domingo, 28 de setembro de 2008

Bruxelas: capital bilíngüe e museu dos quadrinhos

Bruxelas é a capital da Bélgica, e sede administrativa da união européia. Na verdade a capital formal da união européia muda de seis em seis meses de acordo com o país "regente" (no primeiro semestre era Ljubljana, Eslovenia e agora é Paris, França), mas creio que pode-se dizer que a capital de fato da UE é Bruxelas.

A Bélgica tem o francês e neerlandês como línguas oficiais. O país é basicamente dividido em duas regiões: Wallonie (francês) e Flandres (neerlandês). Até aí tudo bem, a Suíça por exemplo tem três idiomas oficiais: Alemão, Francês e Italiano, e ainda tem uma tal de língua Romansch que nem sei se é oficial.

Mas em Bruxelas é bem particular esse aspecto da língua. Todas as placas oficiais são em francês e holandês. Outra informação interessante que não sei se chega até o Brasil é que enquanto as 3 Suíças aparentemente vivem na paz, na Bélgica rola uma briga política para tornar Flandres independente. Nada violento como o separatismo do país Basco, na Espanha, mas existe esse movimento.

Fico por aqui nas minhas observações políticas e culturais, e deixo à mostra fotos que registram este fato um tanto curioso para nòs, com imagens das placas com francês na primeira linha e o mesmo aviso em neerlandês embaixo.








Museu dos Quadrinhos


Apesar de ter ficado à trabalho por dois dias, tive tempo de ir ao Musée de la bande dessinée, que reùne obras dos principais desenhistas belgas de quadrinhos. Nòs brasileiros devemos conhecer mais os que viraram desenhos animados exibidos no Brasil: Smurfs (em francês chamados de Schtroumpfs), que passava na Globo, e Tin tin, exibido na TV Cultura.

O museu é bem interessante e dà vàrias informações sobre o processo de criação de quadrinhos, curiosidades sobre os personagens, épocas e estilos dos quadrinistas belgas, etc. Vale muito a pena visitar, especialmente para quem gosta de quadrinhos. Se o cidadão turista não tiver interesse, que và então tomar algumas das 400 diferentes cervejas belgas.

sábado, 20 de setembro de 2008

Sósia



Fomos ao museu de Grenoble hoje, e me espantei ao olhar para um quadro. Achei bastante familiar, me lembrando um cara que eu via no espelho no inverno passado :)
Fiquei calado. Depois que minha esposa viu, perguntou pra mim "o que é que tu tà fazendo ali na parede?"
Tirei uma foto (sem flash, claro) pra guardar de lembrança.

Confesso que não curti muito essa mãozinha na cintura...

Dados da obra:

Autoretrato, óleo sobre tela
Ary Scheffer
França, 1830
118 x 90 cm
Museu de Grenoble

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Capisco un po di italiano

Estive em uma conferência na Itàlia, e passei quase uma semana là. Comecei a arranhar italiano, li rapidamente um guia de sobrevivência que minha esposa comprou no Brasil, com frases ùteis em vàrios idiomas, e consegui alcançar um "nìvel elevado" com uma linda frase avançada na ponta da lìngua: "Io vorrei un café per favore".

Disse pra ela que eu ia tentar uma frase tipo "como chego em tal lugar", eu não iria entender a resposta se invés de "và em frente, dobre à esquerda etc etc" fosse bem fora do padrão tipo "siga direto depois do semàforo, ao chegar na oficina do Zé, dobre a direita, e verà uma auto-escola, serà do outro lado da rua".

Falo inglês, mas não vejo muita graça chegar num paìs de lìngua latina e ficar querendo me comunicar em inglês. Usaria-o como ùltimo recurso. Acho que se dà pra tentar comunicar-se na lìngua nativa, por que não tentar? Agregaremos um pouco de cultura, alguns podem dizer cultura inùtil, mas eu adoro esse tipo de cultura :)

Por ser do grupo de lìnguas românicas, vulgarmente conhecido como lìnguas latinas, acho que daria mesmo pra desenrolar e seria divertido. Dizem que quando você sabe dois idiomas, aprender o terceiro torna-se mais fàcil. Eu ratificaria isso. Quando você sabe dois idiomas com similaridades, e de preferência da mesma famìlia, aprender um terceiro fica mais fàcil. Falo espanhol, francês e umas dezenas de palavras em romeno (sim, romeno é lìngua latina!) e chego à outra conclusão: você mistura tudo, se enrola com falsos cognatos, etc, etc. Por isso milhares ou milhões de brasileiros falam "portunhol" e pensam que falam espanhol, colocando no seu CV com muito orgulho o nìvel avançado de fluência em espanhol :)
Ràpido teste do seu nìvel de portulhol/espanhol: O que é cuello, basura, engrasado e embarazada?
*Resposta no final do post.

No primeiro dia não quis perder tempo e na hora de chegar na recepção e pegar a chave do quarto, fui logo falando em inglês pra não perder tempo. A diversão com meu idioma "portunhano" seria na rua. A inferência tinha começado cedo. Nas estações de trem, sempre avisos proibindo cruzar os trilhos: "vietato traversare i binari". Inferência 1:
- Vietato = Vetado, logo, vietato é proibido

Anùncio na rua que não esqueci: “paghi uno e prendi due” .
- Prendere = Prendre (pegar, levar, em francês. Equivalente ao "to take" do inglês)

Começou a ser vàlido o negòcio da terceira lìngua. Olha o francês ajudando a aprender italiano :)

Chego num supermercado pra dar uma olhada nos produtos locais e levar uma cerveja local, Moretti. Uma segurança na porta do supermercado estava colocando as sacolas dos clientes dentro de um saco plastico lacrado para que pudessem entrar. Eu estava de mochila, então passei por ela e, apontando pra minha mochila, soltei meu "fluente" italiano: "questo va benne?". Como eu temia, ela respondeu fora do meu script esperado "si" ou "no", e disse uma frase que eu forcei a barra e pensei ser uma resposta positiva. Ao entrar ela me chamou a atenção, e concluì que a resposta havia sido negativa. Ùltimo recurso: inglês. "Do you speak english?" e ela foi dizendo que eu teria que deixar a mochila.

O segundo dia jà estava melhor, conseguia comprar tudo falando italiano: "Quanto?", "Per favore", "Grazie". Crente que estava sabendo pra caramba. Aos poucos, diàlogos profundos, com linguagem erudita, de dar inveja à Dante Alighieri: "Questo bus va a stazione centrale?". O motorista responde: "vicino". Mais uma inferência:
- Vicino = Vizinho, Pròximo.

Na conferência queria ir no banheiro, então embolei um espanhol italianado pra perguntar: "Il bagno per favore".
-
Baño (em espanhol) = Bagno (em italiano) :)

Super método de aprender coisas tão òbvias. Que genial...

O plural das coisas eh bacana (ou não), acho que é igual ao latim:
- Prodotto -> Prodotti
- Prezzo -> Prezzi
- Piatto -> Piatti

Entretanto, me enrolei pra perguntar num lugar que horas fechava, tentei utilizar o verbo "fermer" do francês, não deu. Gestos com as mãos. Descobri que o verbo era "chiudere". Fermare em italiano significa parar. Falso cognato, mas se forçarmos a barra tem alguma coisa a ver.
- Chiuso = Fechado...

Cadê a semelhança? Bom, nem tudo são flores.

Pois è, assim foi durante todos os dias, cada vez menos com inglês, e meu italiano indìgena dizendo coisas que soariam em português como "eu comer carne com massa. beber um vinho". Mas era divertido. Assim como ouvir os garçons, caixas, atendentes, te receberem com a linda frase: "Prego?" depois você agradece e te respondem "Prego!". Bem pràtico, tipo "Ciao", que você fala quando chega e quando vai embora.

Falei com um amigo do Brasil pelo gtalk eu uma tarde durante a conf e ele me disse uma frase em italiano que me agregou uma nova palavra no vocabulàrio: "freddo" (frio). à noite eu jà consegui usar a palavra. No jantar da conferência estava numa mesa com brasileiros e portugueses que estavam na conferência e um cara reclamou do vinho quente e não conseguia explicar para a mulher que nos servia, que não falava inglês. Mandei a nova palavra numa frase provavelmente indìgena: "questo vino è caldo, no è freddo", ela explicou que o vinho tava quente porque era vinho tinto, não é pra tomar gelado. Depois trouxe um espumante gelado, sobras da degustação de queijo e presunto que houve antes, e disse que os funcionàrios do buffet haviam separado o que sobrou pra levarem pra casa :)
Entendi isso, mas ela disse muito mais coisa. Pobrezinhos dos funcionàrios. Reduzimos a fraude deles.

Quando fui buscar minha esposa na estação, depois de alguns dias na Itàlia, eu jà sabia bastante italiano, acho que ela ficou impressionada por que fomos comer uma pizza e tomar uma cerveja e comprei tudo usando um italiano avançado, com auxìlio do dedo indicador (sempre nè? ). Nos outros dias conversamos com vendedores, pedìamos informações na rua. O povo sempre falando uma tonelada e eu entendia um kilo. Acho que eles são prolixos, falam, falam, falam e não dizem nada. Ou então eu não sei tanto italiano assim. Eh. Acho que eles são prolixos mesmo, afinal, eu estava falando italiano avançado e conseguia comprar coisas na rua :)

Gostaria de ir à Marrocos um dia. Tirando as palavras do português e espanhol começadas com Al (algodão, alcool, almofada, etc), agregadas ao espanhol e ao português durante a presença dos mouros na penìnsula Ibérica, o àrabe não tem tanto a ver com nossa lìngua. Ainda bem que em Marrocos muita gente fala francês...

* Aos fluentes em portunhol: cuello não é um animal, significa pescoço. Basura não é vassoura, é lixo. Engrasado não tem a menor graça, significa algo sujo de gordura (grasa) e embarazada é gràvida :)

domingo, 17 de agosto de 2008

Zebra do campeonato francês


O time de futebol daqui de Grenoble, o GF38, subiu pra primeira divisão francesa e està surpreendendo. É atual lìder isolado do campeonato francês e destaque nas manchetes de jornais.

Ok, é a segunda rodada do campeonato...

O Nàutico fez parecido no brasileiro esse ano, mas agora està correndo da zona de rebaixamento, enquanto o glorioso Sport começou por baixo mas não passa do nìvel mediano. Pelo menos não estamos tão perto do pelotão de baixo :P

O pròximo jogo do Grenoble é contra o Lyon, que vem papando o campeonato francês desde 2002. Acho q a festa "grenobloise" acaba aì. Agora com o Grenoble na primeira divisão as pessoas vão começar a ouvir falar menos raramente da cidade onde estamos :)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Piada de brasileiro

Contaram pra mim, pela segunda vez, a mesma piada de brasileiro em menos de um mês. Fazemos piadas com português, judeu, turco (que por sinal foi um que me contou da segunda vez) e agora tive que ouvir piada sobre nòs ...

Sou meio ruim pra lembrar de piada, mas foi mais ou menos assim:

Dois franceses conversando, aì um fala pro outro:
- Fogo é o Brasil, né bicho? Lugarzinho que sò tem puta e jogador de futebol.
- Cara, minha esposa é brasileira...
- Ah é ?! Qual o time que ela joga?

Outras frases bizarras que o pessoal vive dizendo, tudo relacionado à (homo)sexualidade:
  • "O cara era um transsexual brasileiro"
  • "foi/vai fazer cirurgia de troca de sexo no Brasil"
  • "fazer uma cirurgia plàstica no Brasil"
  • "Colocar silicone no Brasil"
  • "um string brasileiro (fio dental)"
Tudo isso eu jà tinha escutado antes de Ronaldo aprontar aquela com a "senhorita" que ele pegou na rua e foi parar na delegacia.
Bem, aquela piada infame poderia ter sido pior...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bolinha de gude gigante


Quase 15:00 e estou voltando de uma pausa de almoço esticada. Em mais uma confra aleatòria da equipe aqui do lab, dessa vez rolou sanduìches, cerveja (e suco para os que não bebem :P ) e ...
pétanque!

Em plena terça-feira. Depois falam por aì que brasileiro não gosta de trabalhar :)

Eu sempre via o povo aqui jogando isso em praças e parques, e hoje joguei pela primeira vez. Bolinha de gude gigante. Momento nostàlgico que trouxe imagens da infância à tona (geralmente eu perdendo, hehehehehe).
E segue o intercâmbio cultural, sempre interessante.

domingo, 27 de julho de 2008

O milagre da transformação da vodka em vinho

Acho que todos os brasileiros que moram no exterior devem exercem um papel de cônsuls honoràrios e voluntàrios da cultura brasileira. Seja divulgando a mùsica, culinària, història, etc.
Fazendo minha parte, quando me junto em alguma festinha, confra, etc com a galera do laboratòrio, a caipirinha, nosso drink nacional, é de praxe e sempre bem-vinda por todos. Como o estoque de cachaça acabou, dessa vez foi com vodka, ou seja, saiu caipiroska.

Tinha limão demais e bebida de menos... Ficou mais limonada que caipirinha :)


Em dado momento, a vodka acabou e a ùnica bebida que restava era vinho tinto. Sacrificamos um vinho francês soh pra dar fim nos limões e saiu uma "caipivinho". Um primo pròximo da sangria, mas parente distante da caipirinha.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

22 minutos para cancelar um cartão de crédito

Um absurdo!!!

Acabo de cancelar meu cartão Santander Smiles Varig.
Tenho que ficar explicando pros adestrados là do atendimento o porquê do cancelamento.
  • Não estou no paìs.
  • Tà complicado pra eu pagar as contas à distância.
  • Tenho outros cartões de programas de milhas, blablabla.

Ok, peraì.
Por quê explicar tanto?

Perdi minha paciência.

Depois de 22'34" consegui cancelar o cartão, com direito ao estorno dos valores do "seguro anti-roubo".
Resumo do pequeno drama:
1. Fui atendido por uma gravação, como sempre...

2. Precisei verificar o saldo, e intencionalmente/impacientemente digitei opções erradas varias vezes pra falar com um "humano" (zero zero nove funcionou)
3. Fui atendido e digo que quero cancelar o cartão. Transferência de ligação para "o setor responsàvel".

4. O atendente insistente me diz que é importante ter o cartão pro caso de uma emergência, etc e tal. Ele vai estornar o valor do seguro que estava sendo cobrado no cartão e iria parar de cobrà-lo. Pensei: "Obrigado, cidadão. Vou dar uma chance para tua empresa". Doce ilusão minha. Ele transfere a ligação pro departamento do seguro do cartão.
5. A senhorita me diz que pode estornar o valor do seguro que continuaram cobrando durante a inatividade do cartão, mas no outro mês continuariam cobrando. Perco a paciência, e digo que não quero mais o cartão. Vou cancelar. Transferem a ligação pro setor de cancelamento...

6. Depois de eu confirmar meus dados pela testiculésima vez, a outra senhorita argumenta com seu texto padrão porque eu deveria ficar com o cartão. Digo vàrias vezes que quero cancelar, e a nobre guerreira continua insistindo em seus argumentos.
Perco a paciência e digo: "NÃO SEI QUAL PARTE DA FRASE VOCÊ NÃO ENTENDEU. A FRASE É: 'EU QUERO CANCELAR O MEU CARTÃO!' ". Alguns segundos de silêncio. Talvez a senhorita queria me mandar tomar malibu, mas ela desistiu de todos os argumentos, manteve a "politesse" e disse: "Ok senhor. Anote o nùmero do seu protocolo".


Consegui. Haja paciência!
Viva o
VoIP, senão esses 22 minutos iam me quebrar!

E pra completar, a Varig insistiu em prorrogar os vôos , mas està parando de voar pra Europa...
Alguém quer comprar milha aì ?

sábado, 12 de julho de 2008

Brasil x França

Agora que passou o sufoco estou com tempo pra ver TV :)
Pela primeira vez assisti a um jogo do Brasil por aqui. Estava "zapeando" a TV e estavam exibindo Brasil x França pela liga mundial de Volley, em Belo Horizonte.
Achei engraçado o que o comentarista falou de Bernadinho ele reclamou da perda de um matchpoint: "O time està prestes a ganhar e Bernardinho nunca està satisfeito".
Em outro post falarei um pouco sobre a perspectiva que pode-se ter do Brasil vendo-o do lado de cà, sem contar com o ponto de vista esportivo...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Eu sou brasileiro e não desisto nunca

Até o presidente jà falou isso. Agora é minha vez de usar jargões batidos para expressar minha alegria.
Quem ri por ùltimo ri melhor.
Quem colhe planta.

A pequena longa història de meu trajeto iniciou-se hà um ano e meio. Decidi que precisava mudar, mas se mudasse de emprego ia ficar na mesma, apenas num emprego diferente. Enquanto pesquisava para a monografia da pòs da UEA, bateu vontade de experimentar um pouco o mundo da pesquisa acadêmica. Venho de universidade particular, e tive que estagiar e trabalhar pra ajudar minha mãe a pagar as mensalidades, e com o tempo ir assumindo totalmente o gosto salgado do estudo privado. Na hora da iniciação cientìfica, optei por um estàgio em empresa de desenvolvimento de Software. Sabia que com alguns meses estaria ganhando bem mais. Então, agora era a hora. Resolvi que ia estudar fora. Minha esposa não curtiu muito a idéia no inìcio.

Escolhi com quem e onde queria fazer pesquisa. O destino é engraçado, tinha acabado de me matricular no francês pensando numa possibilidade remota de imigrar para o Quebéc (Canadà). A França terminou sendo o paìs de destino acadêmico...
Era preciso fazer a candidatura para as duas universidades, e se eu fosse escolhido precisava de um teste atestando minha proficiência no francês. Que proficiência? Eu era nìvel 1. Zerado. Comecei a queimar pestana e virei autodidata. Precisava atingir o nìvel intermediàrio. Viva a Internet e seus recursos

Uma sèrie de palavras desestimulantes poderiam ter abalado meu curso se eu tivesse dado ouvidos aos outros:

1 - Viajei em Abril de 2007 de férias pra Belém, e fui na Aliança Francesa de là me informar sobre o teste. Manaus não aplicava o TCF. A funcionària que me atendeu disse que era melhor eu fazer o teste no ano seguinte e falou que eu não iria atingir o nìvel desejado se fizesse naquele momento.

Mandei os dossiês de candidatura mesmo assim. Eu acreditava em mim, mas no fundo sabia que podia dar errado. Por que não tentar?

2 - Fui pra São Paulo um mês e meio depois fazer o teste. Até então ninguém sabia desta "loucura" que eu estava cometendo. Encontrei-me com dois amigos de faculdade que estavam morando là hà algum tempo, e contei porque estava em SP, o lance do teste etc. Um deles me perguntou: "Ah, então tu jà foi selecionado?". Respondi que não, mas os possìveis orientadores disseram que eu tinha chance, logo, iria precisar comprovar proficiência n lìngua. Como dois gaiatos que são, não deixaram barato e fizeram chacota de mim :)

Em julho soube que fui selecionado na universidade em que estou. Duas semanas depois chega a carta da outra universidade com resposta positiva também. Recebi o resultado do teste de francês também. Nivel intermediario, equivalente ao B1. O nivel minimo pedido pela universidade...
Hora de dar entrada no visto.
Segundo falaram, fui o primeiro em Manaus a passar através do processo eletrônico do Campus France. Tive que refazer meu dossiê pela Internet porque este procedimento era obrigatòrio a partir de 2007.

3 - Eu deveria tramitar copias de documentos e os passaportes pelo consulado honoràrio de Manaus, que enviaria tudo pra Brasìlia. Entrei em contato por telefone com a gentil secretària, que perguntou como eu seria financiado. Eu disse que não tinha bolsa, e que ia deixar meu emprego e vender meu carro pra ir. Ela achou um absurdo (foi um tanto anti-ética a reaçao dela) e o que ela insinuou deu a entender que eu era um imigrante disfarçado de estudante. Não achei correta a postura dela, afinal eu ia fornecer todos os documentos. Falei depois que minha esposa ia junto. A gentil senhora manifestou-se de uma forma que eu me questionei se ela realmente trabalhava em um consulado. Pessoalmente ela foi menos negativa. Menos mal...

Fiz uma cartinha pra embaixada pedindo pra agilizar devido a motivos que expliquei. Entraram em contato comigo dizendo que o visto estava ok e mandaram SEDEX direto pra minha residência em Manaus.

4 - Jà podia revelar a proeza maluca. De julho até o momento do embarque pra França em setembro, ouvi vàrios tipos de comentàrio: de estìmulos à baldes de àgua fria, a maioria deu força, mas alguns poucos, de amigos à parentes, me olhavam com um olhar estranho quando eu dizia que viria sem bolsa pra cà e falavam horrores do custo de vida da Europa. Parece até que o otàrio aqui não tinha pesquisado os preços das coisas. Eu jà tava sabendo preço de aluguel, transporte, comida, etc.

Trabalho com TI, e se o mundo não pipocar com alguma crise, tem muito mercado pra nòs por muitos anos. O dinheiro vai, mas vem de novo.

5 - Jà na França, comentava com colegas daqui sobre seguir em tese num doutorado. Problemas polìticos de orientadores versus chefes não me favoreciam muito a continuar em tese. Precisava mostrar serviço. Botei na cabeça que tinha que publicar algo da pesquisa do mestrado antes da defesa. Meus colegas diziam que era dificil publicar em tão pouco tempo e que eu deveria me concentrar na dissertação. Claro que não dei ouvidos. Trabalhando em ritmo forte, desenvolvi o meu projeto, escrevi dois artigos e uma proposta de apresentação técnica em um evento. (Santa paciência da minha esposa!)
Todos achavam que os artigos eram muito técnicos e não eram interessantes de serem publicados, visto o nìvel das conferências, etc. Achavam que sò a apresentação ia passar.

Foi tudo aprovado. Milagrosamente, 100% de aproveitamento até agora.

6 - Pra continuar numa tese precisava de financiamento. Eu não ia pedir bolsa do Brasil, e restavam duas opções pra mim: Bolsa do governo francês ou contrato do laboratòrio. A bolsa daria um pouco mais de liberdade no tema de pesquisa, jà o contrato limitaria-me ao domìnio do projeto que me financiaria. Como sempre, colocaram terra no meu pedido de bolsa. Disseram que é difìcil, que sò as melhores notas conseguem e que isso, aquilo, etc. Era melhor ficar com o contrato mesmo, era o mesmo valor, etc etc. Fiz o dossiê do pedido.

Esta semana recebi uma bolsa do governo francês. Melhor que a do CNPq, por sinal :)
Não fui "top" da turma, mas chegou bolsa pra mim. Estou sem "amarras" na minha pesquisa.

Ok, història comovente. E daì?

Tento mostrar que opiniões externas não devem nos abalar ou desviar de nossos objetivos. Não se deve mudar de metas por que A ou B acha errado ou acha que não vai dar certo. Sempre é bom refletir sobre crìticas, mas somos nòs que sabemos dos nossos limites, dos nossos objetivos, sonhos, planos. Antes de qualquer outra pessoa, acredite em si pròprio. Meus pròximos 3 anos em tese podem até ser medìocres, mas esse ano de vitòrias nunca esquecerei. Insisti no que acreditava e tudo deu certo.

Considero-me sortudo, ilumidado, ou qualquer outro adjetivo que achem adequado. Mas se eu não tentasse, não tinha sorte do mundo que fosse fazer tudo isso acontecer. Tem que se mexer pra poder sair do lugar. O tempo todo recebi confiança e palavras de estìmulo de minha esposa, que mesmo não curtindo muito essa idéia de vir morar fora do paìs e ficar ainda mais longe da famìlia, embarcou comigo nessa jornada "louca". Nessas horas você vê como o amor é cego :)

Se alguém tem algum plano ousado e està naquela situação tipo "com uma asa delta e parado na frente do abismo", espero que este post sirva de empurrãozinho. Você consegue alçar vôo e chegar do outro lado. Pode acreditar. E se não tentar, vai se arrepender depois.