segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Barbeiragem nos trilhos


Barbeiragem do tramway em Karlsruhe. Acho que nenhuma pessoa saiu gravemente ferida, mas ninguém espera um bondinho bater, especialmente na Europa cheia de "motoristas civilizados".

sábado, 4 de outubro de 2008

Participando do ensino universitàrio francês

Sigo com minha perseverança/insistência. Candidatei-me ao serviço de monitoria das universidades de Grenoble. Mesmo com o desestìmulo de algumas pessoas que disseram que era bastante difìcil, e achavam que eu não ia conseguir por que pra ser monitor tinha que ter notas altìssimas blà blà, tentei com minhas notas medianas.
Lembrei da història da bolsa...

Essa insistência é coisa genética, eu acho. Minha mãe me teve numa gravidez de alto risco, aos 40. Os médicos sugeriram um aborto devido à dificuldades no inìcio da gravidez. Ela insistiu.

Obrigado, mãe. Eu continuo insistindo também, graças ao que aprendi com a senhora ainda no ventre.

Seguindo em minha onda de sorte, fiquei como monitor do Institute Nacional Polytechnique de Grenoble (INPG), parte das grandes écoles que formam os "elitizados" engenheiros franceses. Talvez um dia explicarei essa leseira elitista em outro post.
Além da oportunidade de obter esta experiência auxiliando na formação de estudantes, ainda pingam uns euros na conta :)

A primeira disciplina na qual serei monitor é Banco de Dados (BD). Participei de uma reunião com a equipe responsàvel pelas 7 disciplinas de BD com 5 professores e 3 monitores trabalhando em conjunto. Formulação de exercìcios, discussão sobre conteùdo, foco dos cursos, etc. A pouca experiência com ensino que tive no Brasil não foi de nìvel universitàrio, não sei dizer se é isso também é costume dos docentes brasileiros. Achei muito bom pois a disciplina não é conduzida individualmente, e isso ajuda a equilibrar o nìvel assim como divider bem os assuntos abordados em todas as outras matérias de BD. Creio que outros domìnios (Algoritmos/Programação, Redes, Eng. Software, etc) sejam conduzidos aqui da mesma forma.

Estarei vendo (e participando) do ensino superior francês de perto, devo postar mais coisas informativas à esse respeito e espero que sejam ùteis aos interessados em estudar na França.

à bientôt!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Mouse Ocular en France

Neste fim de semana tive uma òtima surpresa ao folhear um jornal semanal de Grenoble: Encontrei nada menos que o projeto do Mouse Ocular, da Fundação Amazônica de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Tecnològico Desembargador Paulo dos Anjos Feitoza, também conhecida como FPF ou Fundação Paulo Feitoza, onde trabalhei por 2 anos e 3 meses.

O mouse e Socorro estão super internacionais. Coloquei no Google a busca por "souris oculaire" (pronunciado "surri oculér") e havia links de notìcias em vàrios paìses, como esse jornal de Luxemburgo e este outro da Suìça.

A diagramação do jornal de Grenoble colocou Socorro olhando pra de James Hetfield, do Metallica, como podem ver na foto acima :)

Fico muito contente e orgulhoso com a visibilidade internacional do projeto, e com o conteùdo das reportagens que fala do governo brasileiro distribuir gratuitamente o mouse.

Parabéns à FPF e em especial a todos os envolvidos no projeto.

domingo, 28 de setembro de 2008

Bruxelas: capital bilíngüe e museu dos quadrinhos

Bruxelas é a capital da Bélgica, e sede administrativa da união européia. Na verdade a capital formal da união européia muda de seis em seis meses de acordo com o país "regente" (no primeiro semestre era Ljubljana, Eslovenia e agora é Paris, França), mas creio que pode-se dizer que a capital de fato da UE é Bruxelas.

A Bélgica tem o francês e neerlandês como línguas oficiais. O país é basicamente dividido em duas regiões: Wallonie (francês) e Flandres (neerlandês). Até aí tudo bem, a Suíça por exemplo tem três idiomas oficiais: Alemão, Francês e Italiano, e ainda tem uma tal de língua Romansch que nem sei se é oficial.

Mas em Bruxelas é bem particular esse aspecto da língua. Todas as placas oficiais são em francês e holandês. Outra informação interessante que não sei se chega até o Brasil é que enquanto as 3 Suíças aparentemente vivem na paz, na Bélgica rola uma briga política para tornar Flandres independente. Nada violento como o separatismo do país Basco, na Espanha, mas existe esse movimento.

Fico por aqui nas minhas observações políticas e culturais, e deixo à mostra fotos que registram este fato um tanto curioso para nòs, com imagens das placas com francês na primeira linha e o mesmo aviso em neerlandês embaixo.








Museu dos Quadrinhos


Apesar de ter ficado à trabalho por dois dias, tive tempo de ir ao Musée de la bande dessinée, que reùne obras dos principais desenhistas belgas de quadrinhos. Nòs brasileiros devemos conhecer mais os que viraram desenhos animados exibidos no Brasil: Smurfs (em francês chamados de Schtroumpfs), que passava na Globo, e Tin tin, exibido na TV Cultura.

O museu é bem interessante e dà vàrias informações sobre o processo de criação de quadrinhos, curiosidades sobre os personagens, épocas e estilos dos quadrinistas belgas, etc. Vale muito a pena visitar, especialmente para quem gosta de quadrinhos. Se o cidadão turista não tiver interesse, que và então tomar algumas das 400 diferentes cervejas belgas.

sábado, 20 de setembro de 2008

Sósia



Fomos ao museu de Grenoble hoje, e me espantei ao olhar para um quadro. Achei bastante familiar, me lembrando um cara que eu via no espelho no inverno passado :)
Fiquei calado. Depois que minha esposa viu, perguntou pra mim "o que é que tu tà fazendo ali na parede?"
Tirei uma foto (sem flash, claro) pra guardar de lembrança.

Confesso que não curti muito essa mãozinha na cintura...

Dados da obra:

Autoretrato, óleo sobre tela
Ary Scheffer
França, 1830
118 x 90 cm
Museu de Grenoble

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Capisco un po di italiano

Estive em uma conferência na Itàlia, e passei quase uma semana là. Comecei a arranhar italiano, li rapidamente um guia de sobrevivência que minha esposa comprou no Brasil, com frases ùteis em vàrios idiomas, e consegui alcançar um "nìvel elevado" com uma linda frase avançada na ponta da lìngua: "Io vorrei un café per favore".

Disse pra ela que eu ia tentar uma frase tipo "como chego em tal lugar", eu não iria entender a resposta se invés de "và em frente, dobre à esquerda etc etc" fosse bem fora do padrão tipo "siga direto depois do semàforo, ao chegar na oficina do Zé, dobre a direita, e verà uma auto-escola, serà do outro lado da rua".

Falo inglês, mas não vejo muita graça chegar num paìs de lìngua latina e ficar querendo me comunicar em inglês. Usaria-o como ùltimo recurso. Acho que se dà pra tentar comunicar-se na lìngua nativa, por que não tentar? Agregaremos um pouco de cultura, alguns podem dizer cultura inùtil, mas eu adoro esse tipo de cultura :)

Por ser do grupo de lìnguas românicas, vulgarmente conhecido como lìnguas latinas, acho que daria mesmo pra desenrolar e seria divertido. Dizem que quando você sabe dois idiomas, aprender o terceiro torna-se mais fàcil. Eu ratificaria isso. Quando você sabe dois idiomas com similaridades, e de preferência da mesma famìlia, aprender um terceiro fica mais fàcil. Falo espanhol, francês e umas dezenas de palavras em romeno (sim, romeno é lìngua latina!) e chego à outra conclusão: você mistura tudo, se enrola com falsos cognatos, etc, etc. Por isso milhares ou milhões de brasileiros falam "portunhol" e pensam que falam espanhol, colocando no seu CV com muito orgulho o nìvel avançado de fluência em espanhol :)
Ràpido teste do seu nìvel de portulhol/espanhol: O que é cuello, basura, engrasado e embarazada?
*Resposta no final do post.

No primeiro dia não quis perder tempo e na hora de chegar na recepção e pegar a chave do quarto, fui logo falando em inglês pra não perder tempo. A diversão com meu idioma "portunhano" seria na rua. A inferência tinha começado cedo. Nas estações de trem, sempre avisos proibindo cruzar os trilhos: "vietato traversare i binari". Inferência 1:
- Vietato = Vetado, logo, vietato é proibido

Anùncio na rua que não esqueci: “paghi uno e prendi due” .
- Prendere = Prendre (pegar, levar, em francês. Equivalente ao "to take" do inglês)

Começou a ser vàlido o negòcio da terceira lìngua. Olha o francês ajudando a aprender italiano :)

Chego num supermercado pra dar uma olhada nos produtos locais e levar uma cerveja local, Moretti. Uma segurança na porta do supermercado estava colocando as sacolas dos clientes dentro de um saco plastico lacrado para que pudessem entrar. Eu estava de mochila, então passei por ela e, apontando pra minha mochila, soltei meu "fluente" italiano: "questo va benne?". Como eu temia, ela respondeu fora do meu script esperado "si" ou "no", e disse uma frase que eu forcei a barra e pensei ser uma resposta positiva. Ao entrar ela me chamou a atenção, e concluì que a resposta havia sido negativa. Ùltimo recurso: inglês. "Do you speak english?" e ela foi dizendo que eu teria que deixar a mochila.

O segundo dia jà estava melhor, conseguia comprar tudo falando italiano: "Quanto?", "Per favore", "Grazie". Crente que estava sabendo pra caramba. Aos poucos, diàlogos profundos, com linguagem erudita, de dar inveja à Dante Alighieri: "Questo bus va a stazione centrale?". O motorista responde: "vicino". Mais uma inferência:
- Vicino = Vizinho, Pròximo.

Na conferência queria ir no banheiro, então embolei um espanhol italianado pra perguntar: "Il bagno per favore".
-
Baño (em espanhol) = Bagno (em italiano) :)

Super método de aprender coisas tão òbvias. Que genial...

O plural das coisas eh bacana (ou não), acho que é igual ao latim:
- Prodotto -> Prodotti
- Prezzo -> Prezzi
- Piatto -> Piatti

Entretanto, me enrolei pra perguntar num lugar que horas fechava, tentei utilizar o verbo "fermer" do francês, não deu. Gestos com as mãos. Descobri que o verbo era "chiudere". Fermare em italiano significa parar. Falso cognato, mas se forçarmos a barra tem alguma coisa a ver.
- Chiuso = Fechado...

Cadê a semelhança? Bom, nem tudo são flores.

Pois è, assim foi durante todos os dias, cada vez menos com inglês, e meu italiano indìgena dizendo coisas que soariam em português como "eu comer carne com massa. beber um vinho". Mas era divertido. Assim como ouvir os garçons, caixas, atendentes, te receberem com a linda frase: "Prego?" depois você agradece e te respondem "Prego!". Bem pràtico, tipo "Ciao", que você fala quando chega e quando vai embora.

Falei com um amigo do Brasil pelo gtalk eu uma tarde durante a conf e ele me disse uma frase em italiano que me agregou uma nova palavra no vocabulàrio: "freddo" (frio). à noite eu jà consegui usar a palavra. No jantar da conferência estava numa mesa com brasileiros e portugueses que estavam na conferência e um cara reclamou do vinho quente e não conseguia explicar para a mulher que nos servia, que não falava inglês. Mandei a nova palavra numa frase provavelmente indìgena: "questo vino è caldo, no è freddo", ela explicou que o vinho tava quente porque era vinho tinto, não é pra tomar gelado. Depois trouxe um espumante gelado, sobras da degustação de queijo e presunto que houve antes, e disse que os funcionàrios do buffet haviam separado o que sobrou pra levarem pra casa :)
Entendi isso, mas ela disse muito mais coisa. Pobrezinhos dos funcionàrios. Reduzimos a fraude deles.

Quando fui buscar minha esposa na estação, depois de alguns dias na Itàlia, eu jà sabia bastante italiano, acho que ela ficou impressionada por que fomos comer uma pizza e tomar uma cerveja e comprei tudo usando um italiano avançado, com auxìlio do dedo indicador (sempre nè? ). Nos outros dias conversamos com vendedores, pedìamos informações na rua. O povo sempre falando uma tonelada e eu entendia um kilo. Acho que eles são prolixos, falam, falam, falam e não dizem nada. Ou então eu não sei tanto italiano assim. Eh. Acho que eles são prolixos mesmo, afinal, eu estava falando italiano avançado e conseguia comprar coisas na rua :)

Gostaria de ir à Marrocos um dia. Tirando as palavras do português e espanhol começadas com Al (algodão, alcool, almofada, etc), agregadas ao espanhol e ao português durante a presença dos mouros na penìnsula Ibérica, o àrabe não tem tanto a ver com nossa lìngua. Ainda bem que em Marrocos muita gente fala francês...

* Aos fluentes em portunhol: cuello não é um animal, significa pescoço. Basura não é vassoura, é lixo. Engrasado não tem a menor graça, significa algo sujo de gordura (grasa) e embarazada é gràvida :)

domingo, 17 de agosto de 2008

Zebra do campeonato francês


O time de futebol daqui de Grenoble, o GF38, subiu pra primeira divisão francesa e està surpreendendo. É atual lìder isolado do campeonato francês e destaque nas manchetes de jornais.

Ok, é a segunda rodada do campeonato...

O Nàutico fez parecido no brasileiro esse ano, mas agora està correndo da zona de rebaixamento, enquanto o glorioso Sport começou por baixo mas não passa do nìvel mediano. Pelo menos não estamos tão perto do pelotão de baixo :P

O pròximo jogo do Grenoble é contra o Lyon, que vem papando o campeonato francês desde 2002. Acho q a festa "grenobloise" acaba aì. Agora com o Grenoble na primeira divisão as pessoas vão começar a ouvir falar menos raramente da cidade onde estamos :)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Piada de brasileiro

Contaram pra mim, pela segunda vez, a mesma piada de brasileiro em menos de um mês. Fazemos piadas com português, judeu, turco (que por sinal foi um que me contou da segunda vez) e agora tive que ouvir piada sobre nòs ...

Sou meio ruim pra lembrar de piada, mas foi mais ou menos assim:

Dois franceses conversando, aì um fala pro outro:
- Fogo é o Brasil, né bicho? Lugarzinho que sò tem puta e jogador de futebol.
- Cara, minha esposa é brasileira...
- Ah é ?! Qual o time que ela joga?

Outras frases bizarras que o pessoal vive dizendo, tudo relacionado à (homo)sexualidade:
  • "O cara era um transsexual brasileiro"
  • "foi/vai fazer cirurgia de troca de sexo no Brasil"
  • "fazer uma cirurgia plàstica no Brasil"
  • "Colocar silicone no Brasil"
  • "um string brasileiro (fio dental)"
Tudo isso eu jà tinha escutado antes de Ronaldo aprontar aquela com a "senhorita" que ele pegou na rua e foi parar na delegacia.
Bem, aquela piada infame poderia ter sido pior...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bolinha de gude gigante


Quase 15:00 e estou voltando de uma pausa de almoço esticada. Em mais uma confra aleatòria da equipe aqui do lab, dessa vez rolou sanduìches, cerveja (e suco para os que não bebem :P ) e ...
pétanque!

Em plena terça-feira. Depois falam por aì que brasileiro não gosta de trabalhar :)

Eu sempre via o povo aqui jogando isso em praças e parques, e hoje joguei pela primeira vez. Bolinha de gude gigante. Momento nostàlgico que trouxe imagens da infância à tona (geralmente eu perdendo, hehehehehe).
E segue o intercâmbio cultural, sempre interessante.

domingo, 27 de julho de 2008

O milagre da transformação da vodka em vinho

Acho que todos os brasileiros que moram no exterior devem exercem um papel de cônsuls honoràrios e voluntàrios da cultura brasileira. Seja divulgando a mùsica, culinària, història, etc.
Fazendo minha parte, quando me junto em alguma festinha, confra, etc com a galera do laboratòrio, a caipirinha, nosso drink nacional, é de praxe e sempre bem-vinda por todos. Como o estoque de cachaça acabou, dessa vez foi com vodka, ou seja, saiu caipiroska.

Tinha limão demais e bebida de menos... Ficou mais limonada que caipirinha :)


Em dado momento, a vodka acabou e a ùnica bebida que restava era vinho tinto. Sacrificamos um vinho francês soh pra dar fim nos limões e saiu uma "caipivinho". Um primo pròximo da sangria, mas parente distante da caipirinha.