou avançar sinais vermelhos com cuidado, como a policia aconselha.

Engraçado como a policia ajuda ensinando a cometer infraçoes com cautela. Também ensinam a como ser vitima de assalto. Aprendi direitinho e nao aconteceu nada comigo quando fui assaltado. A policia ja nao precisa combater o crime, eles apenas nos orientam a lidar com ele. E se acontece algo, ele tentam nos conformar de que é assim mesmo e que somos todos impotentes em relaçao à isso. Hoje em dia eles tem tempo de fazer outras coisas mais uteis para seus interesses pessoais. Mas acho que eles cansaram de "policiar", afinal, policial também é cidadao e pode se indignar e cruzar os braços. Indignaçao com a falta de perspectiva dos menos favorecidos, que como alternativa para ganhar a vida vao roubar. Deixa os pobres coitados ganhar a vida, né? Afinal, nao conseguiram fazer nada por eles. Mas pensando bem, se for verdade o negocio dos trabalhadores que trabalham de dia e roubam de noite, o negocio nao tem jeito. O problema é safadeza mesmo.

Mas, o negocio é entrar na onda e se conformar. Estou ansioso para voltar e nao vejo a hora de morar na minha prisao domiciliar. Espero que ninguém me assalte por là.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Merde

Isso mesmo. Merde!
Essa é uma palavra especial na lingua francesa. Existe todo um vocabulario relacionado com a palavra merda.
Ouvi neste ultimo sabado um funcionario falando pro outro no Carrefour "Eles nao podem ficar 30 minutos sem você? Vai là, que eles se 'demerdam'" (ils se demerdent, em francês). Eu comecei a rir sozinho, pois eu gosto dessas palavras com o radical "merda" no francês. Lembrei de um bocado de palavras merdais, e vi que realmente ha um vocabulario vasto. A expressividade é imensa, além de divertida. Nao conheço tanta variedade "merdal" em português. Seguem exemplos (o tilde significando equivalência):
  • Se demerder: Se virar, "desenrolar a bronca". Démerde-toi ~ te vira.
  • Emmerder: Incomodar, encher o saco. Meu orientador m'emmerde com tanto pedido nada a ver que me faz.
  • Emmerdeur: Alguém que enche o saco. Esse cara é um emmerdeur.
  • Merdique: Algo de baixa qualidade. O cara fez uma tese merdique porque o orientador nao ajudou.
  • Merdier: Bronca. Cu de boi. Tô num merdier completo com tanta coisa pra fazer e os prazos estourando.
Apesar do radical nao ser merde, o verbo chier tem uma ligaçao importante com merda.
  • Faire chier: Ao pé da letra seria "fazer cagar". Denomina algo chato. Ter que testar todos os projetos dos estudantes pra poder dar nota é uma coisa que me fait chier. Tu fais chier ~ Tu enches o saco.
  • Chiant: Ao pé da letra seria "cagante". Coisa chata. Esse negocio é chiant. Putain! T'es vraiment chiant ~ Puta que pariu! Tu és chato pra caralho.
Merda pode vir na forma de verbo também:
  • T'as tout merdé ~ "tu cagou tudo" no sentido de fazer besteira.
Como no português, a palavra em merda em si é bem versatil para descrever varias situaçoes
  • Je ne peux pas travailler avec ce truc de merde ~ Nao da pra trabalhar com esta merda (algo de ma qualidade).
  • T'es dans la merde ~ Estas na merda, estas fodido.
  • C'est de la merde ce truc là ~ Esse bagulho aqui é uma merda.
Bom, vou concluindo por aqui esse post de merda e em seguida volto a escrever minha tese, senao eu tô na merda.

sábado, 5 de março de 2011

Bebês e o frio


Estamos no fim do inverno aqui no hemisfério norte. Nessa época a temperatura, aqui em Grenoble, fica em média entre 0°C e 10°C a maior parte do tempo. Eu (e boa parte das pessoas) sempre ando com saquinho de lenços no bolso pois tenho coriza durante todo o inverno. Doenças respiratorias como gripes, resfriados, bronquite, entre outras, sao muito comuns durante o inverno, inclusive nas crianças. Existe sempre um grande estado de alerta
em torno da bronquiolite, que afeta muitos bebês de até 3 anos.

Nossa filha, hoje com quase 14 meses, começou a ir para a creche desde setembro ultimo, e se contamina ainda mais com diversos tipos de microbios. Mamae e papai aqui sofrem junto, e estao sempre adoecendo "solidariamente". Com pouco tempo de vida, e graças ao Sr. Inverno, minha filha tem uma cesta com mais de uma duzia de remédios pra doenças deste gênero. Falei em outro post sobre a otite que ela teve em dezembro.

Talvez o pessoal do Sul do Brasil, e até mesmo do Sudeste, esteja acostumado com tudo isso, pois os invernos là sao mais rigorosos que o Nordeste, onde apenas chove e faz "frio" de 23°C no litoral. Pelo menos para nos, animais tropicais criados no calor escaldante, algumas coisas das coisas a seguir sao bastante curiosas:
  • Vitamina D: Isso eu aprendi na matéria de Ciências, na escola primaria. Para estimular o desenvolvimento osséo e evitar raquitismo precisa-se dar vitamina D aos bebês. Uma alternativa é dar banho de sol no bebê quando os raios UV ainda nao estao tao intensos (inicio da manha ou fim da tarde). Os raios solares ativam nao sei o que no organismo, e a criança nao precisa de vitamina D. Foi assim que fazem na minha terra, e ninguém precisa de vitamina D. Mas se estiver muito frio, o bebê tera muita roupa e nao receberà os raios solares. E agora? Ja respondi, né? Taca vitamina D na criança. Minha filha toma vitamina D desde que nasceu. Apenas teve uma pausa de uns 5 meses quando o clima esquentou.
  • Banho: Assunto complicado para discutir com europeus. Afinal, o habito do banho diario é coisa de americanos (do norte, central e do sul). Herdamos isso dos indigenas.
    Nosso bebê apresentou eczemas. Existem inumeras causas de eczemas, mas nossa pediatra perguntou sobre os habitos de banho do bebê. Conselhos
    1. Quantidade. Minha esposa falou que eram dois ao dia. A pediatra arregalou os olhos e disse que estava errado. Talvez fosse costume de nosso pais de origem devido ao calor, mas no inverno deveriamos reduzir a quantidade para no maximo, um por dia. Ao tomar banho removemos as secreçoes da pele que servem para protegê-la. No calor, a secreçao é mais intensa que no inverno. Logo, tomar muito banho no inverno deixa a pele desprotegida visto que se transpira menos.
    2. Temperatura. Deixar a agua em torno de 36°C ou 37°C. Agua muito além disso tende a ressecar a pele e remove ainda mais a proteçao.
    3. Enxugar. Enxugar sem esfregar, pra nao tirar a bendita proteçao. Atençao para os adultos: aquele negocio de jogar a toalha por tras das costas, segurar uma ponta com a mao esquerda e outra com a direita, e em seguda puxar de um lado para o outro na intençao de enxugar o dorso, ja era. Você esta retirando o grude protetor das suas costas. Nao enxugue. Deixe a camisa tirar o excesso com o atrito do dia a dia. Mas nao use camisa branca, pra nao denunciar o grude fugitivo.
  • Temperatura ambiente: Para bebês, manter o quarto a 18°C ou 19°C. Existe aquecimento nas residências, além de muitas possuirem isolamento térmico. As janelas sao "acochadinhas" pra nao deixarem entrar o frio (nem sair o calor). Tem até janelas mais moderninhas com vidro duplo, pra manter isolamento. Enquanto ta fazendo 0°C la fora, estamos confortaveis dentro de casa com os 20°C a 23°C que geralmente fica (observem na foto do post a incompatibilidade do clima exterior e a roupa da nossa filha). Até da pra esquentar mais, so que eu acho desconfortavel pois começo a transpirar. Minha esposa acha 18°C muito frio, mas eu acho bom. Qualquer coisa, se agasalha. A casa pode até ficar na casa dos 20 durante o dia, mas o quarto onde o bebê dorme deve ter a temperatura de 18 ou 19°C. A pediatra disse que as crianças precisam sentir um pouco de frio para dormirem bem e também para que o corpo seja estimulado a produzir defesas contra doenças do inverno, bla bla bla. Além disso, os choques térmicos de entrar em lugar quente, sair pra lugar frio e vice-versa, fazem mal mesmo que estejamos agasalhados. O conselho foi, ao sai agasalhar bem, e deixar as bochechas e nariz expostos para que o corpo saiba que esta frio.
Minha esposa vive reclamando - entre outras coisas :) - da quantidade de roupas que tem que colocar na nossa filha quando ela precisa enfrentar o frio. Mas tem tudo adaptado por aqui: saco térmico para carrinhos de bebê, combinaçoes (foto abaixo). Talvez a mobilidade nao seja a ideal, mas da pra ficar quentinho (exceto aquele friozinho congelante nas bochechas e nariz). O ser humano tem uma capacidade de adaptaçao incrivel. Mesmo se o corpo nao se adapta, desenvolvemos equipamentos e técnicas para facilitar essa adaptacao. Talvez toda essa adversidade do frio fez o homem europeu exercitar essa adaptabilidade todos os anos, durante milênios, criando sociedades bem mais avançadas que as das regioes quentes do planeta. Ja li alguma vez que como nos invernos ninguém saia, pois nao tinham o que fazer (na época nao tinha TV nem Internet), eles ficavam em casa desenvolvendo suas invençoes, escrevendo, pintando, desenvolvendo praticas de sexo sado-masoquistas pra sair do tédio, etc. Que tal umas nevascas no Brasil pra ver se o povo inventa algumas coisas uteis ?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Seguro Saùde na França IV

Falei no mês passado sobre atendimento no exterior, que é reembolsado pelo seguro saùde francês.
Repetindo o que escrevi:

Liguei e perguntei se os 205 euros seriam reembolsados 100%. Falaram que iam "estudar o dossiê" mas provavelmente seria reembolsado se apresentasse todos os documentos necessarios (recibo, boletos de viagem e formulario preenchido) visto que os gastos de urgência sao cobertos até mil euros.

Recebemos o reembolso na semana passada. Como o reembolso é feito com base nas tarifas em vigor na França, eles colocaram o valor da consulta de urgência daqui. Nao lembro se a mulher com quem falei ao telefone tinha dito 40 ou 60 euros. Ao final, com essa tarifa e o valor dos medicamentos que foram administrados no hospital, o reembolso foi quase 1/3 do valor total cobrado na Espanha.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Visita ilustre

Hoje veio aqui em casa o Conselheiro Geral do departamento de Isère, M. Denis PINOT, pedindo voto para sua reeleiçao. Nao conheço quase nada de politica na França. Nem mesmo os politicos. Sei que o presidente é Sarkozy, o primeiro ministro é Fillon, e que tem um politico chamado Le Pen que odeia estrangeiro. Depois um ou outro gato pingado.

O Monsieur PINOT se apresentou como membro do Partido Socialista (o logo, igual ao do PDT, vem daqui) anunciando quem era mas meu semblante nao se alterou. Ele tirou um jornalzinho da pasta e disse "'voici' um folheto para você saber de que se trata". Tinha a cara dele estampada no jornalzinho. Isso apenas me tirou a impressao inicial de que ele fosse mais um vendedor. Ele fez seu blabla rapidamente, e eu expliquei que achava interessante mas nao poderia votar e falei que nao era francês. Ele se fez de espantado e disse que nao parecia pois meu sotaque nao deu pra perceber isso. Mentiroso (politico, né?), pois esse semestre tive uma aluna que se queixou nesse semestre do meu sotaque que era dificil de entender algumas coisas. Ao perguntar minha nacionalidade, M. PINOT falou que o prefeito de Grenoble, Michel DESTOT tem um filho que casou com uma brasileira e que foi morar la no Brasil. Se eu nao tivesse dito pro "Seu Pinô" que ia voltar pro Brasil depois que terminar a tese, poderia ter mostrado pra ele o bom espirito brasileiro de trambique e troca de favores dizendo algo do tipo "se eu der entrada na nacionalidade e o senhor facilitar e acelerar meu processo, tem meu voto garantido". Fica pro proximo candidato que aparecer aqui, caso nossa casa entre na escolha aleatoria dele.

Conselho Geral?
A divisao politica da França é meio diferente do Brasil. A França tem 27 regioes, subdivididas em 101 departamentos (antigamente eram 96). Depois disso nao entendo nada. Um departamento tem arrondissements, cantoes e communes (pode ser um pedaço de uma cidade, uma cidade ou varias cidades). Fui ver no velho amigo wikipedia o que era esse tal de Conseil Général e o que M. PINOT faz. Até mesmo no wikipedia nao sabem bem explicar a definicao de Conseil Général:
"Le terme « conseil général », difficile à comprendre aujourd'hui..."
La dizem que esses conselhos gerais sao responsaveis por açao social, transportes, educaçao e desenvolvimento local para cada departamento. Nao seriam o equivalente a deputados, pois eles nao sao poder legislativo. Além disso existem os deputados de cada departamento. Apesar de Grenoble fazer parte do departamento de Isère, o presidente do Conselho Geral ganha menos (1876 €) que o prefeito de Grenoble (5400 €). Continuo sem entender bem a divisao de responsabilidades aqui, mas nao tenho interesse em me aprofundar muito nisso.

A questao que achei curiosa é que nunca recebi politico em casa no Brasil, e nem sei se eles fazem esse tipo de contato individual. O que vejo no Brasil sao caminhadas, e visitas em areas carentes onde é facil "trocar" o voto por promessa de obras. Outro detalhe é que, depois de quase 4 anos aqui nunca vi movimentaçao de campanha politica, bem diferente do espalhafato no Brasil. Segundo o site do Ministère de l'Intérieur, desde 2007 (quando chegamos) houve diferentes eleiçoes aqui. Nunca vimos movimentaçao politica nas ruas, nem camisas, nem banners, nem comicios. Nao sou muito de ver TV, entao nao sei dizer se rola horario politico ou debates. Para presidente sei que tem, e assisti no Brasil pela TV5 Monde um debate de Sarkozy e Royal (nao entendi muita coisa na época pois estava engatinhando na lingua francesa).

Monsieur PINOT, nao vou votar no senhor, mas seu nome nunca esquecerei por ser o mesmo da famìlia da variedade de uva que faz os meus vinhos favoritos: pinot noir, da Borgonha, e as pinot gris e pinot blanc da Alsàcia. Além disso nunca esquecerei a visita de um politico em minha casa, coisa que nunca aconteceu nem sei se acontecera morando no Brasil. Pode até ser alguém com intençoes de se beneficiar da maquina publica, mas esse contato cara a cara nos permite saber quais as intençoes do cidadao que supostamente deve representar o povo, dando oportunidade de debater pessoalmente com quem eu poderia confiar meu voto, fazendo perguntas e esclarecendo minhas duvidas. Podendo conhecer e ver realmente quem é e o que pretende o candidato. Mas se for Tiririca quem bater na minha porta um dia fica dificil. Se eu perguntar sobre seus projetos, ele nao sabe nem quais sao. Acho que pediria pra ele contar umas piadas ou cantar "Florentina" porque isso com certeza ele sabe, e sera bem mais interessante.